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Centro das cidades já tem 1.500 imóveis desocupados

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Economia

Centro das cidades já tem 1.500 imóveis desocupados


Vende-se, aluga-se. Esses são anúncios que se repetem ao longo do trajeto de quem caminha pelas ruas dos centros de Vitória e Vila Velha. Durante a caminhada também é possível perceber a arquitetura histórica sendo corroída pelo abandono.

Levantamento realizado junto a imobiliárias revela que 1.500 unidades estão vagas, ao todo, nesses bairros, conforme o advogado Diovano Rosetti.

Ele explicou que 60% desses imóveis estão no Centro da capital, onde o desenvolvimento urbano dos bairros mais próximos à orla levou a população a deixar a região onde a cidade começou. “A maioria são salas, lojas e galpões voltados para o comércio”.

Nessas regiões, após o comércio fechar, fica o vazio das ruas e a insegurança, cobertos pela noite e pela saudade de tempos mais movimentados e seguros.

O presidente do Instituto Comercial do Centro de Vitória, Sidney Ferreira, disse que devido à situação econômica do País algumas lojas fecharam, principalmente no ano passado.

Ele avalia que à medida em que a vacinação está avançando a retomada vem acontecendo, e isso tende a estabilizar a situação para os estabelecimentos comerciais.

Pontuou que algumas empresas que estavam em home office estão voltando ao trabalho presencial, mas outras não devem voltar, o que reduz o fluxo de pessoas.

Sobre os imóveis residenciais desocupados, Lino Feletti, presidente da Associação de Moradores do centro de Vitória (Amacentro), destacou que a maioria está em condições de uso. “Às vezes precisam de pequenas intervenções, mas são imóveis bons”, disse ele, ao explicar que muitos poderiam virar moradia.

Já a presidente da Associação de Moradores do Centro de Vila Velha, Maira Cristina Sassi, disse que a maioria dos imóveis desocupados do bairro é de casas.

“As pessoas mais antigas que moravam no bairro morrem e deixam o imóvel de herança para os filhos. Muitos vão morar em outro lugar e colocam o bem a venda. A maioria tem alguma pendência jurídica, o que dificulta.”

Já o presidente da Associação do Comércio do Centro de Vila Velha, Carlos Caliman, comenta que o comércio é dominado por óticas e farmácias. “O Centro ainda funciona por causa dos bancos. Não fosse isso, quase não teria movimento”.


Mudança para a Enseada do Suá

O empresário Elieser Machado resolveu sair do centro de Vitória há dois meses. Segundo ele, o comércio no local teve uma queda na movimentação nos últimos anos e, por isso, decidiu levar sua Agência de Estágios para a Enseada do Suá, também em Vitória.

Com a mudança, ele abre espaço para quem sonha em empreender no local, colocando à venda o imóvel de 1.300m, com oito salas climatizadas. “Está tudo prontinho para uma escola funcionar. Com a Agência, não preciso de tanto espaço”.

Empresário Elieser Machado vai levar seu comércio do Centro para a Enseada do Suá (Foto: Beto Morais / AT)Empresário Elieser Machado vai levar seu comércio do Centro para a Enseada do Suá (Foto: Beto Morais / AT)


“O preço tem de arriar”

Dono de imobiliária e de imóveis no centro de Vila Velha, Antenor Braga citou loja que alugava por R$ 18 mil e agora está alugando por R$ 12 mil.

“Baixo o preço para poder alugar e, mesmo assim, está difícil. Quando eu falo em aumentar, os locatários pedem 'pelo amor de Deus'. O comércio está difícil. Quando as pessoas não têm poder de compra, o preço tem de arriar. É melhor ganhar pouco que não ganhar”, desabafou.


Depredação

A advogada Karla Barcelos relatou que uma amiga da família, que preferiu não se expor, passou por uma situação difícil. Proprietária de uma loja na rua Sete de Setembro, no centro de Vila Velha, ela teve seu imóvel, desocupado, depredado. “Ela se viu obrigada a alugar por um valor abaixo do que alugava para não deixar desocupado, com medo de ter seu patrimônio depredado novamente”.

A advogada explicou que existe uma preocupação em relação aos moradores de rua, principalmente aqueles que são dependentes químicos.


Escritor e empreendedor Saulo Ribeiro   (Foto: Divulgação)Escritor e empreendedor Saulo Ribeiro (Foto: Divulgação)

Criatividade

O escritor e empreendedor Saulo Ribeiro contou que com a pandemia decidiu fechar temporariamente os dois espaços da editora Cousa no centro de Vitória. Com criatividade, ele usa uma Kombi para divulgar os trabalhos da editora e atrair clientes online.

Para ele, o Centro passa por ciclos, onde editoras e grupos culturais ocupam imóveis. “Eles são responsáveis por valorizar os imóveis, por dinamizar a vida econômica e cultural desses lugares e não podem ficar por que não conseguem mais pagar”.


Imóvel mais em conta

A economista Maria Bernadete Pires Oliveira, 58 anos, contou que ela e as irmãs estão alugando um imóvel muito especial no centro de Vila Velha. “Era a casa da nossa mãe, tem grande valor sentimental, então não queremos alugar para qualquer pessoa”.

Além desse imóvel, ela destacou que tem alugado um imóvel comercial. “Estou cobrando o mesmo valor de 2,5 anos atrás. Para mim, vale mais um pássaro na mão do que dois voando. Há vários para alugar e o meu está ocupado”.


SAIBA MAIS


Pontos a melhorar

Vitória

  • Infraestrutura: precisa de mais acessibilidade, incluindo a padronização das calçadas. A parte de saneamento precisa melhorar, com a coleta de esgoto em alguns pontos, como no morro da Capixaba.
  • Poluição visual: outra questão é o excesso de fios de empresas de TV a cabo e internet, expostos em postes, prejudicando o visual da cidade.
  • Segurança: após o fechamento do comércio, o bairro fica vazio e soma-se a isso a presença dos moradores de rua e de dependentes químicos, aumentando a sensação de insegurança da população.
  • Estacionamento: o centro de Vitória está praticamente todo demarcado com rotativo. Muitos prédios não têm garagem o suficiente para o número total de carros dos seus moradores. Faltam vagas.

Vila Velha

  • Segurança: moradores reclamam que à noite as ruas ficam desertas e a sensação de insegurança é grande, reforçada pela presença de moradores de rua e usuários de drogas.
  • Saída de imóveis públicos: outro ponto de reclamação é a saída de órgãos públicos do bairro, como a própria prefeitura. Moradores defendem que há imóveis públicos subaproveitados, enquanto a prefeitura paga aluguel de outros.
  • Entretenimento: falta uma pracinha com atrativos, como barraquinhas e artesanato. Um lugar para a comunidade se reunir. Atualmente a comunidade usufrui de diversão na Prainha e na Praça Duque de Caxias.

Fonte: Associações de Moradores e moradores do centro de Vitória e Vila Velha.

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