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Capixabas pagavam 113 mil para entrada ilegal nos EUA

Agência de viagens do Estado enviava os imigrantes para a fronteira da Polícia Federal

Júlia Afonso e Rafael Gomes, jornal A Tribuna | 05/02/2022 13:27 h

Capixabas e mineiros pagavam até R$ 133 mil para entrar ilegalmente nos Estados Unidos através de uma agência localizada no Espírito Santo. 

muro que divide México e EUA: empresa tinha até orientações de como se vestir e se portar na fronteira (destaque)
muro que divide México e EUA: empresa tinha até orientações de como se vestir e se portar na fronteira (destaque) |  Foto: Polícia Federal/Divulgação
  

Os criminosos cobravam o valor para fazer a travessia ilegal das pessoas na fronteira do México com os EUA, segundo a Polícia Federal (PF), que deflagrou ontem uma operação para desarticular o esquema.

A Operação Cristo Rey envolveu policiais federais da Delegacia de São Mateus e contou com a parceria de policiais no Texas e  em Washington, nos Estados Unidos. 

Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, sendo um em Barra de São Francisco, no Noroeste do Estado, e outro na cidade de Central de Minas, em Minas Gerais.

A agência funcionava em Barra de São Francisco, onde atuava o homem apontado como o chefe do esquema. A empresa  trabalhava com pacotes de viagens normais e legais, mas vendia por fora a travessia ilegal.

“Maior parte do lucro vinha da atividade ilegal. Foram encontrados vários contratos de viagens. Eles chegavam a colocar o símbolo da PF e davam orientações aos clientes para enganar as autoridades mexicanas e americanas”, afirmou o  superintendente da PF no Estado, Eugênio Ricas.

Após oferecer o serviço e negociar com os clientes, até mesmo   pela internet, os criminosos enviavam as passagens e reservas de hotel, geralmente em Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihu-ahua.  A cidade faz fronteira com o Texas, nos EUA.

“Chegando no México, as pessoas ficavam em casas com estruturas precárias aguardando o momento de fazer a travessia, que é perigosa, envolvendo caminhadas por horas no deserto ou saltando de muros extremamente altos”, contou o delegado regional de combate ao crime organizado da PF, Ivo Roberto Costa da Silva.

Durante a travessia, muitos imigrantes acabam morrendo no deserto ou se machucando, sendo hospitalizados e deportados.

Estupros e Extorsão

A região de Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihuahua, por onde a travessia ilegal é feita, tem forte atuação de cartéis de droga. Esses cartéis, segundo a Polícia Federal, cobram uma espécie de taxa dos responsáveis pela travessia para que eles possam atuar na região. 

“Muitas vezes, quando esse valor não é pago, o cartel ‘cobra’ de outra forma, extorquindo e cometendo outros crimes”, explicou o delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Ivo Roberto Costa da Silva.

Por conta disso, a região acaba oferecendo diversos riscos para quem tenta a travessia ilegal.

“Mulheres são estupradas, crianças são sequestradas, pessoas morrem. É o sonho de viver nos Estados Unidos que acaba virando pesadelo para essas pessoas que buscam fazer a travessia ilegal”, afirmou o superintendente da Polícia Federal no Estado, Eugênio Ricas.

Entrega de passaporte

Proprietário da agência em Barra de São Francisco, o homem apontado como chefe do esquema teve que entregar seu passaporte aos policiais. Uma medida cautelar foi expedida para que ele pague uma fiança no valor de 50 salários mínimos (R$ 60.600) em 48 horas. No caso de descumprimento, será expedido mandado de prisão contra ele.

Os investigados podem responder por promoção de migração ilegal e associação criminosa, penas que chegam a 14 anos de prisão.

Como funcionava o esquema

Agência no Noroeste do Estado

Empresa

> A agência de turismo funciona no município de Barra de São Francisco, no Noroeste do Estado.

> A empresa vende pacotes de viagens normais e legais, mas oferecia por fora a travessia ilegal para os Estados Unidos, de onde vinha a maior parte da renda.

Valores e negociações

> Os criminosos ofereciam o serviço de travessia ilegal e negociavam diretamente na agência ou pela internet.

> Os interessados chegavam a pagar até R$ 133 mil pelo serviço.

> Os valores cobriam todo o processo de movimentação migratória, incluindo a confecção e retirada de passaporte, às vezes, falsos, além de hospedagem e passagens.

Viagem

> Após fechar o serviço, os criminosos enviavam as passagens e reservas de hotel, geralmente em Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihuahua. A cidade faz fronteira com o Texas, nos EUA.

> Os clientes tiravam uma foto no aeroporto ao embarcar e enviavam aos criminosos. Isso era feito para que eles fossem reconhecidos por pessoas que faziam parte do esquema, no México.

Travessia

> A travessia entre o México e EUA é feita pelo deserto, após horas de caminhada, ou passando por muros altos instalados na divisa.

Fonte: Polícia Federal

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