Número de jovens diminui e Estado já tem 700 mil idosos
Aumento da expectativa de vida ajuda a entender o avanço dos mais velhos. Já os jovens perdem espaço com a queda da fecundidade
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Seguindo um cenário que vem se desenhando nos últimos anos, a pirâmide etária do Espírito Santo – e do Brasil – está se invertendo. Enquanto o número de jovens vem encolhendo, o Estado já soma cerca de 700 mil moradores com mais de 60 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As informações integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que apontou que, em 2012, 48,6% da população tinha menos de 30 anos de idade. Em 2025, esse grupo passou a representar 41%.
Em termos absolutos, a redução foi de 120 mil pessoas nessa faixa etária da população, que passou de 1,8 milhão em 2012 para 1,69 milhão em 2025.
No sentido contrário, os idosos cresceram 6,6 pontos percentuais, passando de 10,9% da população em 2012 para 17,5% em 2025. Com isso, o número de pessoas com mais de 60 anos passou de 405 mil para 721 mil.
Segundo o IBGE, o País registrou uma elevação na expectativa de vida, o que ajuda a entender o avanço dos mais velhos. Ao mesmo tempo, os mais jovens perdem espaço com a redução da fecundidade.
Para a médica geriatra e professora da Multivix, Daniela Gonçalves Barbieri, o envelhecimento populacional é um movimento observado em todo o mundo, mas ocorre de forma acelerada em países em desenvolvimento, como o Brasil.
Ela enfatizou que o sistema de saúde precisa se ajustar, porque pessoas mais velhas têm mais doenças, usam mais medicamentos e têm maior risco de internações. “Isso exige não somente mais recursos, mas profissionais preparados para atender essa população”, alertou.
Na avaliação do geriatra e professor da Ufes, Roni Chaim Mukamal, o envelhecimento da população já era previsto pelos especialistas, mas a velocidade com que isso vem acontecendo no Brasil chamou a atenção.
“Diferentemente de países europeus, que primeiro enriqueceram para depois envelhecer, o Brasil ainda enfrenta muitos problemas sociais. Ao mesmo tempo, vê sua população envelhecer rapidamente”, observou.
Segundo ele, a transformação demográfica impõe desafios em diferentes áreas.
Na saúde, Mukamal afirmou que o modelo atual não está preparado para lidar com uma população mais idosa, marcada por doenças crônicas e necessidade de acompanhamento contínuo.
O especialista também apontou impactos sobre a previdência, a acessibilidade, a mobilidade urbana e a segurança.
Você sabia?
A população brasileira cresceu 0,4% entre 2024 e 2025, chegando a 212,7 milhões de pessoas. Desde 2013, há a desaceleração no crescimento anual de habitantes do País: ficou em 0,8% de 2013 a 2015, oscilou entre 0,7% e 0,6% de 2016 a 2020, e vem se mantendo em 0,4% desde 2021.
Exercício para envelhecer bem
Com a população idosa aumentando no Estado, a busca por envelhecer bem tem crescido também. As aposentadas Alcenidia Santos Alencar, de 70 anos, e Cassia Maria Ribeiro Menezes, de 63, que também trabalha como professora, não abrem mão da hidroginástica na Academia Razões do Corpo.
Para elas, desde que começaram com a atividade física, a disposição melhorou muito.
“Quero envelhecer com qualidade de vida, principalmente para continuar viajando. Além de hidro, faço bicicleta em casa, alongamento e circuito. Também iniciei aulas de coral”, contou Cassia.
Já a servidora pública Maria Aparecida Matias, de 57 anos, ainda não chegou aos 60, mas já busca mais saúde. “Estou me preparando. Por muito tempo, cuidei de muitos e esqueci de mim. A atividade física está me fazendo muito bem”, celebrou.
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