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Capacete é utilizado em tratamento contra o câncer no cérebro

| 16/08/2021 15:04 h | Atualizado em 16/08/2021, 15:14

De forma esperançosa, a ciência dá mais um passo rumo à inovação no tratamento de pacientes com câncer. Pesquisadores do Instituto Neurológico Metodista de Houston (EUA), testaram, pela primeira vez, em um homem de 53 anos, um dispositivo que reduziu em 31% um tumor no cérebro em fase terminal.

O instrumento, similar a um capacete, foi utilizado por cinco semanas, em sessões que variam de duas a seis horas por dia.

Acredita-se que tenha sido gerado um campo magnético na cabeça do paciente que atacou as células cancerígenas.

Dispositivo foi utilizado por cinco semanas e reduziu em 31% o tamanho do tumor de um paciente em estado terminal da doença
Dispositivo foi utilizado por cinco semanas e reduziu em 31% o tamanho do tumor de um paciente em estado terminal da doença |  Foto: Divulgação
A boa notícia, no entanto, é o começo de uma série de testes clínicos que serão realizados para verificar mais a fundo a eficácia e segurança do dispositivo, segundo especialistas.

O oncologista Wesley Vargas Moura diz que o experimento abre novos caminhos, embora seja cedo para resultados mais conclusivos. “Isso é um embrião de uma coisa que pode ser promissora”.

Segundo o médico, o mecanismo do instrumento tem efeitos ainda pouco conhecidos. Além disso, para ele, a possibilidade de o tratamento inovador servir para apenas alguns tipos de pacientes deve ser avaliada.

Por outro lado, ao que tudo indica, de acordo com a oncologista Kítia Perciano, o resultado do uso do dispositivo surpreendeu até mesmo os pesquisadores. “Foge de tudo o que é convencional e existe no tratamento oncológico. Agora é ver os resultados de mais testes em humanos. Se forem positivos, será algo muito interessante”, conta.

Ela destaca ainda a necessidade de avaliar a eficácia em pacientes com quadros de saúde diversos, tendo em vista que o tumor do participante do estudo, do tipo glioblastoma, é muito agressivo e o paciente tem uma baixa expectativa de vida.

“O estudo foi feito em um paciente que não tinha mais opção de tratamento”, explica.

Já para a oncologista Juliana Alvarenga, se os efeitos positivos do capacete forem comprovados, o benefício para o paciente será muito grande. “O melhor dos dois mundos”, comentou.

Isso em razão dos efeitos colaterais dos tratamentos utilizados — cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Como funciona o capacete

Aparelho tem 3 ímãs conectados

O que é o dispositivo?

Consiste em um capacete que possui três ímãs conectados a uma bateria recarregável. O equipamento gera um campo eletromagnético na cabeça do paciente que está usando com o objetivo de reduzir o tamanho de tumores malignos cerebrais.

Foi usado com qual finalidade?

Pesquisadores do Instituto Neurológico Metodista de Houston (EUA) utilizaram o dispositivo em um paciente terminal de câncer (glioblastoma), que já tinha tentado outros tratamentos. Para ampliar o estudo, solicitaram à Food and Drug Administration (FDA) liberação para realização de testes em mais pacientes, o que foi aprovado.

Quais foram os resultados?

Sabe-se que, após cinco semanas, o tumor do paciente reduziu um terço do tamanho. Mas ele acabou morrendo três meses depois do início do experimento. Existem poucas informações sobre os efeitos das ondas emitidas pelo capacete no cérebro. O teste em mais pessoas pode trazer resultados mais completos.

Cirurgia para retirar tumor

De um dia para o outro, o portuário Walci Fagundes, 52 anos, passou a ter sintomas estranhos: a fala ficou embolada, ele tinha perda de memória e sentia-se tonto.

A mulher, a técnica em hospedagem Elizabeth Francisco, de 46 anos, acreditou que ele estava tendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC), levou-o ao hospital e um tumor no cérebro foi descoberto.

“Percebi que Walci não estava bem: ele começou a ficar com a fala embolada, estava sonolento, com falta de atenção, e só queria dormir. Levei-o ao hospital e descobrimos um tumor do tamanho de uma laranja”, contou Elizabeth.

O procedimento para retirada do tumor, realizado em maio deste ano, foi bem-sucedido. Hoje, Walci faz tratamento no Instituto de Radioterapia Vitória (IRV). Além disso, passa por quimioterapia.

“Estou me sentindo bem. Nem parece que tenho 19 pontos na cabeça. É um milagre”, disse Walci.

O radio-oncologista do IRV Carlos Rebello explica que o tipo de tumor que Walci teve foi extremamente agressivo, um astrocitoma de alto grau. “Esse tipo de câncer, quando apresenta sintoma, é porque está afetando alguma função cerebral”.

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