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Desafios de um capixaba no exército dos Estados Unidos

Vinícius Guidoni, do jornal A Tribuna | 28/01/2022 11:24 h | Atualizado em 28/01/2022, 11:24

Inspirado desde pequeno por filmes policiais e de ação, um capixaba está hoje servindo o exército americano, uma das maiores forças militares do mundo. O sonho começou a virar realidade a partir de 2017, quando Sergio Meneghelli era estudante de inglês no Estados Unidos. Mas sua trajetória de resiliência teve início mais cedo, ainda no Brasil.

Natural de Vitória, Sergio serviu primeiro o Exército brasileiro, em 2006. Ao sair de lá, ingressou na Polícia Militar do Estado e ficou por cinco anos (2007 a 2012). Neste período, ainda se formou em Direito.

No entanto, Sergio não estava satisfeito em atuar nessa área no País e desejava algo diferente.

Capixaba revela os desafios de trabalhar no exército americano.

Capixaba Sérgio Meneguelli, 34 anos, Exército dos Estados Unidos.

Fotógrafo: Lucas Sandonato
Capixaba revela os desafios de trabalhar no exército americano. Capixaba Sérgio Meneguelli, 34 anos, Exército dos Estados Unidos. Fotógrafo: Lucas Sandonato |  Foto: Lucas Sandonato/AT
 

Sempre inspirado pelos filmes de guerra, com soldados lutando, pulando de paraquedas, Sergio decidiu tentar a carreira militar nos EUA. A primeira ida, como estudante, aconteceu em 2017 e o retorno ao Brasil, em 2019. Em 2020, voltou ao território americano.

“Fui como estudante, consegui um emprego e, no ano passado, recebi meu green card (permissão de moradia definitiva)”, disse Sergio, que mora na cidade de Hudson, no estado de Nova Hampshire.

Durante todo esse processo, ele conta que a rotina de atividades era puxada, mas, ao mesmo tempo desistir do exército americano, não era uma opção para ele.

“Quando estou em treinamento, acordo às 4h15 da manhã, arrumo o dormitório. Tem até inspeção de uniforme, depois fazemos educação física, a higiene pessoal, e os treinamentos são puxados. Passamos por muita privação de sono e, ao mesmo tempo, temos muita informação para entender”, revelou.

Aos 34 anos, o “combat medic” –  médico de combate, em tradução livre, que  atua nos campos de batalha – também tenta uma oportunidade como policial em Nova Hampshire.

“Cheguei como estudante de inglês, depois fui para um curso de business (negócios), e consegui um trabalho em uma loja de armas. Inicialmente, limpava o chão, e depois virei vendedor. Hoje já passei por três fases para entrar para a polícia americana. O próximo passo é ficar seis meses na academia de polícia e passar por mais um treinamento em campo com um policial”, disse.

Neste mês, Sergio voltou ao Brasil para visitar a família. A próxima missão, quando voltar para os Estados Unidos, em fevereiro, será ajudar a tratar de pacientes no combate à variante ômicron.

“Me considero americano mais do que a maioria dos cidadãos do país. Só 1% dos americanos servem as forças armadas. Mas isso não diminui meu amor pelo Brasil”.

“É preciso ir de coração aberto e não desistir”

A Tribuna – Por que escolheu a carreira militar?
Sergio Meneghelli – Sempre tive vontade de servir o exército. Me inspirava em filmes. Assistia Rambo, Robocop. Sempre tive aptidão e espírito de soldado. Trabalhei durante cinco anos na Polícia Militar do Espírito Santo  e fui instrutor de armamento e tiro antes de me mudar para os EUA.

Alguém da sua família te inspirou a seguir essa carreira?
Me inspiro no meu avô, João Manoel Meneghelli. Ele foi paraquedista do Exército do Brasil. Depois dele, fui o primeiro da família que seguiu a carreira militar.

Como foi o seu início até chegar ao exército americano?
Cheguei aos EUA como estudante de inglês em 2017. Depois fui para um curso de business, consegui a legalização para trabalhar. Arrumei um emprego numa loja de armas. Inicialmente limpava o chão, e depois virei vendedor. É preciso ir de coração aberto, não desistir e aceitar a cultura local.

Como foi sua formação como médico de combate nos EUA?
É preciso realizar um processo seletivo que inclui provas de conhecimentos, física e teste médico. Fui selecionado e fiz  curso de nove semanas, e 16 semanas de treinamento especializado. Os médicos de combate são militares treinados para prestar atendimento em diferentes frentes de emergência.

O que faz quando no tempo livre nos Estados Unidos?
Normalmente gosto de atirar, mas também jogo videogame e pesco, mas agora está  frio lá.

Qual foi o período mais difícil nos Estados Unidos?
O primeiro ano é o mais difícil. Depois você descobre como conviver e a lidar melhor com tudo.

Voltaria a servir no Brasil?
Não. Amo o Brasil, tenho respeito  pelo Exército, mas minha vida e meu trabalho estão nos EUA.

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