Desfile das campeãs do carnaval do Rio: onde a bandeira das escolas é mais do que um adereço
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Na Marquês de Sapucaí, a bandeira de uma escola de samba não é apenas um adereço, é o DNA da comunidade.
Nem sempre a bandeira ou estandartes estiveram em mãos femininas. Nos antigos blocos e ranchos, o pavilhão era defendido por homens ou às vezes balizas que guardavam o símbolo com o próprio corpo contra tentativas de roubo das escolas rivais.
Com o surgimento das escolas de samba modernas, a função se transformou. A força bruta deu lugar à nobreza feminina. O homem deu um passo ao lado para se tornar o Mestre-Sala e a mulher assumiu a missão de apresentar o “manto sagrado” ao mundo. Tornou-se um cargo de reverência, onde o erro custa décimos, mas a desenvoltura e a segurança viram história.
No início, não é apenas concentração, é uma oração ancestral. Ali, ela pede licença a quem veio antes e força para suportar o peso físico e simbólico que carrega durante todo desfile. É tanta devoção que o CPF some e a porta-bandeira se transforma.
O grito que escapa da alma não é apenas canto, é o início do desfile, dá para sentir a energia da arquibancada subindo pelos pés. A explosão que vem após meses de ensaio, dor, mais ensaio e mais dor. Se o silêncio é a oração, o grito é a afirmação.
Não tem como falar de pavilhão sem reverenciar Selminha Sorriso. Com mais de 30 anos de uma trajetória impecável, ela personifica essa missão como ninguém.
Selminha mostra a gerações que técnica é fundamental, mas o que segura a bandeira no alto, sem nunca tocar o chão, é a paixão que transborda. “A bandeira é a nossa oração escrita em cores”, ela diz. E no asfalto, entre o silêncio e a explosão, o samba encontra a sua mais fiel guardiã.
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