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Coveiro faz vídeos de exumação e coloca na internet

| 07/08/2021 13:11 h | Atualizado em 07/08/2021, 18:42

O coveiro  Fabrício da Silva explicou que a retirada dos ossos é solicitada pela família quando morre outro parente
O coveiro Fabrício da Silva explicou que a retirada dos ossos é solicitada pela família quando morre outro parente |  Foto: Roberta Bourguignon

A retirada dos ossos das sepulturas do Cemitério São João Batista, em Guarapari, passou a ser divulgado pelo coveiro Fabrício da Silva Pascoal, de 45 anos, na internet. Os vídeos chegam a quase 4 milhões de visualizações. 

Fabrício começou com o canal no YouTube há um ano e meio. Quem acompanha faz perguntas sobre os restos mortais e o que acontece após uma pessoa ser enterrada.

“No ano passado eu estava fazendo a exumação de uma moça e gravei. Decidi colocar na internet. Ela tinha um cabelo preto e sempre usava trança. Não é comum as pessoas fazerem esse tipo de filmagem, e a ideia era fazer um canal variado, mas o que viralizou mesmo foram os vídeos de exumações”, explicou o coveiro. 

Entre as exumações mais curiosas está a de um padre que foi enterrado em 1945 com a batina e botas de couro. A bota, depois de 62 anos, estava intacta. 

“Em 2007, com o falecimento de outro padre, foi preciso fazer a exumação desse padre enterrado em 1945. Fui fazer a preparação da sepultura e vi que o padre foi sepultado de batina, de botas de couro, e a bota estava perfeita. Tinha os vestígios da batina e do crucifixo ainda. Foi a exumação mais antiga que fiz”, lembra Fabrício. 

O coveiro revela que as roupas de material sintético, de lycra, estão sempre perfeitas na sepultura, mesmo após muitos anos. “Os tecidos de algodão desmancham logo”, explicou.

O caixão também se decompõe com facilidade. “De 20 anos para cá, os caixões são feitos de material padrão, como MDF, e se decompõe mais rápido. Depois de três anos tem poucas partes na sepultura”. 

No cemitério onde o coveiro trabalha, as sepulturas pertencem a famílias mais antigas e tradicionais da cidade. A exumação de um corpo, que é a retirada dos ossos mortais, é solicitada pela família normalmente quando morre um parente.

“Ambiente em que gosto de atuar”

A Tribuna – Como surgiu a profissão na sua vida?

Fabrício da Silva – Fui fazer inscrição para um concurso e cobraram certificado de pedreiro. Mesmo eu sendo pedreiro, não tinha o certificado. Quando eu já estava saindo do local da inscrição, a mulher me avisou que tinha vaga para coveiro e não precisava de certificado. Passei em primeiro lugar.

No começo, assustou?

A parte que mais assusta o coveiro, no início, é a exumação. Eu realmente nunca tinha feito uma. Na minha primeira, eu já fiz com tanta desenvoltura que os coveiros mais antigos disseram que parecia que eu já fazia há anos.

Você tinha o costume de sonhar com os enterros?

Eu sonhava que as pessoas estavam abrindo as sepulturas e eu não conseguia controlar. As pessoas fazendo os sepultamentos sem avisar, e os mortos começaram a andar no cemitério. Depois de 15 anos, hoje é um ambiente que eu gosto de atuar. Os clientes não me perturbam (risos).

Advogada alerta para risco de ilegalidade

O coveiro afirma que não identifica os nomes dos mortos durante as filmagens, mas a advogada Elizabeth Picciafuoco esclarece que pode haver ação de indenização por dano moral e direito à imagem. 

A advogada afirma que a família pode pleitear dano moral para a pessoa do coveiro ou para o município, que é o administrador do cemitério. 

“O dano é a própria utilização indevida da imagem, não sendo necessária a demonstração do prejuízo material ou moral. A indenização deve ser fixada em termos razoáveis, orientando-se o juiz pelos critérios sugeridos pela doutrina e jurisprudência, valendo-se de sua experiência e bom senso, atento à realidade da vida e às peculiaridades de cada caso”, esclareceu.

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