Disputa de ruas decoradas para torcer pelo Brasil
Moradores se uniram para deixar bairros coloridos com o verde e amarelo da Seleção. Tem até concurso da rua mais bonita
Se depender da empolgação dos moradores da Grande Vitória, o hexacampeonato vem sem sombra de dúvida para o Brasil.
Em clima de Copa do Mundo - que começa na quinta-feira (11) -, bairros recuperaram uma antiga tradição. Se organizaram para confeccionar bandeirinhas, pintar paredes e desenhar ídolos da Seleção Brasileira no asfalto. Está tendo até competição entre ruas valendo telão e churrasco para assistir o jogo.
Esse é o caso do bairro Barcelona, na Serra. A associação dos moradores organizou o concurso “Rua Mais Bonita de Barcelona para a Copa do Mundo”. As inscrições podem ser feitas até um dia antes de cada jogo. O primeiro acontece sábado. Serão três premiações, uma a cada jogo.
A rua Marília é uma das que estão participando. Por lá, a animação é grande, com moradores indo até a madrugada fazendo os preparativos. Em um dos muros pintados, a crença: “Rua Marília acredita. Brasil hexacampeão”. Eles começaram no último dia 24. Desde então, todo dia teve reunião com direito a bolo, pão de queijo e até churrasco.
Já em Vitória, no bairro Caratoíra, a pintura da rua principal da comunidade, a Orlando Bonfim, já terminou. Foram 10 mil metros quadrados preenchidos com mais de 600 litros de tinta.
Idealizada pelo Instituto Vizinho da Arte e assinada pelo artista Nico Duarte, a pintura aconteceu em maio, começando às 5 horas e seguiu até 23 horas. Mais de 90 moradores da comunidade, de todas as idades, se reuniram para ajudar.
O artista Nico também foi responsável pelo desenho da Alameda do Sol, no condomínio Atlântica Ville, em Jardim Camburi. Além de comemorar com muito verde e amarelo, a pintura também chama atenção para o combate ao racismo no País e nos jogos, representado por um desenho do Vini Junior.
Os moradores de Jardim Botânico, em Cariacica, também se animaram para enfeitar a rua. Eles começaram duas semanas atrás e estão intercalando trabalho e afazeres pessoais com a pintura.
A tradição de pintar as ruas para a Copa do Mundo se popularizou no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980. Nos últimos anos, moradores desses bairros contam que a ação tinha sido esquecida. Para eles, a atividade significa mais do que torcer, é recuperar uma tradição, unir vizinhos e compartilhar com os filhos alegrias que viveram na infância.
Concurso em Barcelona
Desde 24 de maio que moradores da rua Marília, em Barcelona, na Serra, estão preparando a decoração. Hellen Gonzalez, 42, conta que os vizinhos viraram madrugadas confeccionando bandeirinhas e pintando.
Eles vão participar do concurso Rua Mais Bonita de Barcelona para a Copa do Mundo.
“Estou esperançosa. Mas digo que mesmo se a gente não ganhar, já ganhamos pelos momentos que compartilhamos com nossos vizinhos”, disse.
Vaquinha para o material
A rua Vitória, no bairro Jardim Botânico, em Cariacica, também está sendo enfeitada para a Copa por seus moradores. Eles começaram há duas semanas, conta Maycon Fernandes, 33.
“Fizemos uma vaquinha e compramos o que precisava. A tinta foi R$ 2.500. Estamos fazendo de pouco em pouco, dia e noite. Cada um ajudou como podia”, contou o morador.
Cenas da cidade
“A comunidade toda compareceu”
Leandro Mello, 41 anos, responsável por colocar a rua Orlando Bonfim, em Caratoíra, Vitória, em clima de copa, conta que a ação ajudou a fortalecer a amizade.
“Não acreditamos no tanto de gente que veio ajudar. A comunidade toda compareceu. Foi um momento de união”, conta.
Alguns dos que participaram foram Gabriel Viana e o filho Pedro Gabriel, além de Enzo Santos. “Se depender da nossa torcida, o Brasil já é campeão”.
Resgate da tradição
Suellen Campelo, 43, conta que a pintura na Alameda do Sol, no bairro Atlântica Ville, em Jardim Camburi, Vitória, surgiu do desejo da comunidade de resgatar a tradição de torcer junto. Na foto, seu filho Kauã Kill, além das vizinhas Valentina Cesar e Vera Lúcia.
“Quando o Brasil ganhou o penta foi uma emoção muito forte e é essa emoção que carregamos quando pintamos a rua. O Brasil ganhando ou perdendo essa esperança não perdemos”, disse, acrescentando: “As crianças vão poder contar 'Eu pintei a rua para torcer para o Brasil', aos filhos e netos”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários