Líder religioso é preso suspeito de estupro e violência contra seguidoras no CE
Denúncia foi feita por ao menos sete mulheres que frequentavam seu terreiro de umbanda no Ceará.
Um pai de santo foi preso preventivamente na quinta-feira (15) sob suspeita de violação sexual mediante fraude, estupro e violência psicológica contra ao menos sete mulheres que frequentavam seu terreiro de umbanda no Ceará.
Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, conhecido como Pai Nivaldo de Oxóssi, 49, é diretor da União Espírita Cearense de Umbanda. A defesa jurídica do líder religioso não foi encontrada.
Por meio de nota, a União Espírita Cearense de Umbanda disse que tomou conhecimento da prisão por meio da imprensa e que o líder religioso está afastado até que o caso seja elucidado.
Informou ainda que não possui acesso aos autos ou às informações detalhadas do processo e, por isso, se abstém de posicionamento, além de manifestar solidariedade a todas as pessoas que "possam ter sido afetadas pelos acontecimentos", reafirmando o "compromisso com o respeito à dignidade humana, ao cuidado e à proteção de quem busca amparo espiritual em nossas comunidades".
Francisco Rinivaldo foi preso no bairro Vila Velha, em Fortaleza, após mandado de prisão expedido pela 10ª Vara Criminal de Fortaleza. Nas denúncias, as vítimas relatam que o pai de santo criava falsos ritos para se aproveitar das mulheres.
Conforme os relatos, ele também é suspeito de violência em liturgias tradicionais da religião, como banhos de ervas e lavagens em cachoeiras.
Duas mulheres egressas do terreiro, que afirmam ser vítimas do pai de santo, denunciaram o caso à Associação Marta, que presta consultoria jurídica para mulheres vítimas de violência.
"O perfil delas é de mulheres jovens que não tinham experiência na religião. Ele se aproveitava disso, talvez tenha sido um fator relevante na escolha das vítimas, por não conhecerem a cultura da religião. A religião é linda, a umbanda é puro amor, mas, infelizmente, o primeiro contato que elas tiveram não dessa forma", afirma a advogada Andressa Esteves, presidente da Associação Marta.
"Eram diversos rituais em que essas vítimas estavam nesse contexto e foram enganadas."
Ela afirma que a associação acompanha sete mulheres que afirmam ser vítimas, mas que o número pode ser maior.
A Promotoria do Ceará acompanha o caso, mas ainda não formalizou denúncia. O inquérito policial segue em andamento.
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