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Alimentação do Futuro: Plantas pouco conhecidas também vão estar no prato

Folhas e vegetais desconhecidos podem ser a solução para refeições diversificadas

Lorrany Martins | 18/07/2022 11:01 h

Christiane Mileib  explica que folhas, grãos, algas, cactos e outras plantas não convencionais vão se destacar
Christiane Mileib explica que folhas, grãos, algas, cactos e outras plantas não convencionais vão se destacar |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
  

Os insetos não serão as únicas novidades no cardápio do futuro. Plantas pouco conhecidas, principalmente da população urbana, também vão estar mais no prato dos brasileiros.  Conhecidas como ervas daninhas ou mato, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) vão ganhar espaço e importância.   

De acordo com pesquisas internacionais, globalmente, a sociedade conta com pequena  variedade de alimentos.

Do suprimento global, 75%  dos alimentos provêm de apenas 12 plantas, apesar de existirem mais de 20 mil plantas comestíveis conhecidas. Sendo que três delas são responsáveis por quase 60% dos vegetais presentes na dieta humana: arroz, milho e trigo. 

É nesse contexto, segundo a coordenadora de pós-graduação em Biotecnologia Vegetal da UVV,  Christiane Mileib Vasconcelos, que as folhas, grãos, algas, cactos e outras Pancs vão se destacar.  

“Nossos avós e bisavós já usam muito essas plantas nas hortas, mas com conhecimento mais popular. Hoje, já se estuda bastante sobre esse assunto. Uma alimentação equilibrada necessita de um consumo adequado de vegetais, que ajudam a reduzir a progressão e o risco de doenças”, ressalta. 

Ela explica ainda que as Pancs não têm muitas exigências de produção e por isso podem ser uma boa opção nutricional de fácil acesso. 

Incluir uma maior diversidade de plantas comestíveis no prato pode  fornecer opções para uma alimentação mais equilibrada, evidencia a  professora e doutora Jackline Freitas, do Departamento de Educação Integrada em Saúde da Ufes. 

“O perfil nutricional das Pancs surpreende, pois pesquisas mostram que elas possuem em sua composições fibras, vitaminas, proteínas, aminoácidos essenciais, carboidratos, minerais e são ricas em antioxidantes e compostos bioativos”. 

Para o professor e agrônomo Flávio Bertin Gandara, do Departamento de Ciências Biológicas da USP, o mundo  tem passado por um processo de perda da tradição culinária que tem prejudicado o meio ambiente e a saúde. 

“Cada vez mais estamos nos alimentando igual no mundo inteiro, o que nos traz  risco.  A procura por uma diversidade maior nos alimentos é um contramovimento  a favor da nossa alimentação. O  Brasil é um dos países mais ricos em espécies de cactos. A ora-pro-nóbis, por exemplo, é um cacto, como o  mandacaru. Além disso, temos uma diversidade imensa de  algas, marinhas e de água doce”, destaca.

Desafio é alimentação acessível

A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) é que, em 2050, a população mundial passará  de 9 bilhões de pessoas e, por isso, a alimentação saudável e sustentável será um desafio, porque a atual produção de alimentos precisará  dobrar. 

Mas a terra para cultivo de alimentos está mais limitada, as mudanças climáticas e a escassez de água vão trazer ainda mais  implicações para a produção de alimentos.

Por isso, segundo a professora Érica Aguiar Moraes, do Departamento de Educação Integrada em Saúde da Ufes, o maior desafio será buscar uma mudança de comportamento que leve a  uma  alimentação saudável, acessível e diversificada para todos.  

“Uma das questões mais importantes é o acesso e a distribuição do alimento. A questão econômica é o que vai mais influenciar no futuro. O desafio será  a maneira que distribuímos  o alimento. Uma solução é a produção local, se cada região produz e consegue distribuir localmente, isso fica em uma dinâmica mais viável para a produção”.

Érica Aguiar diz que questão econômica vai influenciar muito no futuro
Érica Aguiar diz que questão econômica vai influenciar muito no futuro |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
 

E completa: “A alimentação é um direito, mas infelizmente precisamos do nosso ganho financeiro para ter acesso.” 

 A alimentação está ligada à cultura das pessoas, mesmo que isso venha se perdendo nos últimos anos,  e por isso tem de haver mudança de comportamento do consumidor e também do produtor desses alimentos. É o que defende o professor e agrônomo Flávio Bertin Gandara, do Departamento de Ciências Biológicas da USP.  

 “O principal desafio vai ser, nos próximos anos, trabalhar melhor as questões educativas com essa temática alimentar  e, principalmente, o acesso da população a mais informações”.

Ajuda de tecnologias para a produção de carnes

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- |  Foto: carne não será banida do cardápio
 

Os amantes de churrasco podem estar prevendo um futuro triste na alimentação do brasileiro. Mas, de acordo com os especialistas, elas não serão banidas do cardápio. O consumo de carne animal deve diminuir e o preço aumentar, mas elas ainda poderão ser encontradas.  

“Abolir a carne não é uma alternativa. Ela sempre vai ser uma opção, mas vai aumentar de preço. Uma  alternativa mais sustentável, que já é estudada,  é a produção de carnes em laboratório”, explica a professora Érica Aguiar Moraes, do Departamento de Educação Integrada em Saúde da Ufes.  

Ela aponta que existem diversos estudos que trazem carnes produzidas a partir de outras células. “São carnes do animal sem necessariamente precisar do bicho, apenas de células em laboratório”. 

A carne é uma preferência cultural, como ressalta a professora Vanessa Alves Ferreira, do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG. “Mas reduziremos bastante o seu consumo. Seja por questões éticas e ambientais, seja por questões econômicas”.

O médico Fernando Cerqueira, com especialização em Nutrologia, lembra que outra opção no futuro pode ser a carne à base de vegetais. “Essas carnes imitam o sabor, textura e suculência da carne animal e, no futuro, as técnicas serão aprimoradas cada vez mais para agradar a diferentes públicos e paladares”.

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