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“Cancelamento pela internet” vira motivo para demissões

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Economia

“Cancelamento pela internet” vira motivo para demissões


As redes sociais permitem emitir opiniões a respeito de qualquer tema. Mas é preciso tomar cuidado, porque dependendo do que for dito, você pode ser “cancelado” e correr o risco de ser demitido de seu emprego.

O fenômeno do “cancelamento” remete ao ato de boicotar alguém que com comportamento censurável que viralizou nas redes sociais.

Apesar de ter ganhado força na internet após o movimento #MeToo, onde pessoas relatavam casos de abusos sexuais, essa cultura teve início durante as décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, quando minorias políticas formadas por negros, feministas e LGBTQIA+ criticavam o ambiente de trabalho dominado pelos homens brancos.

O CEO da Heach Brasil, Elcio Teixeira, explica que, geralmente as empresas são informadas de polêmicas envolvendo funcionários por meio das redes sociais, e dependendo da situação, podem demitir por justa causa.

Ele cita um caso que ocorreu no Estado de um funcionário que foi demitido por publicar comentários inadequados na internet. “Uma empresa contratou um motorista de caminhão, mas pouco tempo depois recebeu reclamações de que ele estava escrevendo comentários homofóbicos e racistas em grupos de sua rede social”.

Elcio Teixeira: funcionários envolvidos em polêmicas nas redes sociais podem ser demitidos até por justa causa (Foto: Thiago Coutinho - 05/07/2018)
Elcio Teixeira: funcionários envolvidos em polêmicas nas redes sociais podem ser demitidos até por justa causa (Foto: Thiago Coutinho - 05/07/2018)

O ato pode gerar também alguns mal entendidos, como o caso de um homem nos Estados Unidos que, ao estalar os dedos dentro do seu carro, acabou sendo filmado fazendo um sinal de “OK”, que tem sido adotado por internautas racistas em fóruns online. Ele acabou demitido após o vídeo viralizar, mesmo alegando desconhecer aquele significado do sinal.

O cancelamento não se limita a causas consideradas “liberais”, sendo possível ocorrer com quem convive em ambientes conservadores, que “cancelam” pessoas que possuem comportamento mais liberal nestes ambientes.

Foi o que aconteceu com um contador no Estado que trabalhava em uma empresa de perfil conservador, conforme relata a psicóloga e especialista em pessoas e carreiras, Gisélia Freitas.

“A empresa o demitiu após descobrir que a namorada dele havia publicado um vídeo seminua e urinando em uma bandeira do Brasil, durante protesto contra um político que era contra o aborto, porque houve repercussão negativa”.


SAIBA MAIS
Cultura surgiu na década de 1960


O que é?

  • Trata-se do ato de boicotar uma pessoa na internet por um comportamento realizado por esta pessoa que é considerado reprovável por um segmento da sociedade.
  • O ato pode ser realizado tanto virtualmente ou ter sido feito fora da internet e exibido de alguma forma dentro dela, seja por vídeos, fotos ou mesmo um relato.

Como surgiu?

  • O ato de “cancelar” existe desde antes da internet. Nas décadas de 1960 e 1970 o termo começou a ser utilizado por minorias políticas dos Estados Unidos, que criticavam o ambiente de trabalho dominado por homens brancos que cometiam atos machistas, homofóbicos e racistas.
  • Os grupos buscavam denunciar esses comportamentos em prol da luta por maior diversidade em ambientes de trabalho.
  • o termo explodiu em popularidade na internet após o movimento #MeToo, onde mulheres denunciavam casos de abuso sexual em diversos ambientes de trabalho, inclusive o meio artístico, citando nomes de personalidades famosas que acabaram “canceladas”.

Conservadores

  • Apesar de ser originalmente ligada a grupos liberais, o termo acabou também sendo utilizado por conservadores.
  • Nesse caso, os “cancelados” são aqueles que têm condutas que vão contra ideais conservadores, como antipatriotismo, ser a favor do aborto, a favor da legalização da maconha ou a favor de uma política de cotas.

Problemas

  • Se a cultura permite expor atitudes negativas de certas pessoas, por outro lado também pode servir como terreno para acusações falsas.
  • O ator Johnny Depp teve de ir à justiça para comprovar que não agrediu a ex-namorada, a atriz Amber Heard, e acabou a processando por difamação.

Fonte: Elcio Teixeira, Gisélia Freitas e Pesquisa AT.


Casos de demissões


Sumiço e drogas

Um estagiário de uma empresa localizada em Vitória foi efetivado, mas desapareceu na primeira semana de emprego, causando preocupações.

A mãe do rapaz chegou a fazer um boletim de ocorrência, que recebeu mais de mil compartilhamentos nas redes sociais. O B.O. relatava que o jovem era usuário de drogas e se auto-medicava sem fazer tratamento.

Ele acabaria sendo encontrado pouco tempo depois em um morro da cidade, usando drogas. A empresa acabou o demitindo por justa causa.


 (Arte: André Felix)
(Arte: André Felix)
Homofobia

Uma empresa contratou um motorista de caminhão, mas logo se viu obrigada a demiti-lo após receber denúncias de seu comportamento nas redes sociais.

O funcionário publicava em grupos comentários homofóbicos e racistas, sem qualquer tipo de filtro. Ele chegou a dizer que, se tivesse um filho homossexual, ele mesmo o mataria.

O funcionário não foi demitido por justa causa, mas a empresa optou por mandá-lo embora por não concordar com a postura.


Urinou na bandeira

Certas demissões podem acontecer por conta de cancelamento de terceiros, como ocorreu com um contador que trabalhava em uma empresa cujo chefe era religioso.

O chefe não gostou quando recebeu reclamações de membros de igrejas sobre a namorada do funcionário, que foi seminua a um protesto contra um político que era contra o aborto.

Ela ainda urinou em uma bandeira do Brasil e marcou no vídeo o próprio namorado, que acabou demitido.


Assédio na Copa

Durante a Copa do Mundo de Futebol na Rússia, em 2018, um funcionário de uma empresa de aviação que trabalhava no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo, foi demitido após um vídeo dele assediando mulheres russas viralizar na internet.

Nas imagens do vídeo, o funcionário e um grupo de homens, aparentemente bêbados, faziam mulheres russas repetirem frases obscenas em português, as constrangendo. O caso gerou notas de repúdio de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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