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Exame de DNA revela que mulher em coma há 21 anos não é menina sequestrada no Estado

| 05/08/2021 18:33 h | Atualizado em 05/08/2021, 19:09

Clarinha
Clarinha |  Foto: Antônio Moreira/AT

O exame de DNA feito com o material genético de Clarinha e de um casal de Belo Horizonte revelou que a mulher internada, há 21 anos, no Hospital da Policia Militar (HPM), em Vitória, não é a menina Cecília, de 1 ano e 9 meses, que foi sequestrada  em Guarapari, no verão de 1976. O resultado da amostra foi divulgado pela Polícia Civil de Minas Gerais, na tarde desta quinta-feira (5). 

A suspeita de que Clarinha pudesse ser a menina desaparecida no litoral capixaba há 45 anos surgiu após um exame de reconhecimento facial.  Em meados de 2020, uma equipe de papiloscopistas da Força Nacional de Segurança Pública soube do caso e entrou em contato dom o Ministério Público do Estado (MPES), que tenta há anos identificar a paciente em coma profundo.

A equipe da Força Nacional usou um método de comparação facial com busca em bancos de dados de pessoas desaparecidas com características físicas semelhantes às de Clarinha. O resultado apontou para uma criança de 1 ano e 9 meses que era de Minas Gerais e foi sequestrada em Guarapari, em 1976.

O MP enviou amostra do perfil genético de Clarinha para a Polícia Civil de Minas Gerais, que tem arquivado os perfis genéticos dos pais da criança desaparecida em Guarapari. 

O resultado da amostra era aguardado para saber se Clarinha era a menina sequestrada em Guarapari. Em nota, a PC de Minas Gerais informou que, nesta quinta, os perfis do casal de Minas Gerais e da paciente foram novamente comparados. "O resultado previamente apresentado pela Rede Integrada de Perfis Genéticos foi confirmado (exclusão de maternidade e paternidade)", informou a nota.

Segundo a corporação, as amostras biológicas dos pais da criança desaparecida em 1976, no município de Guarapari, foram processadas pela Seção Técnica de Biologia e Bacteriologia Legal/PCMG e os perfis foram inseridos no Banco de Dados de Perfis Genéticos em fevereiro de 2013.

Já a amostra biológica da paciente internada no Estado do Espírito Santo foi processada pelo Laboratório de DNA Criminal/ES e inserida no Banco de Dados de Perfis Genéticos em novembro de 2015.

"Os estados de Minas Gerais e Espírito Santo são integrantes da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, o que permite que, periodicamente, haja o confronto de suas respectivas inserções com todas as inserções dos Laboratórios de DNA Forense do nosso país que contribuem com esta rede. Assim, caso a paciente fosse filha do casal mineiro, a maternidade/paternidade dessa teria sido confirmada em novembro de 2015", explicou a Polícia Civil de Minas Gerais. 

A corporação ainda esclareceu que, na época dos fatos, tomou as providências cabíveis, como a divulgação das imagens da criança e seus familiares, inclusive da fotografia envelhecida da desaparecida, contato com as redes da assistência social e da saúde em busca de informações sobre o paradeiro da desaparecida, além  de a mídia nacional que deu ampla divulgação ao caso.

"Em virtude disso, esta Polícia Civil recebeu informações de mulheres que poderiam ser a desaparecida em questão, porém, após confronto do material genético dessas mulheres com o material genético dos genitores de Cecília, todas as possibilidades foram descartadas", informou.

Cecília passava férias com os pais e os irmãos mais velhos em uma espécie de acampamento, em Guarapari. No dia 2 de fevereiro de 1976, ela brincava de bola com o irmão, na época com 2 anos e 10 meses, quando saiu para pegar o objeto e nunca mais foi vista. 

O médico e coronel aposentado Jorge Potratz informou que a mãe de Cecília morreu há dois mesesEle acompanha a paciente Clarinha, internada no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Vitória, há 21 anos e informou sobre a morte da advogada em entrevista ao jornal A Tribuna, publicada na edição desta quinta-feira (5).

Clarinha

A paciente internada em estado vegetativo, conhecida como Clarinha, chegou ao Hospital da Policia Militar, em 2000.

De acordo com relatos de testemunhas, ela estava fugindo de um perseguidor, também não identificado, e correu para o meio de uma avenida movimentada no centro de Vitória, onde foi atropelada por um ônibus.

Levada para o antigo Hospital São Lucas, passou por diversas cirurgias. No entanto, o cérebro foi afetado, impedindo que ela retornasse de um coma profundo.

"Sem documentos e com as digitais desgastadas, buscou-se, em um primeiro momento, encontrar algum conhecido entre as testemunhas do acidente, mas ninguém tinha informações da paciente. Em seguida, Clarinha foi transferida para o HPM, onde continua até hoje, sendo tratada com carinho pelo corpo médico e pelos enfermeiros", explicou o Ministério Público do Estado.

Exames de DNA em pelo menos 18 famílias foram feitos

O órgão passou a atuar no caso a partir de demanda recebida do HPM, que pediu a ajuda ministerial para identificar Clarinha e seus familiares. A procuradora de Justiça Edwirges Dias, que na época atuava como promotora de Justiça Cível de Vitória, expediu ofícios para diversas instituições públicas que integraram uma campanha para saber quem é Clarinha.

Em outro momento, o caso foi encaminhada ao Grupo Especial de Trabalho Social (Getso) do MPES. Coordenado pela promotora de Justiça Arlinda Maria Barros Monjardim, o Getso atuou em diversas frentes, expedindo ofícios, fazendo diligências e cobrando perícias.

O MPES fez a divulgação do caso em veículos de imprensa locais e nacionais, além de pedir ajuda aos outros ministérios públicos, banco de dados de pessoas desaparecidas, delegacias e até a Polícia Federal.

Em 2016, após uma reportagem em rede nacional, 102 famílias procuraram o MPES suspeitando que Clarinha pudesse ser uma familiar desaparecido. Depois de uma investigação dos casos, a história de 22 famílias aparentava algumas semelhanças pelas fotos ou pela similaridade dos dados próximos ao perfil de Clarinha.

Quatro desses casos foram descartados mais a frente por incompatibilidade de informações ou porque os familiares foram encontrados. As famílias restantes foram submetidas a testes de DNA, porém todos tiveram resultado incompatível.

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