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Família capixaba é deportada dos Estados Unidos

Uma criança de 2 anos, a mãe e o padrasto foram expulsos do país e desembarcaram no Brasil em grupo de 211 brasileiros deportados

Kananda Natielly, do jornal A Tribuna | 28/01/2022 16:47 h | Atualizado em 28/01/2022, 17:00

Muro entre os Estados Unidos e o México
Muro entre os Estados Unidos e o México |  Foto: Arquivo/AT
 

Após entrar ilegalmente nos Estados Unidos e acabar detida, uma família de capixabas acabou expulsa do país. Eles estavam entre as 211 pessoas deportadas que chegaram ao Brasil na última quarta-feira (26) no voo vindo do Arizona.

O desembarque ocorreu no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, Minas Gerais.

Na família capixaba deportada estão um menino de 2 anos, a mãe dele, uma mulher de 29, e o marido dela e padrasto da criança, um homem de 40.

Além deles, outros 208 brasileiros, oriundos de estados como Amazonas, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo, também foram presos e expulsos dos Estados Unidos. Desses, 90 eram crianças, menores de 10 anos. 

“A mãe e o padrasto são oriundos do Espírito Santo, mas antes de irem para os Estados Unidos, estavam morando na cidade mineira de Mantena (MG). Ainda não falamos com eles e, primeiro, estamos levantando todas as informações necessárias”, disse o delegado federal Guilherme Helmer.

O delegado Guilherme Helmer disse que a maioria dos deportados foi presa na fronteira entre os EUA e o México
O delegado Guilherme Helmer disse que a maioria dos deportados foi presa na fronteira entre os EUA e o México |  Foto: Thiago Coutinho - 15/05/2019
 

O delegado explicou que a maioria dessas pessoas foi presa ao atravessar a fronteira entre os EUA e o México. Algumas prisões ocorreram durante a travessia; outras, quando o processo imigratório foi julgado e negado pela Justiça americana.  

“Elas foram identificadas como imigrantes ilegais e deportadas. O problema é que não conseguimos ainda trabalhar todas as informações necessárias para descobrir, por exemplo, de que forma e em quais circunstâncias essas crianças saíram do país”, disse.

A suspeita, segundo a polícia, é de que crianças do Estado e do País estejam sendo usadas em um novo esquema criminoso, em que coiotes (pessoas que conduzem os imigrantes pelas áreas de fronteira, mediante pagamento) “alugam” menores para a imigração ilegal.

“Sabendo da lei americana, que beneficia as famílias que foram presas estando ilegais nos Estados Unidos, os coiotes orientam as pessoas a criarem 'famílias fakes'. Eles alugam essas crianças para quem não tem filhos, por exemplo”, explicou o delegado.

Após desembarcarem no aeroporto de Confins, todas as crianças passaram por uma triagem com o objetivo de identificar casos de falsas famílias.

Federal apura 3 casos suspeitos de “aluguel de filhos”

Das 90 crianças que desembarcaram no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, Minas Gerais, no voo vindo dos Estados Unidos, na tarde da última quarta-feira (28), três não pertenciam a  nenhuma das famílias deportadas. 

A suspeita, segundo a Polícia Federal, é de que elas tenham sido “alugadas” para se passar por filhos de falsas famílias, em um esquema criminoso para a entrada ilegal em solo norte-americano.

“Foi feita uma triagem para verificar se as crianças pertenciam a famílias falsas e descobrimos que existem três, configurando tráfico de menores”, disse o delegado federal Guilherme Helmer. Ele garantiu que todos os fatos estão sendo investigados pela polícia. 

O delegado não soube informar o estado de origem dessas crianças. Segundo ele, a pena de reclusão para os coiotes que são pegos cometendo tráfico de pessoas depende da quantidade de vítimas que esses criminosos fazem. 

 “O tráfico de pessoas pode chegar até dois anos de reclusão, com um  aumento de pena de 1/3, caso haja violência”, disse.

“Agora, se a pessoa fizer isso com uma criança, ela pode pegar até seis anos, e se houver grave violência, até oito anos. Se faz isso com várias vítimas, a pena pode ser altíssima”, completou.

Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) disse que acompanha com atenção os desdobramentos que envolvem os voos de repatriação de cidadãos brasileiros detidos por imigração irregular nos Estados Unidos.

“A realização de tais voos tem como objetivo primário reduzir, para os cidadãos brasileiros, o tempo de permanência em centros de detenção nos Estados Unidos”, diz um trecho da nota.

 O Itamaraty frisa ainda que o processo de deportação ocorre integralmente sob as leis e a jurisdição dos Estados Unidos. 

“Do lado brasileiro, o tema é de competência da Polícia Federal, órgão responsável pelas providências operacionais concernentes à chegada do voo e ao recebimento dos passageiros, e, portanto, ao qual as   perguntas específicas sobre o assunto deverão ser encaminhadas”.


ENTENDA


1 - Falsa família

  • Os criminosos criam famílias falsas, com casal e filho. A criança é registrada no nome do casal que pretende ir para os EUA. Ela viaja junto.

São três formas para isso:

Criança de aluguel

  • Uma criança é “alugada” para ser registrada como sendo filha do casal. Ela embarca junto e, depois do processo de detenção e com o casal já estabelecido nos EUA, a criança é enviada de volta. Uma mesma criança chegou a entrar três vezes nos EUA com “pais” diferentes.

Pai falso

  • Os criminosos cobram valor menor para mulheres com filhos. Isso porque o acordo para o “desconto” prevê que a mulher forme um casal falso com algum homem sem filho que também pretende migrar. Como é mais difícil permanecer sozinho no país (já que pessoas sem família logo são deportadas), esse homem paga mais caro pelo serviço e registra a criança.

Filho de parente

  • Um casal com mais de um filho que vai migrar “empresta” uma criança para um parente que iria sozinho.

2 - Documento e passaporte

  • Após registrar a criança e formalizar a família falsa, o “casal” tira o passaporte de todos e deixa o Estado para viajar.

3 - Trajeto

  • No Estado, os imigrantes ilegais embarcavam do Aeroporto de Vitória, principalmente para São Paulo. De lá, partem para o México.
  • Do México, a família faz a travessia ilegal nos EUA.

4 - Detenção e imigração

  • Ao serem detidos, todos da família ficam juntos, por conta de nova lei. Em três dias, se o processo de deportação não for finalizado, a família é liberada, permanece nos Estados Unidos, mas precisa se apresentar sempre que a Justiça solicitar até finalizar o processo.
  • Como já está no país, a família se estabelece de forma ilegal.

Lei americana

  • Até 2018, famílias pegas tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos eram separadas, ou seja, cada um era levado para um centro de detenção diferente e, depois, deportados.
  • Naquele ano, mais de duas mil crianças foram separadas de suas mães, muitas ficaram sozinhas em centros de detenções e, depois, sumiram.
  • Essa política de separação foi criticada no mundo inteiro, forçando o então presidente Donald Trump a mudar as regras.
  • Com isso, desde  2018, famílias pegas tentando entrar ilegalmente passaram a ficar juntas, em um “centro de detenção familiar”. Se o processo de deportação não for resolvido em três dias, a família é liberada e fica nos EUA, se apresentando à Justiça sempre que for chamada.

Brecha na lei

  • Como as famílias não são mais separadas e têm “mais chance” de permanecerem ilegalmente nos Estados Unidos, os criminosos passaram a lucrar com o envio de falsas  famílias, “alugando” crianças para se passarem como filhos.

Estados com mais prisões

  • 1º – MINAS GERAIS
  • 2º –  RONDÔNIA
  • 3º –   ESPÍRITO SANTO
  • 4º –  SÃO PAULO
  • 5º –  GOIÁS

Cidades do Estado com mais prisões

  • 1º –  MANTENÓPOLIS: 264
  • 2º –  VITÓRIA: 142
  • 3º –  COLATINA: 117
  • 4º –  BARRA DE S.FRANCISCO: 109
  • 5º –   PANCAS: 103

Fonte: Polícia Federal.

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