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Estados Unidos registram primeiros casos de nova varíola em crianças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença como emergência pública de preocupação global

Cláudia Collucci, da Agência Folhapress | 25/07/2022 09:21 h

Nova varíola: casos registrados em crianças
Nova varíola: casos registrados em crianças |  Foto: Arquivo/AT
 

Os Estados Unidos registraram pela primeira vez dois casos da nova varíola em crianças, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em comunicado na última sexta-feira (22). No sábado (23), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença como emergência pública de preocupação global.

Segundo as autoridades de saúde, o fato demonstra que, embora a nova varíola seja uma infecção sexualmente transmissível, ela tem o potencial de contagiar qualquer pessoa que tenha contato próximo a outros indivíduos infectados.

Uma das crianças diagnosticadas é da Califórnia e a outra, um bebê, teve a confirmação da doença enquanto a família estava viajando em Washington. Eles não são residentes nos EUA.

Segundo o CDC, os dois casos infantis da varíola dos macacos não estão relacionados e provavelmente resultaram de transmissão doméstica.

A agência informou ainda que as crianças estão bem de saúde, sendo tratadas, e que as autoridades ainda investigam como elas foram infectadas.

Em entrevista ao jornal Washington Post, Rochelle Walensky, diretora do CDC, disse que os casos têm relação com indivíduos que são da comunidade de HSH (homens que fazem sexo com homens), mas que as investigações ainda estão em andamento.

Desde que o surto começou nos EUA, em maio, a grande maioria dos casos da nova varíola tem sido registrada entre homens que fazem sexo com homens, mas autoridades enfatizam que o patógeno também pode afetar pessoas fora dessa comunidade.

Em uma teleconferência na sexta (22), Jennifer McQuiston, vice-diretora da divisão de patógenos e patologia de alta consequência do CDC, disse que não é uma surpresa o surgimento dos casos pediátricos de varíola dos macacos.

"As redes sociais que temos como humanos significam que temos contato com muitas pessoas diferentes", disse ela, informando que a Europa e em outros lugares onde o surto da doença está se expandindo também têm relatado casos em crianças e em mulheres.

Segundo McQuiston, como a doença também se espalha por meio do contato pele a pele, que, no caso de crianças, pode incluir segurar, abraçar, alimentar, bem como por meio de itens compartilhados, como toalhas, roupas de cama, copos e utensílios, a transmissão é esperada.

"Mas não há evidências até o momento de que estamos vendo esse vírus se espalhando para fora das comunidades de gays, bissexuais e outros homens que fizeram sexo com homens."

Ela afirma que 99% de 2.891 casos da nova varíola confirmados nos EUA até sexta (22) envolveram homens que fazem sexo com homens, mas houve também ao menos oito casos entre mulheres cisgênero e homens transgêneros.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, o maior até o momento, analisou 528 infecções confirmadas em 16 países, entre 27 de abril e 24 de junho, e concluiu que 98% dos infectados eram HSH e 95% dos casos foram transmitidos por via sexual.

As autoridades de saúde dizem que a disseminação pela via respiratória é possível, mas geralmente ocorre quando o contato é por períodos prolongados, por exemplo, quando uma pessoa mora na mesma casa que uma outra infectada.

O vírus também pode ser transmitido por meio do contato físico, incluindo o toque em uma lesão, bem como a troca de alguns fluidos corporais, como a saliva.

O CDC aconselha cautela em locais em que as pessoas se esbarram, se abraçam e se beijam, com roupas mínimas, como raves e clubes lotados.

A transmissão também pode ocorrer quando a pessoa tocar em itens e superfícies compartilhados com alguém que apresente sintomas.

Há uma grande preocupação entre os médicos de que o fato de a doença estar mais concentrada entre homens que fazem sexo com homens provoque o aumento do preconceito e do estigma em relação a essa comunidade.

"Isso foi um desastre no passado [com a epidemia de Aids]. Já tem muitos casos que não têm nada a ver [com transmissão sexual]. Já existem casos em que o contato envolvido foram roupas de cama, toalhas. Não se pode pensar com simplicidade essa história", afirmou o infectologista David Uip, secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do governo paulista, à reportagem.

No Brasil, o Ministério da Saúde confirma 607 casos da doença até a última sexta. O saldo é mais do que o dobro verificado no último dia 9, quando havia 218 diagnósticos confirmados em todo o país.

Os casos da doença concentram-se principalmente em São Paulo. No sábado (23), a Secretária da Saúde estadual disse que eram 466 casos da doença confirmados no estado. A maior parte deles é na capital paulista -no total, foram 385 somente na cidade.

"Todos os pacientes estão com boa evolução do quadro e são acompanhados pelas vigilâncias epidemiológicas dos seus respectivos municípios, com o apoio do estado", diz a a nota da secretaria.

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