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Arte de fabricar facas nobres

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Arte de fabricar facas nobres


Artesãos em Cachoeiro produzem réplicas de lâminas famosas e valiosas, a partir de produtos rústicos e de peças de ferro-velho (Foto: Alessandro de Paula)
Artesãos em Cachoeiro produzem réplicas de lâminas famosas e valiosas, a partir de produtos rústicos e de peças de ferro-velho (Foto: Alessandro de Paula)

Em meio ao avanço da tecnologia, com a produção em larga escala, cuteleiros fazem de forma artesanal facas cobiçadas no mundo inteiro. Em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, um dos profissionais artesãos vem produzindo réplicas de lâminas famosas e que custam uma pequena fortuna.

E o que chama a atenção é que as peças são produzidas a partir de produtos rústicos ou que seriam simplesmente jogados fora ou vendidos para o ferro-velho. Pontas de foice, lâminas desgastadas de tear, que são máquinas de cortar granito e sobras de madeira de lei se transformam em belas facas.

Gerente financeiro de uma empresa de mármore e granito durante o dia, e cuteleiro à noite e aos finais de semana, Fábio Fiorin Fiório, de 44 anos, utiliza a imaginação e habilidade para produzir as peças no terraço de sua casa para presentear amigos.

Uma de suas primeiras facas foi uma S4 Survivor, lâmina que ficou famosa nas mãos do instrutor de sobrevivência e apresentador irlandês Bear Grylls, do programa à Prova de Tudo, cuja peça original custa R$ 8 mil.

Ele também já produziu as facas Bushman da Cold Steel, a Bowie, faca em homenagem ao soldado americano Jim Bowie, do século 19, e a Tracker, eternizada no filme Caçado, com Tommy Lee Jones.

A paixão por facas teve início no movimento escoteiro, com as atividades em meio à natureza. “A gente levava lâminas, como facas, canivetes. Sempre gostei”, disse.

Ao assistir a alguns programas de TV sobre produção de facas, ele se sentiu desafiado a produzir uma. “Já tinha furadeira. Fui comprando outros materiais, como lima, lixadeira e comecei a ensaiar”.

A partir de uma churrasqueira, ele fez adaptações e a transformou numa forja, equipamento para esquentar e trabalhar o aço.

Apesar de serem insumos recicláveis, Fábio ressalta que são materiais de qualidade. Em algumas facas, usou peças de deque de piscina de ipê, uma madeira de lei. A lâmina de tear é feita de aço 1070, ou aço carbono, material resistente e que produz uma lâmina afiada. Aproveitando a chave elétrica industrial, ele produziu em alguns modelos de faca a guarda de latão – parte metálica entre o cabo e a lâmina.

Paixão desde adolescência

O historiador Marcio do Nascimento Santana tem uma paixão por facas, que começou na adolescência. Já comprou ou ganhou diversas facas, canivetes e até uma espada ninja, que presenteou um amigo. Hoje, possui cerca de 10 facas, algumas famosas.

Entre as lâminas está a S4 Survivor produzida pelo amigo cuteleiro Fábio Fiorin Fiório. Ele também possui uma Condor Primitive Busch Knife, a faca do Matt Graham e uma bowie Leroy aço 440 revestida de titânio.

Márcio lembra que teve uma infância com restrições e chegou a ficar numa cadeira de rodas, após sofrer acidente. Foi quando se interessou pelo movimento escoteiro e comprou sua primeira faca, uma praiana. Aos poucos, restabeleceu sua saúde e começou a se interessar por facas e se apaixonou pela cutelaria.

Exclusivo para cada cliente

O cuteleiro Marco Antônio Oliveira Chagas, de 28 anos, vem se dedicando a produzir facas com uma identidade própria. Ele criou a Cutelaria Vieira, nome em homenagem ao seu avô, e por meio da internet vem recebendo encomendas de várias partes do País.

Seu desejo de ser cuteleiro começou em 2015. Marco lembra que trabalhava no almoxarifado de uma empresa e, ao encontrar uma lâmina de roçadeira, um amigo lanterneiro o desafiou a produzir uma pequena faca.

“Ele me falou, você vive estragando canivete, abrindo caixas, cortando coisas, por que você não faz uma faquinha com essa lâmina. Gostei da ideia e comecei a pesquisar pela internet”, explicou.

Marco conta que a partir daquela pequena faca que fez para o almoxarifado, ele começou a tomar gosto pela profissão e desde então já fez mais de 100 facas.

Ele lembra que procura dar um toque próprio em cada faca que produz. “Procuro fazer modelos exclusivos, peças únicas, com combinações diferentes, tipo de empunhadura, material usado na empunhadura e da lâmina”, disse.

Suas facas custam a partir de R$ 250, mas podem chegar a R$ 2 mil. Os materiais empregados vão do aço carbono simples ao aço damasco e o san mai, técnica de caldeamento que utiliza três camadas de aço. Ele montou uma oficina no quintal de sua casa, onde instalou furadeira, lixadeira, preparou uma forja e também tem uma bigorna, peça metálica de apoio utilizada para bater e moldar o aço forjado.


SAIBA MAIS


Bowie

  • É um estilo de faca de defesa e caça, com lâmina de 25 cm. Recebeu o nome do pioneiro americano Jim Bowie, que sempre a carregava consigo.

S4 Survivor

  • Pequena faca, que ficou famosa nas mãos do instrutor de sobrevivência e apresentador irlandês Bear Grylls.

Bk-2

  • Inicialmente projetada para combate, é uma faca de sobrevivência, usada em ambientes na natureza. Com lâmina em aço carbono, é muito afiada.

Tracker

  • Faca tática inspirada no filme Caçado, com Tommy Lee Jones. É fabricada em aço carbono: 30 centímetros de comprimento e 6,35 milímetros de espessura.

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