Cão Orelha: adolescentes investigados são suspeitos de outros crimes em SC
Defesa dos jovens suspeitos diz que os adolescentes e as famílias estão colaborando com as autoridades
Os adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, em Santa Catarina, também são suspeitos de terem cometido outros crimes no Estado. De acordo com o delegado-geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, os jovens teriam agredido outro cachorro, provocaram danos a um quiosque, furtaram bebidas e explodiram uma bomba em uma casa. A defesa dos jovens suspeitos diz que os adolescentes e as famílias estão colaborando com as autoridades (leia mais abaixo).
“Instauramos um inquérito policial para apurar, inicialmente, as agressões ao cachorro Orelha. No decorrer da investigação, constatamos que havia um conjunto de atos infracionais praticados entre o dia 4 e aproximadamente até o dia 16 (de janeiro). Teve a agressão ao cão Orelha, que lamentavelmente acabou falecendo, e teve uma agressão a um outro cãozinho, que é o Caramelo, que depois acabei adotando. Teve uma situação de danos ao quiosque da praia e furto de bebidas e a explosão com uma bomba numa residência”, disse Gabriel em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.
Ainda de acordo com o delegado-geral, dois pais dos adolescentes suspeitos e um tio também teriam coagido o vigilante de um prédio vizinho ao local onde os jovens moram em Santa Catarina. “Instauramos um outro inquérito policial para apurar coação no curso do processo, porque a gente não pode permitir que pessoas sejam constrangidas. O vigilante estava reportando as reiteradas condutas infratoras desses adolescentes, identificou os jovens através de uma foto e encaminhou essa imagem para um grupo de vigilantes, porque ele pretendia saber quem eram esses adolescentes, porque não conviviam no condomínio onde ele trabalha. Então ele queria identificar esses jovens”, disse Gabriel.
Segundo o delegado, o tio de um dos adolescentes suspeitos teria abordado o vigilante e indicado que estaria armado. “Por isso, nós pedimos busca e apreensão na casa do tio”, explicou Gabriel.
A defesa dos jovens suspeitos diz que os adolescentes e as famílias estão colaborando com as autoridades, e afirma que os trabalhos técnicos de investigação vão esclarecer o caso e comprovar a “inocência dos dois jovens”. “É fundamental reforçar que os adolescentes vêm colaborando com todas as etapas solicitadas”, dizem os defensores.
Na quarta-feira, 28, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte obtiveram na Justiça uma liminar que determina que plataformas digitais como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok excluam postagens com informações pessoais sobre os investigados. Segundo a defesa, o conteúdo divulgado infringe normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Os representantes legais reiteram a necessidade de que o debate público seja pautado por responsabilidade e respeito aos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), evitando julgamentos precipitados, desinformação e a amplificação de ataques e ameaças que não aproximam da resolução do ocorrido”, acrescentam.
Morte do cão Orelha
Orelha tinha 10 anos e era um cão comunitário que vivia na região da Praia Brava, na capital catarinense. Neste mês, ele foi encontrado gravemente ferido, agonizando, e morreu durante atendimento veterinário que tentava reverter o quadro clínico causado pelas agressões.
A Polícia Civil tomou conhecimento do caso no dia 16 de janeiro. As investigações apontam ao menos quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal de forma violenta, com a intenção de causar sua morte. Parte das agressões teria se concentrado na cabeça do cão.
As autoridades também apuram se o mesmo grupo tentou afogar outro cão comunitário, na mesma praia, no início de janeiro.
O caso resultou na abertura de dois inquéritos: um para investigar a morte do animal e outro para apurar o crime de coação. De acordo com a polícia, parentes dos adolescentes teriam coagido pessoas que testemunharam o episódio. Por esse motivo, três adultos foram indiciados. Os nomes não foram divulgados pelos delegados, o que impediu o contato com as defesas.
Na última segunda-feira, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, mas ninguém foi preso. Celulares e notebooks foram recolhidos. Todo o material, incluindo os aparelhos apreendidos nesta quinta-feira no aeroporto, será submetido à perícia.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital, da área do Meio Ambiente, também acompanha o caso.
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