Espírito Santo já registrou 35 mortes por afogamento durante o verão
De acordo com o Observatório da Segurança Pública, elas aconteceram em praias, lagos, lagoas, cachoeiras e piscinas
As altas temperaturas têm atraído, diariamente, milhares de banhistas para as praias do Espírito Santo. Porém, o desejo de se refrescar também vem acompanhado do risco de afogamento.
Somente neste mês de janeiro, 12 pessoas morreram afogadas no Estado, segundo informações do painel de afogamentos do Observatório da Segurança Pública. Em dezembro foram 23 mortes, totalizando 35 óbitos em praias, lagos, lagoas, cachoeiras, piscinas e outros locais.
Diante disso, bombeiros e guarda-vidas alertam para os perigos que o mar pode representar. Uma das estratégias utilizadas para alertar a população em praias de Vitória e Vila Velha é a sinalização por meio das bandeiras coloridas.
“O banhista deve olhar as bandeiras de sinalização, sendo que a verde indica baixo risco de afogamento; a amarela é médio risco; e a vermelha alto risco. Também é sempre importante que o banhista fique próximo a um guarda-vida e peça orientação sobre os melhores locais para banho, principalmente nas praias em que ele não conhece”, orienta Ednardo Dalmácio, coordenador do Grupamento de Salvamento Marítimo (Salvamar) de Vitória.
Quanto à forma de adentrar no mar, segundo Ednardo, é sempre em pé, medindo a profundidade com os pés e nunca pulando de cabeça.
A major Gabriela Andrade, do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, especialista em salvamento aquático, alerta também que não se deve entrar na água após ingerir bebida alcoólica.
“O banhista também não deve se afastar da margem. Sempre falamos que água no umbigo é sinal de perigo. Com as crianças a atenção deve ser redobrada, já que curiosidade natural da idade faz com que elas se exponham mais ao risco”.
Outra recomendação da major é não confiar em boias infláveis, já que elas podem ser perfuradas ou perder a flutuabilidade, sendo mais seguro os coletes de espuma.
“Em relação à corrente de retorno, que é a maior causa de afogamento nas praias, é importante sempre perguntar ao guarda-vidas qual o local mais seguro para entrar. Caso você sinta que está sendo arrastado, nunca nade contra a corrente, tem que ter calma e sair pelas laterais”, orienta.
“Que dia!”, disse vítima na praia
O fisiculturista Leonardo Souza, de 30 anos, que estava nadando em direção à Ilha Pituã, em Vila Velha, e morreu, na última terça-feira, chegou a fazer um vídeo, em suas redes sociais, ao chegar na praia com a seguinte legenda: “Que dia!”, mostrando o céu azul e o mar.
Em conversa com a reportagem, Luís Bastos, gerente de Salvamento Aquático de Vila Velha, explicou que, segundo a ocorrência, o fisiculturista e um amigo estavam atravessando para a ilha, quando Leonardo se afogou. Seu amigo, então, pediu por socorro ao chegar à ilha.
“O amigo relatou que Leonardo se cansou, começou a passar mal e não conseguiu nadar. O amigo não conseguiu socorrê-lo. Nossa equipe ainda fez busca, em torno de cinco a sete minutos, e conseguiu localizar o corpo”.
A equipe de Salvamento Aquático de Vila Velha iniciou a manobra de ressuscitação. “Ele colocou bastante água e espuma para fora. O guarda-vida que estava na areia acionou o Samu; logo que chegaram com ele na areia, o Samu continuou fazendo a massagem, mas, infelizmente, ele não voltou. Tivemos a informação que ele teve um mal súbito na água”.
Segundo a major Gabriela Andrade, do Corpo de Bombeiros, mesmo para quem sabe nadar é importante ter consigo um objeto flutuante. “Ele (Leonardo) começou a se afogar e o amigo que estava com ele foi tentar ajudar, mas o Leonardo começou afogar o amigo, que se afastou e foi pedir ajuda. Nesses casos são muito comuns os afogamentos coletivos”.
Luís Bastos alerta que da praia até a Ilha Pituã há 280 metros. “Nadar até lá é um risco desnecessário. Hoje temos embarcações que levam até lá com segurança.”
Alerta para afogamento de turistas
O Espírito Santo é o segundo estado com maior número de afogamentos de turistas no Brasil (13%), ficando atrás, apenas, de Santa Catarina (18%), segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa).
O secretário-geral da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), o médico David Szpilman, explica que o Espírito Santo recebe muitos turistas de interior, principalmente de Minas Gerais.
David destaca que os estados que enviam turistas devem investir mais em prevenção ativa – educação antes do banhista chegar ao local para entender os riscos. Já os estados e municípios que recebem os turistas devem fazer a prevenção reativa (com os guarda-vidas).
O especialista reforça que também é importante manter os cuidados em casa, já que 50% das mortes de crianças por afogamento acontecem dentro de casa. “Crianças até quatro anos devem ter acesso restrito a qualquer tipo de água”, alerta.
Nas piscinas, deve-se ter cerca e dois ralos para a prevenção de aspiração do corpo e do cabelo. David também alerta para os rios, lagos e represas, locais que correspondem por 65% dos afogamentos com morte.
“Praias, normalmente, têm guarda-vidas, mas rios, lagos e represas não têm. O risco de morrer afogado em um local que não tem guarda-vida é 60 vezes maior”.
Orientações
Bandeiras para alertar banhistasSinalização de risco
Municípios utilizam bandeiras coloridas para alertar sobre as condições do mar, como nas praias de Vitória e Vila Velha.
A bandeira verde indica baixo risco de afogamento, a amarela sinaliza risco médio e a vermelha aponta alto risco. A orientação é sempre observar a sinalização e procurar um guarda-vidas para saber os melhores pontos para banho.
Álcool e distanciamento
Não é recomendado entrar na água após ingerir bebida alcoólica. Também é fundamental não se afastar da margem. A regra prática indicada pelos bombeiros é que “água no umbigo é sinal de perigo”.
Coletes e segurança
Boias e objetos infláveis não são indicados. O recomendado são os coletes salva-vidas de espuma, do tamanho e peso adequado.
Manter a distância de um braço da criança, que submerge mais rápido.
Afogamentos coletivos
Mesmo quem sabe nadar deve carregar um objeto flutuante. Tentativas de resgate sem preparo são responsáveis por afogamentos coletivos, quando a pessoa em pânico acaba puxando quem tenta ajudar.
Fonte: Especialistas consultados.
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