Estudantes fazem protesto contra alunos que criaram fotos falsas de colegas com IA
Com cartazes em mãos, adolescentes meninas pediram respeito e criticaram a posição da escola
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"Não é caso isolado". "O assediador não pode estar no mesmo ambiente que a vítima". "A escola tolera assédio, mas não 10 minutos de atraso". Com cartazes contendo essas e outras frases, estudantes de uma escola particular de Vitória fizeram um protesto na tarde desta sexta-feira (13).
A escola é a mesma onde dois adolescentes de 14 anos, com o uso de inteligência artificial, criaram falsas imagens nuas de três adolescentes, da mesma idade.
O caso, que só se tornou público nesta semana, aconteceu no início de fevereiro. Na ocasião, os alunos receberam apenas suspensões de 1 a 3 dias e depois voltaram normalmente à escola.
A reportagem de A Tribuna não está divulgando o nome da escola em que os envolvidos estudam e onde o caso aconteceu, para preservar as vítimas e também os acusados, que são menores de idade.
A reação dos estudantes da escola, em maioria do sexo feminino, se deu por não concordar com a postura da instituição. Para elas e para pais e responsáveis pelos estudantes, os responsáveis por este crime deveriam ser expulsos.
Paralelo ao protesto desta sexta, um abaixo assinado está sendo realizado na internet, pedindo a expulsão dos alunos. O documento já conta com mais de 10 mil assinaturas.
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Entenda o caso
Em entrevista ao jornal A Tribuna, a mãe de uma das meninas, uma psicóloga de 45 anos, informou que um dos suspeitos teria feito a montagem após sua filha não ter aceitado um pedido de namoro. “Eles estavam se conhecendo, mas ela não levou o relacionamento à frente. Logo depois, ficou sabendo sobre a imagem”.
A psicóloga revela, ainda, que a foto manipulada era de três amigas em um passeio no shopping, mas foi completamente alterada por meio de um aplicativo de IA.
Ao saberem do fato, os pais das meninas envolvidas buscaram a escola para que tomasse providências. “A direção chamou os meninos, que confessaram ter feito a montagem. Depois, conversou com as famílias deles e disse que tomaria uma medida administrativa. Eles receberam suspensão de um dia, que é a mesma punição aplicada quando um aluno usa celular na escola”.
O pai da estudante, um advogado de 46 anos, também falou sobre a falta de ação da instituição de ensino. “A divulgação ocorreu entre colegas da escola. A intenção de constranger as meninas aconteceu naquele contexto”.
Para ele, a instituição deveria garantir um ambiente emocionalmente seguro para os alunos. “Que base pedagógica é essa que, diante de um fato grave como esse, permite que a vítima reviva o trauma todos os dias, pela convivência ininterrupta com os infratores?”
O outro lado
Em nota, o colégio onde os alunos investigados estudam, em Vitória, informou que tomou conhecimento de uma situação com estudantes do ensino fundamental relacionada ao uso inadequado de recursos digitais durante as férias escolares.
A direção disse ainda que, tão logo teve ciência dos fatos, adotou providências cabíveis no âmbito pedagógico e disciplinar, em conformidade com o Regimento Escolar e com a legislação aplicável.
Segundo o colégio, as famílias dos adolescentes foram convocadas, ocorreram atendimentos individualizados e foram aplicadas as medidas educativas pertinentes.
A unidade de ensino enfatizou que o caso também foi comunicado às autoridades competentes, com as quais vem colaborando integralmente para a apuração dos fatos.
A instituição reafirmou ainda seu compromisso com a formação integral dos alunos, com a promoção de um ambiente escolar seguro e com o desenvolvimento de ações educativas voltadas ao uso responsável das tecnologias digitais.
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