De vinis ao crochê, objetos antigos caem no gosto dos jovens
Seja pela nostalgia ou pelo desejo de se desconectar, movimento aponta para uma busca por mais tranquilidade entre os integrantes da geração Z, nascid
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Objetos e práticas do passado, como ouvir vinis, fazer crochê e fotografar com câmeras analógicas, têm ganhado espaço entre jovens da geração Z – nascidos entre 1997 e 2012. Seja pela nostalgia ou pelo desejo de se desconectar, esse movimento aponta para uma busca por experiências mais lentas e sensoriais.
Um levantamento da GWI, empresa de pesquisa de mercado, mostra que cerca de 15% dos jovens preferem pensar no passado em vez do futuro, e metade demonstra apego a mídias como filmes, séries e músicas.
Na avaliação do psicólogo Lucas Protti, esse cenário mostra uma busca por mais tranquilidade.
“Vivemos uma experiência com muitos estímulos e cobranças, o que causa um certo cansaço. Assim, o passado começa a aparecer como uma imagem de algo mais simples, mais habitável, mesmo que isso seja, em parte, uma construção”.
A cineasta Luiza Grillo Rabello, 29 anos, é um exemplo desse comportamento. Colecionando objetos como discos de vinil, livros e câmeras analógicas, ela encontra neles uma forma de se conectar com histórias e vivências que atravessam o tempo.
Ela conta que o interesse surgiu a partir de seus pais. “Lembro da minha mãe me ensinando a colocar o disco para tocar e das nossas idas à locadora. Tínhamos também uma câmera analógica em casa. Quando cresci, foi algo natural manter esse gosto”.
As câmeras analógicas são uma paixão da cineasta, que hoje já possui uma coleção.
“O que mais me encanta é a surpresa. Não tem aquela pressão de ser uma foto para postar. Você registra o momento e nunca sabe exatamente o que vai sair”.
Além de se desconectar da rotina pesada, a jovem diz que sente que, ao entrar em contato com esses objetos, consegue se conectar com o passado e com outras histórias, principalmente por preferir comprar peças usadas.
“Às vezes, os discos que compro vêm com dedicatórias e eu fico imaginando quem são aquelas pessoas. É como se o objeto já tivesse uma história antes de chegar até mim e eu pudesse viver um pouco disso também”, explica.
Luiza diz ser uma grande frequentadora das feiras de antiguidades. “Tenho até evitado ir com muita frequência, porque sempre sei que vou gastar muito dinheiro”, brinca.
Interesse por coisas do passado
É entre concertos, vinis e antiguidades que o estudante de Medicina Vinicius Sipolatti, 26 anos, se sente mais feliz. Ele conta que durante muito tempo achou que tivesse nascido na época errada.
“Sempre tive interesse por coisas do passado, de uma época que não vivi. Enquanto a maioria dos meus amigos gosta de ir para festas, prefiro programas mais tranquilos, como concertos ou apresentações musicais”.
Vinícius diz que algumas pessoas acham seu estilo estranho. “É engraçado que alguns acham interessante e outros acham que estou 'fingindo' para parecer ser diferente. Mas esse é meu jeito, gosto de viver um estilo de vida mais antigo”.
Além dos programas que gosta de fazer, o jovem também coleciona algumas antiguidades, como uma maleta de médico do século passado e um relógio de bolso. A maior parte da sua coleção, porém, é de discos de vinil, uma paixão que começou após ganhar alguns álbuns de presente.
“Comecei a me interessar por música quando era criança e participei de uma bandinha do colégio. Depois que cresci, comecei a ganhar discos dos meus pais e do meu tio. Hoje, tenho cerca de 160 vinis na coleção”.
Para Vinícius, a experiência de ouvir músicas no vinil é completamente diferente de ouvir no streaming.
“Acho que é uma experiência mais tranquila, você precisa ouvir até chegar na próxima música. Isso me ajuda a desacelerar e sinto que consigo absorver melhor as mensagens”.
“Fico menos ansiosa”
Inspirada no talento de sua mãe, a jovem Isadora Rosado Costa, 18 anos, começou a fazer crochê e logo se apaixonou.
Ela conta que hoje produzir as peças virou uma distração até mesmo dentro do ônibus.
“Faço crochê em qualquer lugar. Gosto muito, porque me desconecto de tudo e fico menos ansiosa”.
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