Nova operação da PF contra o Master mira fundos suspeitos de fraude
O esquema começava com empréstimos feitos pelo Master a empresas
A nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (14) mira pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo banco Master por meio do uso de fundos de investimento e foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli.
Esses fundos participavam de um esquema bilionário de ciranda financeira para desvio de recursos e compra de ativos podres, como as chamadas cártulas, certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).
O esquema começava com empréstimos feitos pelo Master a empresas. Essas companhias aplicavam em fundos da gestora Reag, que tinha até recentemente como presidente e sócio-fundador João Carlos Mansur, um dos alvos da operação da PF nesta quarta.
Uma das empresas se chama Brain Realty Consultoria e Participações, que tomou um empréstimo de quase R$ 500 milhões do Master. O dinheiro não foi usado na empresa, mas aplicado em fundos da Reag.
O BC (Banco Central) identificou uma lista de seis fundos da Reag que teriam atuado no esquema, como revelou a a Folha de S.Paulo. A suspeita é que os fundos tinham como donos indivíduos que operavam como laranjas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Segundo um integrante da PF, a nova operação tem como alvo os responsáveis por essas fraudes.
A primeira operação da PF do caso Master, realizada no dia 17 de novembro, tratava da venda de carteiras falsas de crédito consignado para o BRB (Banco de Brasília), instituição do governo do Distrito Federal.
Nessa primeira operação, Vorcaro foi preso quando tentava embarcar para fora do Brasil num jato particular, tendo como primeiro destino Malta e depois, Dubai.
A defesa alegou que ele estava indo para os Emirados Árabes para conversar com investidores árabes que estariam interessados em comprar o Master. Vorcaro foi solto 12 dias depois.
Nessa segunda operação da PF envolvendo o Master, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso numa situação semelhante, mas foi logo solto. Ele se preparava para deixar o país, de jatinho, com destino a Dubai.
Há uma suspeita de que houve vazamento de informação sobre a operação, segundo pessoas a par da operação. Casado com Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel é pastor da igreja Lagoinha e teve prisão temporária decretada com o objetivo de resguardar o sigilo da operação, de acordo integrantes da PF.
O caso passou para as mãos do ministro Dias Toffoli no final do ano passado. O ministro do STF autorizou a operação desta quarta, que teve 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.
O caso chegou ao STF a pedido da defesa de Vorcaro, após um envelope com documentos de um negócio imobiliário relacionado ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) ter sido encontrado em uma busca e apreensão anterior.
O ministro manteve a condução do inquérito em sigilo e tomou decisões questionadas no mundo político e no mercado financeiro. Mesmo sob críticas e desconfianças do setor financeiro, Toffoli determinou a realização de depoimento e de uma acareação entre Vorcaro, Paulo Henrique Costa (ex-presiente do BRB) e Ailton de Aquino (Diretor de Fiscalização). Ao final, Aquino participou de um depoimento em separado.
Com revelou a Folha de S.Paulo, duas empresas ligadas a parentes do ministro Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais.
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