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Aos 78 anos, professora aposentada entra na faculdade

| 01/03/2021 15:21 h | Atualizado em 01/03/2021, 16:27

Sonhar em realizar e conquistar diversos objetivos na vida é próprio da juventude, mas será que os sonhos estão restritos somente a esta fase da vida? Se você está na terceira idade ou numa fase mais madura da vida e acha que está muito tarde para realizar seus desejos, pode estar enganado.

Sonhos profissionais, amorosos ou aventureiros podem, sim, ser vividos em qualquer fase da vida. Ir atrás deles, inclusive, contribui para dar novos sentidos e alegrias à existência humana.

A idade também não é empecilho para ingressar em uma universidade. A aposentada Marly Borges Pereira, de 78 anos, é uma prova que estudar, inclusive na terceira idade, faz bem.

Marly Borges Pereira, aposentada,  está fazendo o curso de Fonoaudiologia: “A faculdade tem sido muito boa para mim. A minha memória ficou mais ativa. Eu tenho me sentido melhor”
Marly Borges Pereira, aposentada, está fazendo o curso de Fonoaudiologia: “A faculdade tem sido muito boa para mim. A minha memória ficou mais ativa. Eu tenho me sentido melhor” |  Foto: Kadidja Fernandes/AT

O sonho de cursar uma graduação a acompanhava desde a juventude, mas, segundo ela, na época não foi possível realizá-lo. Dona Marly era professora primária e fez o antigo Magistério. Hoje, cursa Fonoaudiologia na Universidade de Vila Velha (UVV).

A graduação veio como uma terapia, de acordo com ela, após passar por problemas pessoais e enfrentar uma depressão, assim como a escolha do curso.

“Tem sido muito bom para mim. A minha memória ficou mais ativa. Eu mesma me senti bem. Acabaram as patologias que sentia. Melhorei muito. Meu médico disse que foi a melhor coisa que fiz”.

Quanto aos colegas de sala, dona Marly é só elogios. “Fui muito bem recebida e acolhida na faculdade. Os outros alunos até diziam que eu servia de exemplo para eles. Muitos tiravam foto e mandavam para as mães. Uma alegria”, conta.

A idade também não foi motivo para receber privilégios, de acordo com ela. “Não tenho um curso diferenciado. Os professores me atendem como se eu tivesse a mesma idade dos demais”.

Com a pandemia, a aposentada teve de fazer matérias onlines e para concluir a graduação faltam apenas os períodos de estágio. Se para muitos estudar a distância tem sido um desafio, dona Marly conta que tirou de letra.

“Não foi difícil e eu gostei demais. Tanto que agora estou fazendo curso de francês online. Já tinha feito inglês, francês e latim na época que fazia o colegial, mas parei. Eu gosto muito de francês e agora estou me aperfeiçoando”.

A aposentada ingressou na faculdade aos 65 anos, mas, por problemas pessoais, precisou trancar o curso algumas vezes e reduzir a quantidade de matérias por semestre.

Apesar de todos os contratempos, Marly não desanima e planeja em breve conquistar seu diploma. “Quero dar palestras”.

A administradora e especialista em Gestão de Pessoas Meyriany Pereira destaca que buscar conhecimento, independente da idade, além da realização pessoal, permite manter a mente sempre ativa.

“Existem organizações que têm evoluído nos processos de seleção para contratação de profissionais seniores. Isso traz uma possibilidade criativa entre gerações: a energia dos jovens e a sabedoria dos experientes”.

Casamento

Amor a qualquer tempo

O casal de aposentados Helena Sathler de Aguiar, 79 anos, e Antonio Francisco de Cristo, 78, se encontraram aos 70 anos
O casal de aposentados Helena Sathler de Aguiar, 79 anos, e Antonio Francisco de Cristo, 78, se encontraram aos 70 anos |  Foto: Acervo pessoal
Nem mesmo para o amor, a idade é um impedimento. A prova disso são os aposentados Helena Sathler de Aguiar, 79 anos, e Antonio Francisco de Cristo, 78, que se encontraram aos 70 anos. Na época, os dois eram viúvos. Eles se conheceram em novembro de 2012 e em abril de 2013 se casaram.

“Eu sempre falava, quando alguém me perguntava se casaria de novo: se Deus me der um companheiro, eu caso. Ter um companheiro é tudo de bom. Eu fiquei 10 anos viúva e ele dois anos, e foi muito difícil. Temos os pés no chão e sabíamos o que queríamos”.

Atividades têm impacto na saúde física e mental

Muitas atividades, como estudar, praticar um esporte ou até o voluntariado, têm impacto na saúde física e mental.

A geriatra Fernanda Damiani lembra que atividades cognitivas como leitura ou estudo estimulam o cérebro a estar sempre ativo.

“Associados à atividade física regular, elas têm um impacto positivo na saúde física e mental, uma vez que estimulam a liberação de hormônios importantes para a sensação de bem-estar, e reduzem os radicais livres que são responsáveis pelo envelhecimento”.

A médica explica ainda que os exercícios físicos atuam de forma relevante na prevenção de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo.

“Além disso, eles promovem um funcionamento mais harmônico de todos os órgãos e, claro, melhora a forma e a disposição, entre outros benefícios ao corpo”.

Outra atividade que vem ganhando mais adeptos na terceira idade, segundo a médica, é o trabalho voluntário.

“Entre as motivações, percebidas, por uma pesquisa, entre os idosos que fazem esse trabalho, destacam-se as funções de aprendizado, autoestima e valores. Já os principais benefícios percebidos são de se sentir melhor consigo mesmo, contribuir para o bem-estar das pessoas e dar bons exemplos para a família”, revelou.

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