Bariátrica ou canetas? Médicos explicam tipos de tratamentos para emagrecer
Uso de medicações, como as canetas antiobesidade, ou cirurgia bariátrica foi tema de debate médico realizado em Vitória
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Com mais de 22 milhões de brasileiros vivendo com sobrepeso e obesidade, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) de 2025, do Ministério da Saúde, um dos desafios é tratar essa população e evitar, além da obesidade, outras doenças associadas como as cardiovasculares, diabetes tipo 2, apneia do sono e mais de 13 tipos de câncer.
Hoje, entre os tratamentos indicados para esse público estão as canetas antiobesidade e as cirurgias bariátricas. Mas quando cada uma deve ser indicada? E qual seria a melhor para a perda de peso?
Debate
O tema foi debatido durante o 61º Congresso Médico Estadual da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), realizado nos dias 8 e 9 de maio, em Vitória, com foco em inovação e os impactos das novas tecnologias na medicina.
A endocrinologista Luiza Giuri Palaoro explica que os medicamentos análogos de GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) representam um avanço importante no tratamento da perda de peso, com até 20% de perda de peso, mas ainda têm limitações em pacientes com obesidade mais grave.
“Os dados de cirurgia bariátrica são superiores em quantidade de perda de peso. No primeiro ano de cirurgia, o paciente atinge de 30 a 40% do excesso. As medicações ficam em torno de 20%. Se o paciente tem obesidade grave, é importante ponderar se não seria melhor para ele a cirurgia bariátrica”, explicou.
Para o cirurgião bariátrico Paulo Henrique Souza, as medicações vieram para “revolucionar e para somar” o tratamento da obesidade. “Não é uma disputa, mas uma soma. Quem ganha sempre é o paciente, que tem mais uma alternativa de tratamento”.
Mas a cirurgia, segundo o médico, ainda tem espaço muito importante nos casos de pacientes que não têm acesso à medicação, ou que já tiveram mas sem um bom resultado, e em casos de obesidade grave.
A psiquiatra Letícia Mameri, vice-presidente da Ames, destacou ainda que o impacto da obesidade vai além da balança.
“A obesidade não é apenas o peso elevado, ela é uma inflamação orgânica no corpo, que ocorre a nível cerebral, podendo desencadear, manter e piorar praticamente todos os quadros psiquiátricos.”
Acompanhamento com médico após perda de peso
Perder peso é apenas uma etapa do tratamento da obesidade. O desafio maior, segundo especialistas, é manter os resultados em longo prazo. Durante debate no 61º Congresso Médico Estadual da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), médicos alertaram que tanto pacientes que usam as canetas antiobesidade quanto aqueles que passam pela cirurgia bariátrica podem voltar a ganhar peso se não mantiverem acompanhamento contínuo.
A endocrinologista Luiza Giuri Palaoro explica que, no caso das medicações da classe dos análogos de GLP-1, o reganho costuma acontecer principalmente quando o tratamento é interrompido.
“O que temos de dados é que o reganho de peso está associado à suspensão da medicação. Hoje não pensamos no tratamento de obesidade em curto prazo, mas de uma vida inteira.”
Segundo ela, pesquisadores ainda estudam se, após atingir o peso ideal, será possível reduzir doses ou espaçar as aplicações sem comprometer os resultados.
Já na cirurgia bariátrica, de acordo com o cirurgião bariátrico Paulo Henrique Souza, pacientes que deixam de fazer acompanhamento com nutricionista, educador físico, psicólogo e equipe médica têm maior risco de recuperar parte do peso perdido. “O tratamento tem de ser multidisciplinar”.
Hormônio produzido no intestino
Canetas antiobesidade
são medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Elas pertencem, principalmente, à classe dos análogos ou agonistas de GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino e que atua no controle da fome e da saciedade.
Entre os medicamentos mais conhecidos estão: Ozempic, Wegovy e Mounjaro – medicamento mais recente, que atua em dois hormônios e tem mostrado resultados ainda mais expressivos na perda de peso.
Esses medicamentos podem gerar perda de aproximadamente 15% a 20% do peso corporal.
Os remédios costumam ser indicados para pacientes com obesidade ou sobrepeso associado a doenças como diabetes, hipertensão, colesterol alto e apneia do sono. Podem ser uma alternativa para pessoas que apresentam risco cirúrgico elevado ou ainda não precisam de um procedimento cirúrgico.
Cirurgias bariátricas
costuma ser mais indicada para pacientes com IMC muito elevado ou com doenças associadas mais severas. Nos primeiros 12 meses após a cirurgia, a perda de peso pode chegar a 30% a 40%.
Além disso, existem estudos que acompanham pacientes por mais de 10 anos e mostram manutenção de perda de peso entre 25% e 30%.
Fonte: Especialistas consultados.
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