Detran estuda o uso de radar móvel para fiscalizar bike elétrica
Órgão informou que está avaliando a implementação de tecnologias para permitir a fiscalização desse tipo de veículo
Com uma projeção que ultrapassa mais de nove mil bikes elétricas no Espírito Santo, com base nos dados da Associação Brasileiras do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), o Estado enfrenta agora um desafio: o aumento de acidentes com esse tipo de veículo.
Por conta disso, o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) informou que está avaliando a implementação de tecnologias para otimizar a fiscalização de bikes elétricas.
Segundo o departamento, isso inclui não apenas o uso de radares móveis, mas também de dinamômetros portáteis (equipamentos que medem a potência e velocidade real dos veículos).
“Esses projetos se encontram em fase inicial de análise técnica e viabilidade. O Detran-ES reforça que o foco das ações é garantir a segurança viária e o cumprimento das normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran)”, informou, por nota.
Apesar de ainda não ser uma realidade no Espírito Santo, cidades do Brasil já testam a medida. É o caso de Itapema, em Santa Catarina, onde o departamento de trânsito local testa o radar móvel junto à Guarda Civil.
Para o capitão Anthony Moraes Costa, consultor em Segurança Viária, apesar de as bikes e autopropelidos elétricos serem veículos modernos, ágeis e sustentáveis, que facilitam bastante o deslocamento dos usuários, precisam cumprir regras para garantir a segurança de todos.
“Os equipamentos medidores de velocidade são essenciais nesse papel, tanto de fiscalizar veículos adulterados que ultrapassam a velocidade máxima permitida pela norma – 32 km/h – como de coibir comportamentos inadequados em áreas de grande circulação de pessoas”.
André Cerqueira, especialista em Segurança e membro do Movimento Capixaba para Salvar Vidas no Trânsito (Movitran), acredita que, inicialmente, essa medida pode ser interpretada negativamente pela sociedade, como algo para gerar multas, porém, é uma medida válida. “Essas práticas precisam seguir regras”, destaca.
Marlonn Dummer, especialista em Comportamento Seguro no Trânsito e membro do Movitran, ressalta que a presença de operações e o controle de velocidade, inclusive com radares móveis, cumpre um “papel fundamental não apenas de punição, mas de educação e indução de comportamento.”
Em 2025, foram registrados 304 acidentes com bikes elétricas contra 45 em 2024, somando 349 sinistros, um aumento de aproximadamente 575,6%. Além disso, o Estado soma seis mortes por acidentes com bikes elétricas no período, segundo dados do Observatório Estadual da Segurança Pública.
O QUE ELES DIZEM
Comportamento
“Um veículo que esteja a 50 km/h, bem acima da velocidade máxima, pode provocar a morte de um pedestre ou deixar sequelas graves. Pesquisas indicam que radares de velocidade alteram o comportamento dos condutores, reduzindo infrações e aumentando a segurança viária. A presença de radares promove um fluxo mais lento controlado”.
Capitão Anthony Moraes, consultor em Segurança Viária
Conscientização
“Infrações devem ser tratadas com rigor, tanto nesse modal quanto em qualquer outro que descumpra a legislação. Ao mesmo tempo, considerando o aumento do volume desses veículos e o perfil diverso de usuários, é estratégico reforçar uma abordagem coletiva de conscientização e educação, via Detran, e ações integradas com autoescolas”.
Marlonn Dummer, especialista em Comportamento Seguro no Trânsito
Fiscalização
“A principal observação sobre a implantação dos radares é que, em um primeiro momento, eles tenham caráter educativo. O sucesso da fiscalização depende de um início voltado à orientação. Em seguida, pode-se avançar para notificações e, por fim, aplicação de multas àqueles que não utilizarem os equipamentos obrigatórios ou que trafegarem em alta velocidade”.
André Cerqueira, especialista em Segurança
SAIBA MAIS
Números
De janeiro de 2024 a dezembro de 2025 foram registrados 349 acidentes envolvendo bicicletas elétricas. Desses, 29 envolveram lesões graves. Ao todo, foram 6 vítimas fatais.
Municípios
No ranking de cidades, Vila Velha é a que mais registrou problemas envolvendo bicicletas elétricas, com 117 acidentes.
Em seguida estão Vitória com 111, Serra com 40 e Linhares com 19.
Tipo de via e dia
Os acidentes em via pública ocupam a primeira posição, com 263 acidentes, seguido dos da calçada, com 65 e ciclovia, 21. Segunda e terça-feira são os dias com mais registros de acidentes, 60 em cada dia.
Velocidade
Embora muitas bicicletas elétricas alcancem até 32 km/h, o limite de velocidade estabelecido pelo Contran é de 6 km/h. Em várias situações, como em vias estreitas, fluxo intenso e áreas urbanas, andar rápido é imprudente.
Detran pode multar na calçada?
A resolução do Contran de nº 996 determina que tanto a bicicleta quanto o autopropelido podem circular na calçada compartilhada, mas respeitando a velocidade de 6 km/h.
Nessa situação, a preferência é sempre do pedestre. Se o ciclista, mesmo na calçada compartilhada, conduzir a bicicleta de forma agressiva — ou seja, em alta velocidade, empinando, retirando o sinal sonoro ou adotando qualquer conduta que ameace a integridade física de terceiros —, essa conduta é considerada agressiva e passível de autuação, explica o capitão Anthony Moraes Costa, consultor em Segurança Viária.
Fonte: Observatório Estadual da Segurança Pública e especialistas consultados.
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