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Destino de caça da Embraer no Afeganistão tem fuga, queda e tomada pelo Taleban

| 16/08/2021 18:37 h

A esquadrilha de aviões de ataque leve A-29 Super Tucano da brasileira Embraer operada pela Força Aérea do Afeganistão vive uma saga desde que o Taleban acelerou a tomada do país, consolidada com a ocupação de Cabul no domingo (15).

Destino de caça da Embraer no Afeganistão tem fuga, queda e tomada pelo Taleban
Destino de caça da Embraer no Afeganistão tem fuga, queda e tomada pelo Taleban |  Foto: Divulgação
Dos 23 aparelhos que estavam no país, ao menos 14 foram levados para o Uzbequistão, e 1 deles caiu na operação.

Os restantes têm destino incerto, segundo avaliação do Departamento de Defesa dos EUA colhida pelo jornal Folha de S.Paulo.

O que é certo é que pelo menos um dos aviões está em mãos do Taleban, segundo informações da inteligência militar americana, que teve acesso a fotografias de militantes do grupo fundamentalista em torno do Super Tucano em um lugar incerto.

O avião que caiu foi abatido pelas defesas antiaéreas uzbeques, segundo agências de notícias russas, ou se chocou com um caça do país que o acompanhava na fuga. Seja como for, os dois pilotos afegãos do Super Tucano sobreviveram e estão em um hospital em Termez, capital da província de Surkhondario.

Ele fazia parte de um grupo de 22 aviões e 24 helicópteros militares que escaparam entre o sábado (14) e o domingo, dia da queda do governo de Ashraf Ghani. Eles violaram espaço aéreo uzbeque em busca de refúgio, e é provável que tenham sido pilotados à revelia dos superiores dos aviadores.

Os aviões brasileiros foram produzidos sob licença nos EUA pela parceira local da Embraer, a Sierra Nevada. Eles foram adquiridos por US$ 428 milhões em um lote de 20 em 2011, que começou a operar cinco anos depois, e em outro de 6 unidades, por US$ 130 milhões em 2017.

O fato de alguns Super Tucano e pelo menos 91 helicópteros terem ficado para trás não significa necessariamente que agora eles voem pela Força Aérea do Taleban. Alguns fatores concorrem para isso.

Primeiro, no caso dos caças brasileiros, pilotos. Desde que começaram a fornecer os aviões para os afegãos, Washington tratou de formar aviadores e técnicos. O programa terminou em novembro passado com cerca de 30 pilotos e 90 homens de apoio capacitados.

Como era um dos principais diferenciais das Forças Armadas afegãs na luta contra os insurgentes, por sua operação em ambientes hostis e específica para operações contra alvos pequenos e móveis, os Super Tucano passaram a ser alvo de uma campanha particular do Taleban.

Pelo menos 7 dos 30 pilotos foram mortos em atentados, assim como familiares de outros militares. Isso gerou um clima crescente de tensão, com relatos de deserção. Ainda assim, os EUA prometeram em julho entregar mais três aeronaves para Cabul, o que evidentemente não irá mais acontecer.

Além disso, os afegãos podem ter sido orientados pelos americanos a desabilitar sistemas de armas, que são controlados por software, dos aviões. Eles podem assim até voar, mas atirar é outra história, que passa também pela existência de munição suficiente.

Em junho, o Parlamento afegão fez um relatório dizendo que faltavam bombas com guiagem a laser no inventário da Força Aérea, devido ao alto uso contra os talebans.

Por fim, aviões precisam de manutenção constante e preventiva. Caças, submetidos a pressões extremas de operação, trocam de peças antes mesmo que elas apresentem desgaste, como prevenção. Essa torneira estará fechada para o Taleban.

O que não significa que o butim militar herdado pelos militantes islâmicos não seja enorme. Uma das crises da avaliação errada do avanço militar taleban é que os americanos não tiveram tempo de proteger ou retirar todo o material bélico que tinham no país.

O governo americano previa um cerco a Cabul para daqui a 30 dias, mas a capital caiu duas semanas depois do início da ofensiva final.

Além disso, os estimados US$ 90 bilhões gastos com equipamentos para as forças aliadas afegãs agora foram apropriados. Assim, é possível ver caminhões blindados patrulhando ruas em Herat e picapes da polícia nacional afegã com talebans na caçamba em Cabul.

Havia uma força considerável de blindados, 1.013 unidades, nas mãos do governo derrubado, além de 775 peças de artilharia –enquanto os militantes costumam confiar mais no seus fuzis AK-47 e nos RPG (lançadores de granada propelida por foguete).

Novamente, todo esse equipamento precisa ser operado, mas o grau de complexidade é infinitamente menor do que aquele de caças ou helicópteros modernos.

Nesta segunda (16), com a poeira ainda densa no ar dos eventos do domingo, o Taleban informou que pretende oferecer total anistia a soldados afegãos que tenham lutado contra o grupo fundamentalista, desde que se filiem a ele.

Como os ocupantes americanos não eram exatamente populares entre as tropas, e o medo de represálias está se espalhando pelo país, é bem provável que adesão seja maciça. O Taleban poderá ter o que nunca teve, nem em sua encarnação como governo (1996-2001): um Exército de fato.

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