Capixaba fica preso na Bolívia devido a bloqueio na fronteira causado por protesto
Empresário diz que não consegue deixar Sucre desde maio e relata risco de multa, perda do carro e dificuldades com renovação de documentos
O capixaba e empresário Rafael Melo Darrouy, 40 anos, e a namorada, que preferiu não ser identificada, estão impossibilitados de sair da cidade de Sucre, na Bolívia, desde maio deste ano, em razão dos protestos que acontecem no país e já realizaram 81 bloqueios em rodovias do país.
De acordo com o turista, ele e a namorada saíram do Brasil em novembro de 2025 para realizar uma viagem em um Honda Fit pela América do Sul. Eles pasaram pela Argentina, Chile e chegaram na Bolívia no dia 26 de março, onde pretendiam ficar cerca de 40 dias.
Com o visto de turismo e o documento que permite que o veículo circule no país regularmente prestes a vencerem, Rafael conta que a situação é de incerteza e instabilidade, uma vez que já procurou as autoridas e não consegue um retorno positivo quanto a renovação dos documentos, tampouco para a possibilidade de uma saída da Bolívia.
"O meu visto vence no dia 24, o visto do meu carro, porque existe um documento de importação temporária, vence, também, no dia 24. E eu não consigo sair e eu também não consigo renovar o meu visto. Então, eu fui na imigração e disseram que não podem renovar o meu visto, que, se eu ficar, vou ser multado. Eu entrei em contato com o Itamaraty, para eles tentarem me ajudar, e eles emitiram uma carta para as autoridades bolivianas onde eles pedem que seja extendido o meu visto por uma questão humanitária", conta.
Segundo o capixaba, o cenário é de preocupação tendo em vista que, caso não consiga sair do país, ele pode perder o veículo, que pode ser considerado uma importação ilegal, além de ter que pagar multa por cada dia que ficar no país após o vencimento do visto de turismo, o que pode chegar a 33 bolivianos, o equivalente a R$ 30.
Ainda em meio a impossibilidade de sair do país, Rafael enfrenta outra angústia. Ele conta que, recentemente, perdeu o pai e, por conta do bloqueio, não conseguiu estar presente no velório. "E eu estou nesse imbróglio aqui, não há nada resolvido ainda, os bloqueios continuam. Para se ter uma ideia, o meu pai faleceu essa semana e eu não consegui sair daqui. Meu pai faleceu na terça-feira, foi enterrado na quarta, e eu não consegui sair daqui", afirmou.
Excassez de combustível
Os protestos foram motivados inicialmente por conta da má qualidade do combustível fornecido pelo governo. Em razão disso, a substância ficou excassa no país e o que restou, gera insegurança acerca do uso do combustível sem danos em automóveis.
Rafael conta que foi atingido pela escassez do combustível, o que o impede também de sair do país com o veículo. Ele afirmou que amigos relataram ter o carro quebrado após o uso da substância comercializada na Bolívia.
Passe humanitário
A Defensoria Pública de Sucre ofereceu uma possibilidade da saída do casal por meio de um passe humanitário. No entanto, o capixaba afirmou ter sido avisado pela dona da hospedagem em que ele está sobre os riscos desse tipo de saída, apontando que o marido dela teve o carro apedrejado durante a tentativa de passar por um desses bloqueios.
"Eles não vão me deixar passar. Deixam passar apenas questões de ambulância e essas coisas. E, se fizeram isso com o marido dela que é boliviano, imagina comigo que sou estrangeiro", pontua Rafael.
A reportagem procurou o Itamaraty em busca de um posicionamento sobre o caso do capixaba. Contudo, até a publicação da matéria, não houve retorno. O texto será atualizado quando o departamento se manifestar.
Manifestações
Apesar dos protestos terem começado em razão da má qualidade do combustível fornecido pelo governo, o movimentou acabou escalando para manifestações em massa e bloqueios das rodovias depois que uma lei sobre terras foi promulgada.
Camponeses do país acusam que a legislação favorece o agronegócio e acaba prejudicando os pequenos agricultores.
No 44º dia de protesto , diversas regiões do país já foram prejudicadas em razãos dos bloqueios que inviabilizam o abastecimento de combustível, alimentos e medicamentos.
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