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Poluição chega até a placenta, diz estudo

| 19/10/2020, 15:46 15:46 h | Atualizado em 19/10/2020, 15:52

Bebês de gestantes que vivem em regiões poluídas têm mais chance  de baixo peso ao nascer e parto prematuro
Bebês de gestantes que vivem em regiões poluídas têm mais chance de baixo peso ao nascer e parto prematuro |  Foto: Divulgação

Pesquisadores comprovaram pela primeira vez que metais pesados e outros poluentes conseguem alcançar a placenta. Diversos estudos já mostraram que bebês de gestantes que vivem em regiões mais poluídas estão mais sujeitas a terem problemas como baixo peso ao nascer e parto prematuro.

O trabalho, segundo reportagem publicada na Revista Crescer, foi feito pela Universidade de Londres Queen Mary, com placentas doadas por 15 mulheres que viviam na capital da Inglaterra. Em todas as amostras, foram encontradas pequenas partículas pretas, muito semelhantes aos materiais particulados (PM, na sigla em inglês).

Essas moléculas são liberadas pela queima de carvão, petróleo e madeira e ficam suspensas em grande concentração em zonas urbanas. Treze das voluntárias tinham sido expostas a níveis anuais de PM acima do tolerável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A maior parte das partículas era derivada do carbono, mas os cientistas detectaram também metais, como sílica, fósforo, ferro, crômio e outros. Pela análise, essas nanopartículas parecem vir do trânsito, por estarem associadas aos combustíveis fósseis, aditivos e aos freios dos veículos automotores.

Imagem ilustrativa da imagem Poluição chega até a placenta, diz estudo
Mais pesquisas são necessárias para definir qual é o efeito da exposição direta aos poluentes no desenvolvimento do feto e como eles chegam até lá. O achado surpreendeu os autores do estudo.

“Há muitos mecanismos de defesa nos pulmões que impedem que partículas externas circulem pelo corpo”, declarou Jonathan Grigg, coordenador do trabalho, em comunicado à imprensa.

Para os pesquisadores, o achado é mais um argumento para reduzir o uso de combustíveis fósseis, que já teve uma queda acentuada depois da pandemia.

Fora a questão materno-infantil, trabalhos mostram que crianças que vivem em áreas muito poluídas podem ter impactos no desenvolvimento neurológico, função pulmonar prejudicada e outros problemas de saúde.

A Organização Mundial da Saúde calcula que nove em cada 10 crianças respiram ar poluído no mundo, e que 600 mil morreram em decorrência de infecções respiratórias causadas pela poluição só em 2016.

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