Maioria dos acidentes afeta jovens e motociclistas
Dados da Polícia Científica revelam ainda que 44% dos condutores mortos em acidentes tinham ingerido álcool ou outras drogas
Jovens entre 18 e 34 anos e motociclistas seguem como o principal perfil das vítimas fatais de sinistros de trânsito no Espírito Santo. A constatação faz parte dos dados apresentados ontem pela Polícia Científica do Estado, durante o lançamento de dois painéis sobre mortes no trânsito, já disponíveis para consulta no site do órgão.
Os painéis foram desenvolvidos pela Seção de Perícia em Acidentes, Incêndios e Explosões (Sepaie), pelo Laboratório de Toxicologia Forense (Labtox) e pelo Grupo de Trabalho de Inteligência de Negócios (BI) da Polícia Científica.
Um deles, o Painel Pericial de Substâncias Psicoativas, já existia, mas foi repaginado e ampliado, passando a oferecer informações mais detalhadas sobre as vítimas, o tipo de veículo envolvido e a natureza do acidente.
A chefe do Laboratório de Toxicologia Forense, Mariana Dadalto, conta que a novidade revelou um dado preocupante: quase metade dos condutores mortos em sinistros de trânsito tinham consumido álcool ou outras drogas. Foram cerca de 44%.
“Além disso, na análise, podemos perceber uma diminuição no uso de álcool, mas um aumento no uso de drogas, principalmente maconha”, relata.
“Isso é algo que deve ser levado bastante em consideração porque hoje as políticas públicas focam muito no álcool, mas é preciso ampliar a informação de que dirigir sob efeito de drogas também pode causar acidentes”, afirmou.
Além do painel toxicológico, a Polícia Científica apresentou o Painel de Atendimento de Locais de Sinistro de Trânsito com Vítimas Fatais no Local, uma ferramenta inédita, que reúne dados georreferenciados dos atendimentos realizados pela perícia criminal em todo o Estado.
Segundo o perito oficial geral da Polícia Científica, Carlos Alberto Dal-cin, o objetivo é transformar dados periciais em conhecimento capaz de orientar ações preventivas.
Esse painel evidencia, por coordenadas georreferenciadas, os locais onde, de fato, o perito criminal está, dia a dia, atendendo os acidentes de trânsito.
“Nós sempre tivemos muito volume de atendimento, mas não tínhamos uma medição exata de onde isso estava acontecendo”, explicou Marcelo Brandão, chefe da Seção de Perícias em Acidentes, Incêndios e Explosões
Novos painéis
Os dois painéis foram criados para transformar informações produzidas pela Polícia Científica em dados acessíveis para gestores públicos, pesquisadores e para a população.
A principal finalidade é subsidiar a elaboração de políticas públicas mais eficazes para reduzir mortes e lesões graves no trânsito, com base em evidências científicas e dados periciais.
Painel Pericial de Substâncias Psicoativas
reúne os resultados dos exames toxicológicos realizados pela Polícia Científica de cerca de 75% vítimas fatais de sinistros de trânsito que aconteceram na Grande Vitória, Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina e Santa Teresa.
A ferramenta foi atualizada e passou a apresentar informações mais detalhadas, permitindo uma análise mais aprofundada do perfil das vítimas e da relação entre o uso de substâncias psicoativas e as mortes no trânsito.
Principais vítimas
De acordo com os dados atualizados, 41,6% das vítimas fatais submetidas a exames toxicológicos apresentaram resultado positivo para alguma substância psicoativa.
Entre os condutores que morreram em sinistros de trânsito, esse percentual sobe para 44%.
Em ambos os grupos, predominam homens, pessoas pardas e indivíduos na faixa etária entre 18 e 34 anos.
Em qual veículo estavam
As motocicletas aparecem como o principal veículo associado às mortes, seguidas pelos automóveis. Entre os tipos de ocorrência, as colisões lideram os registros.
Substâncias psicoativas
O álcool continua sendo a principal substância identificada nas análises toxicológicas, presente em 32% dos casos positivos.
Em seguida aparecem a cocaína, com 11,3%, os canabinoides, com 10,7%, e as anfetaminas, com 0,7%.
Isolado e combinado
Os dados também revelam que o consumo isolado de uma única substância foi identificado em 31% dos casos, sendo o álcool a droga mais frequente nesse grupo.
Já o uso combinado de substâncias apareceu em cerca de 8% das ocorrências, com destaque para a associação entre cocaína e álcool, a combinação mais encontrada.
Painel de atendimento de locais de sinistro de trânsito com vítimas fatais no local
O novo painel contém dados sobre os atendimentos da perícia oficial criminal a sinistros de trânsito com vítimas fatais no local, ou seja, situações onde houve uma ou mais mortes fatais.
As informações incluem atendimentos por município, regionais da perícia, dia da semana e um mapa com a geolocalização dos sinistros.
De acordo com o painel, foram contabilizados, em 2025, pelo menos 432 atendimentos periciais em sinistros de trânsito com vítima fatal no local.
Desses, 117 casos (27%) ocorreram na Região Metropolitana; enquanto 315 (73%) foram registrados em municípios do interior do Estado.
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