Ela é cantora, mas abriu mão da advocacia para se tornar psicanalista
Fran Giacomin e Danyel Sueth deixaram o Direito para seguir vocações antigas. Pesquisa mostra por que transições estão em alta
Por 11 anos, Fran Giacomin dividiu a vida entre processos e palcos. A música sempre caminhou ao seu lado. Já a advocacia passou a lhe fazer mal. “A cada audiência que eu ia, não ficava bem”. Isso mudou com um projeto antigo: ser psicanalista. Mas, para fazer a transição, foi preciso um “empurrãozinho” das amigas e um ano ruminando a decisão.
“No Direito, não conseguia me ver quando estivesse mais velha”, conta Fran, que tem 42 anos.
Há 2 anos e meio ela atua como psicanalista, tendo seu próprio consultório, onde também usa a meditação como técnica de terapia. Ao contrário do Direito, cujo estudo era uma obrigação e a prática começou a ser “desgastante”, Fran conta que aprender sobre psicanálise lhe traz a mesma sensação prazerosa de praticar um hobby.
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A decisão de mudar veio no início da pandemia. Foi num jantar com as amigas, comendo pizza. “Eu disse: vou fazer psicanálise. Uma delas respondeu: ‘Amanhã você vai se matricular’. Foi o empurrão necessário”.
A mudança não foi fácil e exigiu planejamento. A carreira na música garantiu o sustento durante a transição. “Eu fiquei um ano fazendo essa transformação mental. Toda carreira nova e autônoma exige tempo e paciência”, revela a cantora da banda Dona Fran, há mais de 20 anos atuando no Espírito Santo.
“Eu tive que escolher”
Durante quase duas décadas, Danyel Sueth, 44, viveu duas carreiras de sucesso. De dia, era advogado. Fora do expediente, um multi-artista: músico, escritor, ator, diretor de teatro e roteirista.
Até que os projetos artísticos cresceram tanto que conciliar as duas carreiras deixou de ser possível. “Chegou um momento em que tive que escolher e não tive a menor dúvida”.
O horário comercial era dedicado ao Direito, mas a profissão nunca foi sua paixão. A decisão, lembra, foi a de um jovem que ainda não tinha certeza sobre o futuro. “Como grande parte dos jovens de 17 ou 18 anos, eu não sabia o que fazer pelo resto da vida. Mas gostava de ler e pensei que direito ia usar muito essa habilidade, fui fazer”.
O sonho sempre foi viver da produção cultural, embora a realidade exigisse outro rumo.
“Pensava: gosto tanto de fazer isso que, se pudesse fazê-lo pelo resto da vida, certamente seria feliz.”
Formado em 2005, o artista atuou na área jurídica e depois migrou para a administração pública, onde o último capitulo de sua vida dupla foi ser secretário de Cultura de Alegre. Com orgulho, diz sentir que cumpriu sua parte pelo desenvolvimento da cultura e que a transição foi o resultado de preparação.
“Batalhei muito para fazer essa transição. Fui cavando espaços, me especializando em produção cultural, editais e leis de incentivo. Foi isso que me permitiu fazer essa mudança.”
A preparação deu resultado. Danyel lançou três romances por meio de editais de cultura, preside a Companhia de Teatro do Caparaó e assina o roteiro do filme Não Volte Mais, premiado em festivais internacionais.
Hoje, diz não ter encontrado alívio, mas um privilégio. “O artista está sempre pensando no próximo passo. Não tem salário fixo, está sempre correndo atrás, como qualquer profissional liberal. Mas hoje entendo que é um absoluto privilégio. Costumo dizer aos jovens que me preparei muito para fazer o que amo”.
Pesquisa
- 61% dos profissionais brasileiros querem novo emprego este ano
- 28% destes avaliam transição de carreira
Motivos para a transição de carreira
- 63% aspectos financeiros
- 39% qualidade de vida
- 29% realização pessoal
- 27% vontade de aprender algo novo
- 24% procura por flexibilidade
Metodologia
- Foi realizada pela empresa de soluções em talentos Robert Half em novembro de 2025, com a participação de 500 profissionais com qualificação, estejam eles empregados ou em busca de recolocação, reunindo percepções e expectativas para o novo ano.
- 72% dos profissionais brasileiros que querem mudar de emprego este ano, desejam seguir no mesmo campo.
Motivos para mudar na mesma área
- Melhores oportunidades de crescimento: 45%
- Maior remuneração: 42%
- Busca por novos desafios: 31%
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