Até remédio pode ser flagrado no novo exame para tirar CNH
Substâncias como anfetaminas e opioides, além de maconha, cocaína e derivados são normalmente pesquisados nos testes
A obrigatoriedade do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação — determinado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) desde 15 de maio — levantou uma dúvida em quem vai retirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH): medicamentos podem ser detectados no teste?
A reportagem ouviu especialistas, que explicaram como o exame é feito, quais substâncias são rastreadas e quando um remédio pode aparecer no resultado.
Cada tipo de teste possui especificações próprias quanto às substâncias que podem ser detectadas, conforme explicou Lauziene Andrade Soares, biomédica e doutoranda em Biotecnologia pela Ufes, especialista em Patologia Clínica e em Biologia Molecular e Genética Laboratorial.
“Normalmente são pesquisadas anfetaminas e derivados da anfetamina, maconha, cocaína e derivados e opioides (morfina, codeína e oxicodona)”.
Lauziene alerta que alguns medicamentos, como opioides (morfina e codeína), podem interferir na primeira etapa do exame toxicológico. “Por isso é importante informar quais medicamentos são utilizados no momento da coleta”.
O médico toxicologista Alvaro Pulchinelli, diretor técnico da Toxicologia Pardini do Grupo Fleury, que detém as marcas Pretti e Bioclínico no Espírito Santo, explicou que o exame toxicológico exigido para a primeira habilitação é igual ao exame que as categorias C, D e E fazem na renovação da carteira.
“É um teste que colhemos cabelo, pelos ou unhas e vamos identificar o contato com substância psicoativa. Por meio do exame desse material, a gente consegue verificar a presença desse contato. Vale lembrar que um único contato pode eventualmente positivar o teste, então não há dose segura para o uso dessas substâncias”, esclarece.
Para a primeira habilitação, o valor do exame nos laboratórios do Grupo Fleury está em R$ 149.
Merchiane Pereira Pinto, biomédica e coordenadora de Pré-Analítico dos Laboratórios Pretti e Bioclínico, explica que a conferência do kit de coleta inclui assinaturas, registro de testemunhas e lacre do material na presença do paciente.
Em seguida, o kit é enviado para análise laboratorial. “Após a conclusão do exame, o resultado fica disponível diretamente para o paciente e, também, é encaminhado ao Detran e à clínica responsável pelo processo de habilitação”.
Fique por dentro
Exame toxicológico para primeira habilitação
- O candidato à primeira habilitação cujos processos forem abertos desde o dia 18 de maio deverão, obrigatoriamente, realizar o exame toxicológico em qualquer etapa, explica o diretor de Habilitação e Veículos do Detran-ES, Raphael Piekarz.
- Ao final do processo, ele só terá sua Permissão para Dirigir (PPD) emitida se tiver realizado o exame e o resultado for negativo para o consumo de substâncias psicoativas ou drogas no organismo, abrangendo uma janela de detecção mínima de 90 dias.
Resultado positivo
- Caso o resultado dê positivo e o candidato discorde, pode solicitar contraprova no mesmo laboratório ou aguardar a janela e realizar novo exame.
- Como o processo de habilitação não tem prazo de validade, mesmo que a CNH não seja emitida, o candidato não perderá nenhuma das etapas pelas quais já tenha passado.
Como o exame é feito?
- A legislação permite apenas a coleta de cabelo, pelos ou unhas para esse tipo de exame. Embora sangue, saliva e urina também sejam utilizados em testes toxicológicos, eles não servem para a finalidade exigida pelo Detran porque possuem uma janela de detecção muito menor.
Quantos fios de cabelo são necessários?
- Não existe espessura de cabelo exigida para o exame. O que importa é a quantidade mínima de material: pelo menos 15 miligramas, o equivalente a cerca de 100 fios de cabelo.
- A coleta é feita, de preferência, na parte de trás da cabeça, próxima ao couro cabeludo, pois a região tem um crescimento mais regular do cabelo.
Medicamentos podem ser identificados?
- Segundo especialistas, medicamentos de uso comum não provocam falsos positivos no exame toxicológico. Medicamentos para gripe, pressão arterial e outros remédios de uso habitual não alteram o resultado.
- O exame é direcionado para a identificação de substâncias psicoativas específicas, especialmente drogas que podem comprometer a capacidade de condução, como maconha, cocaína, anfetaminas e opioides.
- Especialistas recomendam que o candidato informe todos os medicamentos em uso e apresente receita médica quando necessário.
- Após o exame é feita a conferência do kit de coleta, incluindo assinaturas, registro de testemunhas e lacre do material na presença do paciente. Depois, o kit segue para análise laboratorial.
Janela
- A janela de detecção tem relação com o material utilizado: o cabelo/fio. Quando uma pessoa usa uma droga, os metabólitos dessas substâncias circulam na corrente sanguínea e acabam sendo depositados na matriz do cabelo durante o crescimento do fio. Como o cabelo cresce, em média, 1 cm por mês, o laboratório consegue “voltar no tempo” analisando aproximadamente 3 a 4 cm de cabelo, correspondendo a cerca de 90 dias de histórico de uso.
Valor
- Os laboratórios são credenciados à Senatran e os valores não são tabelados. A lista de laboratórios credenciados para coleta de material para o exame toxicológico no Espírito Santo está disponibilizada no site do Detran-ES, em https://detran.es.gov.br/lista_-exame-toxicologico.
Resultado
- A maioria dos exames tem resultado liberado em até 48 horas após a coleta, mas esse prazo pode chegar a 5 dias. O resultado é enviado diretamente ao Detran e vinculado automaticamente ao prontuário do condutor.
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