Quem é a brasileira indenizada pelos EUA após perder braço e perna em atropelamento no metrô de NY
A turista brasileira Luísa Janssen Harger Brown, de 31 anos, obteve uma vitória na Justiça dos EUA e deve receber uma indenização de cerca de R$ 435 milhões por conta do acidente que sofreu há quase dez anos. Em agosto de 2016, ela foi atingida por um trem no metrô de Nova York e perdeu uma perna e um braço.
À época, a jovem tinha 21 anos e passava férias com o namorado no país. Ela desmaiou na estação na avenida Atlantic, no Brooklyn, e foi atropelada pelo trem que chegava.
Na última semana, o júri de um tribunal federal do Brooklyn considerou que a MTA foi negligente em não considerar a questão de pessoas caindo nos trilhos seriamente. A brasileira ficou internada por 24 dias e passou por cirurgias e enxertos de pele.
Arquiteta e urbanista especialista em acessibilidade
Hoje, ela usa próteses para substituir os membros que perdeu. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC, Luisa realizou um ano de intercâmbio em Tecnologia Arquitetônica na University of Westminster, em Londres (2014-2015), e concluiu um mestrado em Arquitetura pela City University of New York (2020).
Morando no Brooklyn, em Nova York, ela participa do desenvolvimento de normas como membro do Comitê Técnico de Acessibilidade do próximo Código de Construção de Nova York - segundo informado pela Accessibility Professionals Association (APA).
É também consultora de Acessibilidade, especializada em conformidade e soluções de acessibilidade para projetos arquitetônicos nos Estados Unidos.
Batalha na Justiça dos EUA
Em nota enviada ao Estadão, o advogado de Luisa, David Roth, considerou que a MTA falhou em proteger os passageiros de quedas como a sofrida pela brasileira. Segundo Roth, o órgão responsável pelo metrô apresentou desculpas, rejeitou soluções conhecidas e nunca conduziu estudos sobre como melhorar a segurança nas estações.
“Durante minha investigação inicial, descobri documentos internos que mostravam que, de 2001 a 2012, aproximadamente 150 pessoas foram atropeladas por trens anualmente, e pelo menos uma pessoa morria a cada semana. A Autoridade de Trânsito tratou cada uma dessas tragédias como um fato da vida do sistema e simplesmente como o custo de fazer negócios”, afirmou.
Roth destacou que o júri rejeitou o argumento da MTA de que mais de um bilhão de pessoas utilizam o metrô de Nova York anualmente e que, portanto, três a cinco acidentes por ano seria um número aceitável e que não exigiria ações corretivas. Para o defensor de Luisa, a afirmação chega a ser ofensiva.
A reportagem tentou contato com a defesa da MTA, mas não houve resposta. Segundo o jornal americano New York Post, o órgão prometeu recorrer da sentença.
“Não podemos nos pronunciar sobre decisões históricas tomadas há décadas”, afirmou Tim Minton, porta-voz da MTA, ao Post. Além dos custos, Minton disse que as portas nas plataformas da grande maioria das paradas não funcionariam devido a “razões de viabilidade física e acessibilidade”. Ele acrescentou que algum tipo de barreira já foi instalado em 109 estações.
Para a defesa de Luisa, o mais importante é que o veredito garante que ela receberá os cuidados de saúde necessários para toda a vida.
“Representá-la foi uma honra na minha vida. Ela possui um espírito belo e indomável. Se você procurar a palavra ‘coragem’ no dicionário, encontrará a foto dela. Ela é um exemplo de caráter e, com este veredito do júri, finalmente foi feita justiça para ela”, afirmou Roth.
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