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Após vencer o câncer duas vezes, jovem precisa de um novo coração

| 01/10/2020 15:19 h | Atualizado em 01/10/2020, 15:48

A jovem Taiana Matos já venceu o câncer aos 8 e aos 12 anos de idade e agora, aos 28, precisa de um novo coração para começar vida nova. Isso porque, após os tratamentos de quimioterapia, ela desenvolveu uma insuficiência cardíaca, e precisou implantar um desfibrilador no peito.

“Pelos meus filhos, quero viver. Por isso, preciso de um novo coração”, disse Taiana, mãe de Eduardo, de 10 anos, e Helena, de 10 meses.

Taiana Matos com os filhos Eduardo e Helena. Moradora de Guarapari, ela está na fila do transplante há dois anos
Taiana Matos com os filhos Eduardo e Helena. Moradora de Guarapari, ela está na fila do transplante há dois anos |  Foto: Roberta Bourguignon
Desde o último tratamento do câncer – uma leucemia –, Taiana foi diagnosticada com cardiomiopatia dilatada, doença que reduziu a capacidade do coração de bombear sangue.

Com isso, sua fração de ejeção, que é a porcentagem de sangue do ventrículo esquerdo ejetado a cada batimento cardíaco, é bem menor que o normal, e hoje está em 28%.

Por isso, a jovem, que é moradora de Guarapari, está na fila do transplante à espera de um novo coração.

“Eu passei a vida inteira cuidando desse coração e agora preciso trocar para continuar vivendo e ganhar uma nova vida. Na minha vida, tudo é devagar, porque meu coração está fraco. Minha fração de ejeção, que é quantidade de sangue que o coração consegue bombear para o restante do corpo é de apenas 28%. Até mesmo andar e falar me cansam muito”, comentou.

Quando Taiana entrou na fila de transplante há dois anos, ocupava a posição 92. Hoje ela não sabe ao certo qual sua colocação, mas decidiu embarcar para São Paulo em busca de morar bem perto do Hospital Municipal Vila Santa Catarina, administrado pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, à espera do coração.

“A ficha do transplante demora cair. Eu entrei na fila há dois anos, e eu era número 92. Imaginava que sairia da fila, mas a doença só evolui e, na verdade, tive que ir subindo na fila.

Em dois anos, de dois em dois meses, estive em São Paulo. Como agora estou pior, tenho que ficar pertinho do hospital com a esperança de receber o novo coração”, explica a jovem.

Os corações doados devem ser transplantados dentro de 4 a 6 horas, e morando em Guarapari, não seria possível chegar ao hospital em tempo hábil.

“Estou em busca de uma nova vida”, Taiana matos jovem com problema cardíaco

Taiana Matos tem dois filhos: Eduardo, de 10 anos, e Helena, de 10 meses. Para ela, receber um coração significa ganhar uma nova vida para cuidar das crianças, que ela mal pode dar colo ou um simples banho.

A tribuna – Como é cuidar dos filhos estando em um estágio tão grave da doença?
Taiana Matos – Minha gestação foi de risco. Não saí da cama. Meu parto foi com sete meses. Minha filha ficou dois meses na UTI neonatal. Agora tivemos que nos mudar para a casa da minha mãe para receber a ajuda dela.

Quando chega na fase de procurar ajuda, é a hora de trocar o coração. Pelos meus filhos, preciso de um novo coração.

Taiana teve gestação de risco
Taiana teve gestação de risco |  Foto: Acervo Pessoal
A tribuna – Quando descobriu que precisa de um novo coração?
Taiana Matos – Há cinco, seis anos, meu médico iniciou comigo o assunto de que eu teria que receber um novo coração. Devido a minha insuficiência cardíaca, já passei por vários medicamentos. Inclusive, a cada vez que surge uma medicação nova, eu entro no tratamento.

Em 2017, tive parada cardiorrespiratória, por conta de uma H1N1, e fui parar na UTI. O coração parou. Foi quando eu coloquei o desfibrilador.

A tribuna – E como o desfibrilador funciona?
Taiana Matos – Esse desfibrilador libera uns choques elétricos sempre que o coração deixa de bater no seu ritmo normal. É tudo muito delicado. Além disso, tomo vários medicamentos. Uns diminuem risco de mortalidade, outro baixa a frequência cardíaca.

A tribuna – Sua esperança está no novo coração?
Taiana Matos – Já passei por várias internações. No início de setembro, fiquei internada e entrei na droga vasoativa, que é a cartada pré-transplante para dar uma força para o coração. Se não fosse essa medicação, hoje não estaria nem falando e andando.

Eu passei a vida inteira cuidando desse coração, e agora preciso trocar para continuar vivendo. Estou em busca de uma nova vida.

Cirurgia tem de ser de forma rápida

O transplante de que a jovem Taiana Matos, 28 anos, precisa consiste na substituição do coração por outro. Trata-se de uma cirurgia complexa, que necessita ser feita com uma equipe médica especializada.

O anestesiologia Rogério Zanon esclarece que o órgão vem de um indivíduo que esteja com morte cerebral e precisa ser compatível com o paciente que tem um problema cardíaco potencialmente fatal.

A cirurgia precisa acontecer o mais rápido possível porque o órgão doado é delicado.

“O peito do paciente é aberto, e uma máquina é ligada de coração e pulmão que durante a cirurgia vai bombeando o sangue. É feita a remoção do coração fraco, e substituído pelo coração novo”, explicou o médico.

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