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Cidades

Depois de 2 anos com avós, crianças vão para creches

Famílias preparam ida dos filhos e netos para a escola pela primeira vez, após adiamentos devido à pandemia do novo coronavírus


Longe das salas de aula devido à pandemia, muitas crianças pequenas, que não tinham com quem ficar e precisaram contar com o apoio dos avós por quase dois anos, estão começando a frequentar as creches no Estado. 

É o caso da pequena Helena, de 2 anos, filha da doceira Maria Eduarda Figueiredo, 28. A criança teve a sua primeira aula na terça-feira (1). 

Por medo da covid-19, Eduarda preferiu adiar a entrada da filha na escolinha, o que estava previsto para acontecer no ano passado. 

Imagem ilustrativa da imagem Depois de 2 anos com avós, crianças vão para creches
Maria Eduarda Figueiredo, Maria das Graças FIgueiredo e Helena, de 2 anos |  Foto: Acervo Pessoal

“Como sou autônoma, precisei me dividir entre trabalhar e cuidar dela, todos os dias. Meu marido, embora seja presente, costuma trabalhar embarcado no Rio de Janeiro, como engenheiro elétrico. Foi muito difícil não ter a escola nesses últimos anos”, relatou.

Quem ajudou as duas a passarem pelo momento de isolamento foi a avó materna, Maria das Graças Figueiredo, de 52 anos. 

“Minha mãe nos ajudou em tudo, desde as brincadeiras com a Helena até dentro da cozinha, sendo meu braço direito. Sem ela, neste momento, talvez eu tivesse desistido de colocar a pequena para estudar”, contou a doceira.

Dados do último Censo Escolar, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta semana, mostraram que mais de 630 mil crianças de até 5 anos saíram da escola entre 2019 e 2021.

Para prosseguir com os estudos das filhas Laura, 4, e Alice, 8, mesmo durante o ensino remoto, a  farmacêutica Ana Paula Vescovi, de 35 anos, moradora da Serra, contou com o apoio dos sogros, Cecília Falqueto, 61, e José Vescovi, 63. 

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Cecília e José Vescovi ajudaram Ana Paula e Leonardo nos cuidados com as netas Alice, de 8 anos, e Laura, 4 |  Foto: Leone Iglesias/AT

Ela e o marido, o engenheiro Leonardo Vescovi, 37, afirmam que só conseguiram conciliar o próprio trabalho (na época, em “home office”) com as atividades dentro de casa por causa dos avós.   

“Os dois chegaram a criar brincadeiras para distrair as meninas e, ao mesmo tempo, ensiná-las sobre diferentes assuntos. Elas vão voltar às aulas na semana que vem e estão muito empolgadas”, citou.

Imagem ilustrativa da imagem Depois de 2 anos com avós, crianças vão para creches
As avós do pequeno Pedro Meireles Bassini foram a verdadeira rede de apoio para a advogada Patrícia Ribeiro Meireles Bassini |  Foto: Acervo Pessoal

Rede de apoio 

As avós do pequeno Pedro Meireles Bassini, de 1 ano e 11 meses, foram a verdadeira rede de apoio para a advogada Patrícia Ribeiro Meireles Bassini, 28. Em 2021, ela colocou o filho em uma creche, mas por problemas de saúde, teve de tirar e quem ficou com o menino para que ela e o marido Tassio Bassini Roriz, 35, pudessem trabalhar foram as avós Sandra Bassini, 62, e Carla Andrea Ribeiro Meireles, 51. 

“Minha sogra (Sandra), faz muita brincadeira educativa com ele. Essa rede de apoio é essencial, acho que  não conseguiria se não fosse o apoio delas. Agora, neste mês, ele vai começar a escolinha. Estou empolgada”, disse Patrícia.

Mais de 650 mil saíram do ensino infantil nos últimos anos

Em todo o País, mais de 650 mil crianças de até 5 anos saíram da escola entre 2019 e 2021, segundo o último Censo Escolar, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta semana.

Segundo os dados, o número de matrículas na educação infantil registrou queda de 7,3%  durante o período, e de 9% em creches.

No Estado, o número de matrículas do ensino infantil também caiu, quando comparado entre 2020 e o último ano. Em 2020, foram registradas 130.162 matrículas nas creches de rede pública do Espírito Santo. Já em 2021, houve registro de 122.322 matrículas.

A doutora em Educação Edna Tavares pontuou que a situação é assustadora e que o censo mostra que as políticas públicas em educação devem ser levadas a sério.

“O Censo nos espelha o quantitativo, porém, mais que isso, tem de criar estratégias certeiras e urgentes que resgatem esses alunos de volta à escola, bem como o apoio às famílias desse grupo”, afirmou. Ela destacou ainda que a pandemia apontou que o ensino remoto não funcionou para toda a sociedade.

A professora da Ufes e doutora em Educação Cleonara Maria Schwartz ressaltou que a rede de apoio familiar no contexto pandêmico foi fundamental, mas que nem todas as crianças o tiveram.

“Infelizmente, nem todas as famílias puderam arcar e dar conta dessa rede de apoio, por questão de sobrevivência, profissional ou, até mesmo, por não compreender ou ter as mesmas ferramentas conceituais que os profissionais da educação têm para intervir”.

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