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Bons hábitos em extinção
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo


Bons hábitos em extinção

Boas maneiras não crescem em árvores. E precisam ser aprendidas, de preferência na infância. Com o tempo, muita coisa se perde e hoje, com a pressa permeando todo o nosso comportamento, muitas atitudes, antes consideradas normais e até mesmo necessárias, estão sendo completamente atropeladas, mortas e esquecidas.

Exagero? Não mesmo. São detalhes importantes de delicadeza e cortesia, mas que hoje são considerados “supérfluos” ou pior, “coisa de boiola” – ou qualquer outra expressão excludente como essa.

Como se, a pessoa ser atenciosa fosse pecado. Como se fosse um atraso de vida, como se isso estivesse fora de moda – quando tratar bem os outros nunca deveria ter saído de moda!

Pois, é, nesse momento de hiperpolarização e embates cotidianos, quanto mais armas usarmos, mais estaremos defendidos. Armas como a delicadeza, claro, que, mais de uma vez vi operar milagres. É hora de assumir a responsabilidade pelo nosso comportamento, e reaprender e colocar em prática as boas maneiras.

Aqui estão algumas das regras de boas maneiras mais comuns, que foram esquecidas e que não custa nada tentar resgatar:

Esquecer a presença do garçom – Vejo isso o tempo todo: o sujeito está conversando entretido com a pessoa com quem está almoçando ou jantando e ignora o garçom quando ele chega. Ora, o correto nesse caso é, se precisar de mais alguns minutos para tomar uma decisão, informá-lo disso. Afinal não custa nada. Vale também pedir que volte em 5 ou 10 minutos quando já tiverem escolhido.

Gritar com as crianças em público – É o que mais tem! E repare como é muito pior o barraco dos pais que perdem a paciência em público do que a infração dos filhos.

Ninguém é obrigado a testemunhar pais tentando disciplinar seus rebentos (deveria ser feito em particular, concordam?). Se em vez de berrar eles simplesmente informassem as crianças em voz baixa das consequências de seu mau comportamento talvez surtisse mais efeito sem incomodar tanto.


Ostentar – Lembro com saudades quando até mesmo falar em dinheiro era considerado impróprio. Hoje, isso é um exagero claro, impera uma espécie de presunção deslumbrada com consumo...

Ora, tenho para mim que ainda é grosseira comentar demais e em público sobre novas aquisições, como carros, casas, barcos e até mesmo o singelo último modelo de smartfone.

Nada contra contar para os amigos mais chegados, mas insistir em alardear as vantagens em uma roda é deselegante mesmo.

Ser mandão ou argumentativo – Seu amigo ou familiar pode ter lhe contado um problema que você sabe como resolver. Mas... não ofereça conselhos a menos que seja solicitado. Dizer a outras pessoas o que fazer é irritante e pode fazer com que elas se afastem.

Às vezes vale a pena defender um assunto. Mas se você não tiver um motivo consistente para isso, deixe para lá. Raramente você muda a posição ou opinião de alguém argumentando ou sendo mandão.

Bloquear o tráfego em um local público – Quando encontrar uma amiga perdida no shopping, puxe-a para o lado para colocar a conversar em dia. Ficar no meio do corredor atrapalha a passagem e torna seu o encontro muito mais exposto do que deveria.

Demorar no RSVP – Acontece o tempo todo! Ninguém entende que é fundamental ter a resposta o quanto antes para planejar espaço e cardápio de qualquer tipo de reunião!

Se você não tem certeza de que poderá participar de qualquer evento, seja aberto e honesto. Se semanas ou dias passam e você ainda não sabe, entre em contato e libere o convite para que a pessoa possa convidar outra pessoa em seu lugar.

Pois é, mais importante do que conhecer regras complicadas de mesa ou rótulos de vinho é a delicadeza cotidiana, pois vivemos muito mais interagindo com colegas e familiares no dia a dia do que em eventos complicados.

Lembre disso e você pode se surpreender com as reações positivas que recebe dos outros.
 

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