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Cidades

Comerciante faz apelo contra uso de maconha

28/01/2021 15:01:08 min. de leitura

O dono de um quiosque na orla de Jacaraípe, na Serra, resolveu tomar medidas para afastar usuários de drogas, que usavam as mesas, que ficam na areia, para consumo de maconha. Ele instalou uma placa em seu estabelecimento, pedindo que os usuários não utilizem o local para consumir os entorpecentes.

Lucas Fernandes da Silva, de 37 anos, tem o ponto na orla há quatro anos e há três precisa lidar com o problema.

Imagem ilustrativa da imagem Comerciante faz apelo contra uso de maconha
Lucas Fernandes diz que o cheiro da maconha incomoda outros clientes Foto: Leone Iglesias/AT
“Eles chegam, sentam nas mesas que são do quiosque, acendem o cigarro de maconha. O cheiro incomoda muito. Estou sempre pedindo para saírem, alguns respeitam e vão para o canto, outros não. Eu fico na luta pedindo melhorias”, explicou o dono.

Durante a pandemia, o número de usuários no local cresceu ainda mais, segundo Lucas. Cerca de 80%. O proprietário conta que, por conta dos usuários, muitos clientes desistem de consumir no local e vão embora.

Como não estava obtendo resultados, ele então decidiu apelar e instalou uma placa que pedia a colaboração dos usuários e que não usassem as mesas.

“Alguns olham e não ficam nas mesas, outros ainda tiram fotos. Mas ainda tem os que não respeitam. A praia é um meio de lazer que Deus deu para todos curtirem. Fiz isso porque tenho medo de ficar pior”, ressaltou o proprietário.

A Secretaria de Segurança da Serra informou, por nota, que a Guarda Civil Municipal realiza rondas diárias e que atua em parceria com outros órgãos, como a Polícia Militar, no intuito de diminuir a criminalidade na região.

Em relação aos usuários de drogas que também estão em situação de rua, as equipes de abordagem da Assistência Social do município oferecem acolhimento, atendimentos psicológicos e encaminhamento para as famílias, quando esse é o caso.

Já a Polícia Militar ressaltou que o policiamento preventivo é realizado diuturnamente em todas regiões da Grande Vitória, inclusive em trechos de orlas das praias, além de abordagens que são realizadas constantemente.

Ainda segundo a PM, só é possível deter pessoas em flagrante delito e, caso algum banhista se sinta ameaçado ou presencie algum tipo de crime, acione imediatamente o Ciodes (190) para que uma viatura se encaminhe ao local.

Riscos para saúde mental e física

O uso de maconha oferece riscos à saúde física e mental para os usuários, alertam especialistas, que indicam que os perigos ligados ao uso do entorpecente são subestimados pelo público.

Menor capacidade de calcular tempo e espaço e prejuízos da memória são alguns efeitos.

“Com doses maiores pode levar a quadros psiquiátricos com delírios (falsas crenças) e alucinações. O comprometimento do sistema respiratório leva a quadros de bronquite, falta de ar, produção de catarro infectado e câncer”, explicou Valdir Campos, psiquiatra especializado em dependência química.

No entanto, o maior dano é a síndrome amotivacional, que é muito parecido com um quadro depressivo.

“A maconha é um desvirginador moral. A pessoa que usa a primeira vez tem acesso a alguém que vende essa droga, que, por sua vez, também comercializa outras, como o crack. Ela abre as portas para outras drogas”, alerta o psicanalista e doutor em dependentes químicos, Francisco Veloso.