Como funcionam os novos radares que calculam velocidade média na BR-101
Ferramenta que calcula a velocidade média dos veículos foi instalada em 5 equipamentos já existentes em mais de 20 km da rodovia
Um trecho da BR-101, entre os quilômetros 102 e 125, na região da Reserva Biológica de Sooretama, já conta com um sistema que calcula a velocidade média dos veículos. A ferramenta, instalada pela Ecovias Capixaba em cinco radares já existentes na rodovia, permite identificar motoristas que excedem os limites de velocidade ao longo do percurso – e não apenas no momento que passa pelo radar.
Por não ter regulamentação no País, o radar de velocidade média não aplica multas, mas já é testado em ações educativas em parceria com a Polícia Rodoviária Federal.
“Cinco radares receberam um software capaz de cruzar as informações coletadas em diferentes pontos da BR-101”, explicou coordenador de Tráfego da Ecovias Capixaba, Carlos Eduardo Diniz.
O sistema, segundo ele, registra o horário em que o veículo passa pelo primeiro radar e compara com o momento em que ele é identificado por um segundo equipamento. Com base na distância entre os dois pontos e no tempo gasto no trajeto, calcula automaticamente a velocidade média desenvolvida pelo motorista.
A tecnologia permite ainda identificar situações em que o condutor reduz a velocidade apenas ao se aproximar de um radar e volta a acelerar logo depois. Conhecida popularmente como “efeito canguru”, essa prática pode fazer com que o motorista passe dentro do limite em todos os radares convencionais, mas ainda assim apresente velocidade média acima da permitida ao longo do percurso.
Um dos casos foi de um condutor flagrado com velocidade média de 124 km/h, sem ter passado nenhum radar acima do limite.
Apesar da capacidade de monitoramento, os dados não resultam em multas. Isso porque a fiscalização por velocidade média ainda não é regulamentada pela legislação brasileira. “O sistema é utilizado em caráter educativo. Hoje não existe previsão legal para autuação por velocidade média no Brasil”.
A primeira ação com uso da ferramenta ocorreu em 26 de maio, na campanha Maio Amarelo. Em parceria com a PRF, a concessionária monitorou veículos com velocidade média acima dos 60 km/h permitidos no trecho. Os motoristas identificados foram abordados pela PRF e orientados sobre os riscos do excesso de velocidade.
Tire suas dúvidas
1. Como o sistema calcula a velocidade média?
Os equipamentos instalados na BR-101 funcionam como radares convencionais, mas receberam um software capaz de comparar o tempo gasto por um veículo para percorrer de um trecho a outro da rodovia.
Na prática, o sistema registra o horário em que o veículo passa pelo primeiro radar e, depois, o momento em que ele cruza um segundo ponto de monitoramento.
Com base na distância entre equipamentos e no tempo percorrido, calcula-se a velocidade média do trajeto.
2. São novos radares?
Na verdade, não. Segundo a Ecovias Capixaba, nenhum equipamento novo foi instalado na rodovia. O que mudou foi a inclusão de um software em cinco radares que já existiam no trecho entre os quilômetros 102 e 125 da BR-101, na reserva de Sooretama.
A tecnologia permite cruzar informações coletadas pelos radares e verificar a velocidade média.
3. O sistema monitora todos os veículos?
Sim. Os radares já fazem a leitura automática de todas as placas e dos dados de passagem dos veículos, de forma automática.
4. Por que usar a velocidade média?
A proposta é identificar comportamentos e motoristas que reduzem a velocidade apenas ao passar pelo radar e voltam a acelerar logo em seguida — prática conhecida como “efeito canguru”.
Como o cálculo considera todo o trajeto entre dois pontos, o sistema consegue apontar quando houve excesso de velocidade ao longo do percurso, mesmo que o condutor tenha respeitado o limite exatamente no local onde está instalado o radar.
5. Há multa para quem excede a velocidade média?
Não. A legislação brasileira ainda tem regulamentado e não prevê a fiscalização por velocidade média para aplicação de multas.
Por isso, os dados gerados pelo sistema não resultam em autuações e são utilizados apenas em ações educativas realizadas em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
6. Como os dados são usados hoje?
A primeira operação ocorreu em 26 de maio, durante a campanha Maio Amarelo.
Na ocasião, a concessionária e a PRF utilizaram as informações fornecidas pelo software para identificar veículos que apresentavam velocidade média acima do limite de 60 km/h no trecho monitorado.
Os motoristas foram abordados mais à frente e orientados sobre os riscos do excesso de velocidade, mas não receberam multas com base nesse cálculo.
7. Por que o trecho da Reserva de Sooretama foi escolhido?
A região foi selecionada por fazer parte do Programa de Redução de Acidentes da concessionária e por registrar histórico de ocorrências graves.
Além disso, a área integra a Reserva de Sooretama, onde há intensa movimentação de animais silvestres atravessando a rodovia, o que aumenta a necessidade de controle da velocidade e de conscientização dos condutores.
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