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Aprovado em Medicina estudou sozinho pela internet: "Primeiro a ter curso superior na família"

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Aprovado em Medicina estudou sozinho pela internet: "Primeiro a ter curso superior na família"


Garantir vaga em uma universidade conceituada é o objetivo de muitos jovens e atingir esse propósito exige dedicação nos estudos. No Estado, quem vai conseguir realizar esse sonho, após estudar sozinho em casa por um ano, é o estudante Pedro Carlos Marques da Silva, 19 anos, que foi aprovado em Medicina na Universidade de São Paulo (USP).

A decisão de prestar vestibular para o curso foi tomada no ano passado e o prazo que o estudante tinha para se preparar até a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), porta de entrada para as universidades públicas do País, ficou apertado.

Mas isso não impossibilitou o ex-aluno de escola pública de correr atrás do seu sonho.

Pedro Carlos em casa, com os livros e notebook que ele usa nas primeiras aulas do curso (Foto: Dayana Souza)Pedro Carlos em casa, com os livros e notebook que ele usa nas primeiras aulas do curso (Foto: Dayana Souza)

“Foi a primeira vez que eu fiz o Enem e estava me preparando desde o início de 2020, estudando muito. No último dia 16, quando vi que havia sido aprovado para Medicina na USP, nem acreditei. Foi um sonho realizado e, hoje, já estou fazendo as primeiras aulas, que estão acontecendo de forma remota”, contou o estudante.

Morador de Jardim Marilândia, em Vila Velha, Pedro é de família humilde e estudou todo o ensino fundamental em escola pública, tendo feito o ensino médio no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Vila Velha, onde também precisou passar por um processo seletivo para conseguir a vaga.

Segundo ele, nunca fez cursinho pré-vestibular e nem mesmo teve acesso a materiais de qualidade.

“Estudei em casa mesmo, pela internet, assistindo a videoaulas gratuitas e deu certo. Fui aprovado entre os cotistas”, revelou o rapaz.

O jovem mora com a mãe, uma cuidadora de idosos, de 46 anos, que cuida do pai, avô de Pedro.

“Ela participou do processo comigo e vibrou muito. Nossa única renda vem dela, pois optei por estudar e não trabalhar. Ela segurou muito bem as pontas e agora veio a recompensa”.

Para concluir o curso, o estudante vai precisar se mudar para São Paulo, devido às aulas laboratoriais, que devem ser feitas presencialmente.

Pedro aposta nos programas sociais oferecidos pela universidade para conseguir se manter.

“A USP oferece auxílio-moradia, transporte, xerox, essas coisas. Se não der certo, vou tentar apoio de parentes, professores e amigos, pois sei que o custo de vida e de materiais é caro”, disse.

Caçula de três irmãos, o estudante Pedro Carlos Marques da Silva, 19 anos, tem muito o que comemorar. Aprovado em Medicina na Universidade de São Paulo (USP), ele será o primeiro integrante de sua família a ter curso superior e também o primeiro médico.

A Tribuna – Estudou muito para conseguir a vaga?

Pedro Carlos Marques da Silva – Eu comecei a estudar no início do ano passado. Estudei até o dia de fazer o Enem. Estudava todos os dias mesmo. Estudei em casa, assistindo a videoaulas pela internet. Não fiz cursinho preparatório.

Por que optou pelo curso de Medicina?

A Medicina foi um objetivo recente, mas, desde o início do ensino médio, eu já desejava um curso na área da saúde. A inspiração veio da questão de afinidade com a grade curricular. Matérias como Anatomia, por exemplo, me atraem.

Você tinha vaga para tentar a Ufes. Por que tentou a USP?

Foi uma questão de construção do currículo. A USP é conceituada. É claro que também pensei na questão da experiência de morar sozinho, em um outro estado.

Qual foi a reação da sua família ao saber que você vai virar médico?

Ficaram muito felizes. Serei o primeiro a ter curso superior e o primeiro médico da família. Sou o primeiro que conseguiu se dedicar aos estudos. Por questões de economia, a maioria não consegue seguir com os estudos.

Já sabe como vai fazer para custear os materiais e sua estadia em São Paulo?

Na verdade, a minha esperança está depositada na concessão de benefício da própria universidade, no auxílio-moradia. O plano B é apelar para a solidariedade de alguns professores, parentes e amigos.

Sete horas de estudos todos os dias

Para conseguir uma vaga no curso de Medicina na Universidade de São Paulo (USP), o estudante Pedro Carlos Marques da Silva, de 19 anos, estudava cerca de sete horas por dia, durante aproximadamente um ano.

Para conseguir manter o filho estudando em casa, a mãe dele, a cuidadora de idosos Maria Amélia Marques, de 46 anos, precisou se dedicar ainda mais ao trabalho.

“Eu estudava cerca de sete horas por dia. Começava a partir das 12 horas e ia até as 19h. Fiz isso até um dia antes do Enem e, devido a essa dedicação total, não pude trabalhar”, contou.

“Minha mãe até se desdobrou no trabalho dela para manter a renda da nossa família, porque só ela que trabalhava”, completou.

Para Maria Amélia, todo esforço feito por ela durante o período em que o filho estava se dedicando aos estudos foi válido.
Segundo ela, a notícia da aprovação do estudante na USP foi recebida com muita felicidade.

“É um orgulho gigantesco. Para mim, não foi sacrifício trabalhar o tanto que trabalhei porque eu via que ele tinha sangue nos olhos para os estudos”, destacou.


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