Aprovados no concurso da PM em 2018 pedem convocação
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Os candidatos aprovados no concurso da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), realizado em agosto de 2018, para os cargos de soldado e oficial, esperam pela convocação há quase dois anos. Indignados, mais de 700 aprovados reivindicam um posicionamento do Governo do Estado sobre a convocação. No entanto, a PMES afirmou que ainda não tem prazo para acontecer.
Os candidatos demonstraram insatisfação com a falta de informação do órgão bem como a demora pelo início do Curso de Formação da Polícia Militar. Eles alegam que já deveriam ter sido chamados, pois o andamento das etapas dos concursos geralmente dura um ano.
No último dia 21, o grupo realizou uma ação social no Hemoes onde doaram sangue. A ideia é mostrar essa e outras ações em suas respectivas redes sociais, em forma de protesto solidário.
"O intuito dessas ações é ajudar o próximo e trazer à tona a situação vivida pelos candidatos para conhecimento da sociedade. Queremos uma data exata de convocação! Não aguentamos mais essa incerteza e a população tem direito a mais policiamento e segurança”, disse Felipe dos Santos Baier, de 21 anos.
Baier disse que a única informação que chegou até eles sobre a demora para o início do Curso de Formação é que existem alguns problemas com relação às liminares mas, não foram detalhados quais seriam esses problemas. Além disso, o outro motivo mais recente é a pandemia do novo coronavírus.
"Nosso sentimento é de total tristeza e decepção. Porque já era para a gente estar formado, na rua, trabalhando, dando a vida em prol da sociedade capixaba. Mas a gente ainda não tem nenhuma previsão e não vê nenhuma mobilização por parte do órgão competente. A primeira fase aconteceu em agosto de 2018 e a última, em março de 2020, ou seja, um período muito extenso. Nós estudamos muito! Nos esforçamos para conseguir aprovação em todas as etapas desse concurso, que é tão concorrido. Muitos colegas perderam seus empregos porque, na época, tinham que faltar o trabalho para participar de alguma fase. Outros pediram demissão porque acharam que o curso iria começar em determinada data e não começou. Alguns alugaram casa em Cariacica para ficar mais perto de onde seria o curso e pagaram até quatro meses de aluguel. Muitos candidatos estão passando por problemas financeiros", contou Baier.
Para o candidato João Guilherme Gomes Santos, 20 anos, que prestou o concurso assim que completou 18 anos, a sensação também é de decepção e espera.
"Eu e minha família ficamos muito felizes porque eu passei logo que fiz 18 anos. O sonho da minha avó, que faleceu no último dia 29, era me ver fardado e atuando como PM. É uma decepção saber que já se passaram quase dois anos e nada de sermos convocados. O ideal era que, em um ano, o grupo já estivesse formado e atuando. Muitas pessoas pedem mais polícia nas ruas porém, muitas não sabem que existem mais de 700 aprovados apenas aguardando a convocação", desabafou.
Gomes contou que o grupo se organizou para fazer uma vaquinha com a intenção de arrecadar dinheiro para comprar cestas básicas e doar para os candidatos que estão passando por dificuldades e também para comunidades carentes. Além disso, ressaltou que os candidatos entendem a importância do decreto governamental a respeito da pandemia.
"Nós entendemos que a pandemia é uma situação muito delicada e nos solidarizamos com todas as vítimas. Porém, os cursos de formação profissional na área de segurança pública são tão essenciais quanto a atividade da Polícia Militar, que faz o patrulhamento na rua. Nossa intenção não é atacar o governo, mas sim deixar claro que estamos prontos para assumir e começar trabalhar", disse.
O que diz a Polícia Militar
A Polícia Militar informou que está tomando as medidas finais para a conclusão do concurso público para oficial e soldado da PMES.
A PM ressaltou que está em vigência um decreto governamental, como medida preventiva à pandemia de coronavírus que vivemos. No momento, a matrícula dos alunos e o início dos cursos estão suspensos. Destacou ainda que não há risco dos alunos aprovados perderem a vaga e informou que não existe um novo concurso previsto neste momento.
Em nota, a corporação explicou que "a formação militar possui características inerentes à função que exigem a presença física dos candidatos no desenvolvimento das instruções e dos valores que regem nossos pilares institucionais, impedindo a modalidade EAD durante o período de formação. Em meio a uma pandemia, o mais sensato para proteção da saúde das pessoas é uma avaliação criteriosa do momento de liberação de aulas in loco".
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