Com voos cancelados em Orlando, capixaba relata os impactos do furacão Ian
Fenômeno deixou sem energia 1,8 milhão de pessoas nesta quarta-feira (28) e ameaça provocar outros danos nesta quinta (29), segundo o Centro Nacional
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Após 3 anos de espera, os amigos Renan Mendes, 26 anos e o engenheiro, Henrique Dettmann, 25, conseguiram viajar para Flórida, nos Estados Unidos. A viagem a passeio por Orlando começou no dia 20. Tudo transcorria conforme o planejado até um alerta sobre a passagem do Furacão Ian chegar nos celulares dos jovens e de todos os frequentadores dos parques de diversão da Flórida.
A passagem do furacão, que já havia deixado rastros por outros territórios, com ventos de até 250 km/h, começou como uma previsão e, no decorrer das horas, foi sendo confirmada pelo Centro de Meteorologia do país e forçou o fechamento dos aeroportos de Orlando, na manhã desta quarta-feira (28), causando o cancelamento de muitos de voos.
Renan, que é Influenciador Digital e mora em José de Anchieta, na Serra, e seu amigo, Henrique, retornariam ao Brasil nesta quarta, mas tivera o voo cancelado e precisaram mudar os planos. O jovem tem gravado vídeos em suas redes sociais contando a experiência.
“Nosso voo era às 14h, mas anunciaram que o aeroporto fecharia de nesta quarta-feira (28), às 10h30 até sexta-feira. Porém acho depois das 15h de ontem já não saiu mais nenhum voo comercial daqui. Agora eu e Henrique estamos preocupados porque não recebemos bons retornos da agência que compramos as passagens e nem da companhia área. Por isso precisamos pagar pelas diárias a mais aqui no hotel até domingo", relatou Renan.
“Começamos a sentir a mudança no tempo logo na manhã de quarta. Uma ventania muito forte e muita chuva. Logo cedo eu comecei a filmar o que conseguia aqui da janela do hotel. A noite o tempo mudou demais e posso até dizer que foi uma das experiências mais doidas que já aconteceu na minha vida. Como tivemos que ir em uma loja de conveniência para comprar mantimentos já que tivemos o voo cancelado, a gente precisou atravessar uma rua e foi terrível! A força do vento, eu nunca tinha visto nada igual. Além disso, tinham muitos galhos e coisas voando e a gente ficou com medo de nos machucarmos. A capa de chuva que eu coloquei voou. Tivemos que tentar fazer tudo correndo, mas até pra correr era complicado. As ruas desertas, muito estranho, muito difícil”, contou o influenciador.
Nesta quarta e quinta-feira, a rotina de passeios que os amigos haviam planejado ficou desorganizada: sem poder sair do hotel, com comida em estoque, malas prontas e acompanhando os alertas que chegam por noticiários, celulares, e pela TV do quarto do resort. Os protocolos devem durar ao menos até sexta-feira, após a passagem do furacão.
Apesar dos cuidados, Orlando ainda não faz parte das cidades com maior alerta em relação ao furacão. No entanto, a orientação das autoridades é que todos estoquem mantimentos. Mesmo hospedados em hotel, os jovens também precisaram estocar alimentos.
“Graças a Deus não ficamos sabendo de vítimas fatais, mas infelizmente muitos locais foram afetados com a tempestade, ventania e inundações. Inclusive, a área da piscina aqui do hotel ficou cheia de galhos e objetos que voaram pra dentro dela”.
Agora, os jovens estão tentando manter contato com a agência e a companhia área para conseguirem confirmar a viagem de retorno que está prevista para domingo (02).
"O clima é muito barulho, todo mundo meio aflito. Mas tudo organizado, sabe? A tensão nos corredores e arredores do resort é nítida, mas não chega a ser um "caos. O pessoal aqui tem um espírito de união e cooperação. Aqui o pessoal é muito respeitoso e há harmonia mesmo em meio a esta situação. Muita gente teve o voo cancelado e precisa se reorganizar. Então acho que estamos todos preocupados com a organização para os próximos dias, sabe?", observou o capixaba.
Sobre o Furacão Ian
O furacão Ian, que passou por Cuba, tocou o solo duas vezes na Flórida, depois de ganhar força e ter sido elevado nesta quarta-feira (28) à categoria 4, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) do país.
Esse é um dos furacões mais fortes a atingir os EUA em décadas, segundo o "New York Times". Os meteorologistas afirmaram que uma parte do estado deve observar uma onda de tempestade catastrófica, vento e inundações.
O furacão já deixou 1,1 milhão de pessoas sem energia na Flórida, 30 mil delas na região de Tampa. Só nesta quarta-feira as companhias aéreas cancelaram 1.712 voos com destino ou origem nos aeroportos de Orlando, Miami, Tampa e Fort Lauderdale, os principais do estado. Considerando os cancelamentos previstos para esta quinta (29), mais de 3.200 voos devem ser afetados.
O presidente dos EUA, Joe Biden, declarou emergência no estado e enviou recursos federais. A Casa Branca afirma ainda que dispôs 110 mil galões de combustível, 3,7 milhões de refeições, 3,5 milhões de litros de água e 300 ambulâncias para o resgate e a ajuda às vítimas.
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