Diploma na gaveta e sucesso em novas carreiras: as histórias de quem mudou de área
Profissionais contam suas histórias de como decidiram “engavetar” o diploma e partir para novas áreas, onde se sentem mais realizados
Todo diploma conta uma história. A de alguém que passou anos estudando, fez provas, virou noites e sonhou com uma profissão. O que ele não conta é que, às vezes, o diploma termina “engavetado”.
Entre 10 histórias reunidas por A Tribuna há a de uma enfermeira que hoje cultiva cacau, de um nutricionista que escreve códigos e de um bioquímico que trocou o laboratório pela cozinha. As trajetórias são diferentes, mas têm algo em comum: o sucesso conquistado em áreas distintas daquelas em que se formaram.
Aos 26 anos, Maria Júlia Brasil é um desses casos. Na teoria, atua como gerente comercial na ótica da sua família, mas, na prática, conta que faz de tudo um pouco: planeja o marketing, cria conteúdo para as redes sociais, emite nota fiscal, prepara café e por aí vai.
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O plano inicial era outro. Maria iniciou a faculdade de Veterinária aos 18 anos. “Era minha paixão desde criança”, conta. Ela se formou aos 23, fez pós-graduação e dedicou dois anos à profissão, trabalhando em clínicas e pet shops.
“Nunca me senti satisfeita. Eu trabalhava muito para compensar financeiramente e tentar pegar mais experiência e me sentir mais segura. No final, estava fazendo 110 horas semanais”, relata.
O excesso de trabalho acabou cobrando um preço. Maria diz que desenvolveu burnout e síndrome do pânico. Foi largando a profissão aos poucos. A mudança não é atribuída à falta de competência. Diz que era boa no que fazia e se descreve como uma aluna nota 10. Até hoje considera a veterinária uma das profissões mais bonitas do mundo. Apenas não funcionou para ela.
“O meu papel aqui na ótica está agregando. A empresa é consolidada, já tem 32 anos, mas estou levando a outro patamar. As mudanças que fiz estão atraindo outros públicos.”
Uma pesquisa da consultoria Robert Half descobriu que 61% dos profissionais brasileiros pretendem buscar um novo emprego este ano. Entre eles, 28% avaliam migrar para outra profissão.
Segundo a neurocientista Ana Carolina Souza, transições de carreira devem se tornar cada vez mais comuns. Isso ocorre por uma soma de fatores, desde uma mudança na forma como o trabalho é enxergado até o desenvolvimento da tecnologia. “O contexto do mundo que temos é mais favorável para que as pessoas experimentem novos caminhos.”
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