Entenda o que se sabe até agora sobre caso de PM desaparecido em São Paulo
O último contato de Santana com um familiar ocorreu na manhã de quinta-feira
A polícia de São Paulo ainda investiga o que aconteceu com o cabo Fabrício Gomes Santana, 40, que está desaparecido deste quinta (8). Os agentes trabalham com a hipótese de que o corpo encontrado na manhã deste domingo (11) em um sítio em Embu-Guaçu (na Grande São Paulo) seja do PM.
No entanto, a gestão estadual adota cautela e aguarda laudos produzidos pela Polícia Científica para a confirmação.
Diversos indícios apontam para o PM. Uma aliança com o nome da noiva e coldres usados por Santana foram encontrados junto ao corpo. "Muito provável que se trate do corpo do policial", afirmou o delegado Vitor Santos de Jesus, da Delegacia de Itapecerica da Serra, responsável pela investigação.
O delegado não soube precisar de que forma ocorreu a morte e ainda não foi possível identificar se havia sinais de tiros.
O último contato de Santana com um familiar ocorreu na manhã de quinta, quando avisou a um irmão ter se envolvido em uma discussão na noite anterior.
Quatro pessoas estão presas e outras quatro são investigadas por suspeita de envolvimento no crime.
As buscas pelo cabo e pelos autores mobilizam mais de 1.000 policiais e 300 viaturas. Participam equipes do Comando de Policiamento de Choque, incluindo a Rota, 2º Batalhão de Choque Anchieta (atuação em grandes eventos), 3º Batalhão de Choque Humaitá (Tropa de Choque), COE (Comandos e Operações Especiais), Canil e Cavalaria. O serviço de inteligência e a Corregedoria da PM e policiais civis também fazem parte da ação que recebeu o nome de Operação Impacto - Pronta Resposta.
A procura estava concentrada em áreas de mata no entorno da favela, em uma estrada em Itapecerica da Serra onde o carro do policial foi encontrado incendiado na quinta-feira (8) e na represa Guarapiranga, na zona sul de Sâo Paulo, em um ponto comum de desova de corpos.
No entanto, uma denúncia recebida na tarde de sábado (10) indicou que o corpo havia sido transportado em um Volkswagen Gol prata até um sítio em Embu-Guaçu. Câmeras registraram a passagem do veículo, permitindo que os investigadores delimitassem o perímetro de busca.
Os agentes foram ao local e tiveram a entrada liberada por um responsável. Lá perceberam a presença de terra revirada. O dono do terreno foi levado para a delegacia para esclarecimentos, e o ponto isolado.
Na manhã de domingo policiais do COE e do Canil retornaram ao lote. A cadela farejadora Danka, pastor alemão cinza de seis anos, sob tutela do cabo Gerson, localizou o cadáver enterrado em área de terra revirada.
Segundo a investigação, Santana foi morto após repreender um homem que usava cocaína em um bar próximo à favela do Horizonte Azul, onde o cabo tinha conhecidos. O episódio ocorreu na noite de quarta-feira (7), quando o PM confraternizava com um amigo nas proximidades da casa do filho.
Após a discussão, o homem pediu desculpas e saiu de moto, mas procurou lideranças do tráfico local para reclamar da atitude do policial. Ele também teria delatado o amigo do PM por permitir a presença de um policial no local.
Horas depois, criminosos exigiram que o amigo do cabo se explicasse. Ele e Santana foram a um bar. No local o cabo foi desarmado e levado para ser julgado pelo chamado "tribunal do crime". Segundo a polícia, criminosos decidiram matá-lo por ser policial e estar naquele território.
Estão presos o homem que discutiu com o PM, o amigo do cabo que o levou ao encontro com os criminosos, o dono do sítio onde o corpo foi encontrado e um homem que escoltou o veículo de Santana até ser incendiado em Itapecerica da Serra.
O delegado investiga se os detidos têm ligação com o crime organizado.
Santana atua em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, e está de férias.
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