Aos 94 anos, Dona Lilia faz a primeira tatuagem: "Uma injeção dói muito mais"
A pensionista escolheu a imagem do Divino Pai Eterno para deixar registrada sua fé. Fotos já são sucesso na internet
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Aos 94 anos, a pensionista Lilia da Conceição Ferreira, carinhosamente chamada de Dona Lilia, mostrou que a vida sempre pode reservar novas conquistas. No dia 8 de janeiro deste ano, com coragem e entusiasmo, ela decidiu fazer sua primeira tatuagem.
O desenho escolhido foi o Divino Pai Eterno, carregado de fé e simbolismo pessoal. As imagens foram publicadas pela tatuadora Sabrina Sbardelotti e rapidamente encantaram internautas.
Segundo a profissional, Dona Lilia realizou o procedimento com muita alegria e entusiasmo. “Decidi compartilhar a história dessa cliente incrível de 94 anos no meu Instagram @sabrinart.tattoo porque ela representa tudo o que eu acredito: que o desejo de se expressar e a coragem de mudar não têm data de validade. A repercussão tem sido emocionante. Ver como a coragem dela tocou tantas pessoas positivamente”.
Na hora do procedimento, Dona Lilia estava acompanhada da neta, a professora de educação infantil e ensino fundamental Camily Frassi, de 23 anos, que deu todo apoio e motivação à avó. As duas saíram de Guarapari com destino à Mata da Praia, em Vitória, para fazer a tatuagem.
A neta contou que o desejo foi despertado depois que a avó viu uma tatuagem que ela havia feito no dia 18 de dezembro do ano passado. “Ela ficou animada assim porque a minha é um selo com o Convento da Penha, então já pensou logo no simbolismo religioso que ela acredita”, contou Camily.
Ao lado da avó, ela descreveu a experiência: “Foi muito especial para a gente. Estamos acostumados a ver mulheres da idade dela com uma característica muito forte de se doar pelos outros”.
Segundo ela, a avó sempre foi assim: a vida inteira dedicada à família. “Agora, poder vê-la tomando decisões por ela mesma, expressando suas vontades, se posicionando e dizendo com firmeza ‘é isso que eu quero’, é muito inspirador”.
Para Camily, essa história deixa uma lição importante: idade não é barreira para nada. “Sempre há tempo para viver coisas novas. Ela sempre foi um exemplo de vida e, agora, está mostrando para mais pessoas como é possível viver de forma leve, segura e feliz. Tem sido muito bonito de ver”.
“Uma injeção dói muito mais. Fiquei até surpresa”
A Tribuna — Como surgiu a ideia da tatuagem?
Lilia da Conceição Ferreira (Dona Lilia) — Eu nunca tinha pensado em fazer uma tatuagem. Foi algo que aconteceu de repente, um estalo mesmo. Vi no braço da minha neta (em dezembro de 2025) e falei: 'Quero fazer também'.
Na hora até fiquei em dúvida, porque não sabia se ia doer, mas resolvi tentar e não me arrependi.
Por que escolheu o Divino Pai Eterno?
Escolhi por causa da minha fé. Eu tive um problema de saúde, apareceu uma coisa estranha na minha barriga, e eu fiquei muito aflita. Rezei, pedi ao Pai Eterno, e um dia, quando fui ver, simplesmente tinha desaparecido. Nunca mais senti nada. Aquilo me marcou muito, então decidi fazer a tatuagem para carregar Ele comigo. Tenho a imagem em casa e quis trazer isso para o meu braço também.
Sentiu dor durante o procedimento?
Eu tinha medo, mas não senti dor nenhuma. Para mim, uma injeção dói muito mais. Fiquei até surpresa com isso.
Como foi o momento da tatuagem?
Foi muito tranquilo. Fiquei deitada, quietinha, só esperando para ver como ia ficar. A tatuadora pediu para eu não me mexer e eu fiquei bem calma. Deu até um soninho. Quando percebi, já tinha acabado.
O procedimento demorou cerca de 40 minutos. Eu achei rápido, porque imaginava que levaria muito mais tempo. A tatuadora foi muito atenciosa, conversava comigo, perguntava se estava tudo bem. Gostei muito do atendimento.
O que achou do resultado?
Fiquei muito feliz, satisfeita mesmo. A tatuagem ficou bonita e, para mim, tem um significado muito especial. Estou contente de ter feito.
Como a família reagiu?
Eles se surpreenderam, acharam curioso, mas levaram com leveza. Ninguém criticou, foi mais uma reação de surpresa e até de brincadeira.
Que mensagem deixa para outras pessoas que têm vontade de realizar um sonho e estão adiando?
Eu acho que, se a pessoa tem vontade de fazer alguma coisa, tem que fazer. A gente não sabe o dia de amanhã. Enquanto está viva, tem que aproveitar e realizar o que deseja.
Pretende fazer outra tatuagem?
Não tenho vontade de fazer outra. Essa já é suficiente para mim. Ela representa minha fé e tudo o que vivi, então já me sinto completa com essa.
Deseja fazer algo mais, realizar algum sonho?
Não. Só peço a Deus que me dê saúde para viver o resto da minha vida — até quando Ele quiser —, mas com saúde, ao lado da minha família.
Idosos
Coragem e lucidez
“Viver essa experiência foi desconstruir qualquer preconceito sobre idade e tatuagem. Ela me provou que o corpo é o nosso diário e que nunca é tarde para realizar um desejo ou reafirmar uma convicção. Foi inspirador ver a coragem e a lucidez dela ao decidir que aquele era o momento certo para aquela homenagem religiosa.
Tem sido cada vez mais comum atender pessoas idosas. Já tatuei uma senhora de 63 anos, um senhor de 65, outra de 75, entre outros. E, na maioria das vezes, os desenhos estão ligados a homenagens especiais — seja a alguém que amam, a alguém que já partiu ou à fé que carregam na alma.”
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