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AGRO ES

Cooperativas do ES se unem para resistir contra o 'tarifaço de Trump'

Uma das cooperativas busca técnicas para proteger seus produtores e a competitividade do café brasileiro no mercado externo

Cooperativas do ES se unem para resistir contra o 'tarifaço de Trump'
28/08/2025 - 12:43

Imagem ilustrativa da imagem Cooperativas do ES se unem para resistir contra o 'tarifaço de Trump'
Sede da Coopbenevente |  Foto: Clóvis Rangel / AT

Entre sacas de café e pacotes de ração, cooperativas do Espírito Santo se unem para contornar a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Mantendo o espírito cooperativista, elas buscam proteger os empregos, assegurar a renda e sustentar suas operações em meio à instabilidade global.

É o caso da Coopbenevente, situada em Cachoeira Alta, Alfredo Chaves, que se dedica à alimentação animal há quase duas décadas. Essa cooperativa reúne mais de 650 membros e fabrica alimentos para diversos animais, como bois, cavalos, galinhas, peixes, porcos, cachorros e gatos. Nos últimos tempos, a alta nos preços dos ingredientes, como milho e soja, juntamente com a economia instável do Brasil, trouxe dificuldades que exigem atenção e novas ideias.

Enquanto isso, a Cafesul, típica cooperativa de café localizada em Muqui, busca técnicas para proteger seus produtores e a competitividade do café brasileiro no mercado externo. Ambas as cooperativas vêm trocando experiências e implementando ações voltadas à sustentabilidade econômica e social de seus associados, demonstrando que a cooperação é um grande diferencial em tempos de crise.

Segundo o presidente da Coopbenevente, Leone Bull, a estratégia tem sido diversificar produtos, otimizar processos e fortalecer parcerias regionais. “Nosso desafio é equilibrar a elevação dos preços sem repassá-la integralmente ao produtor, garantindo a continuidade da produção e a sustentabilidade da cooperativa”, afirma.

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Leone Bull, presidente da Coopbenevente, falou sobre os desafios dos capixabas |  Foto: Clóvis Rangel / AT

Bull destaca que o mercado local sofre com a falta de regulamentação. Para evitar a queda dos preços, muitos produtores retêm e não abastecem o mercado nacional. “Isso atrapalha. A maioria das atividades econômicas depende de insumos que, atuais ou históricos, sofrem influência da taxa de câmbio, afastando 41% do preço final. É uma situação incerta. Nossa cooperativa compra soja de uma multinacional, inclusive em condições de destaque.”

Buscando inovação, a Coopbenevente investe em uma nova fórmula com maior teor de proteína há quase um ano. Atualmente, produz cerca de 40 toneladas por mês em mais de 25 opções de ração. A cooperativa passou a utilizar DDG, um coproduto do etanol de milho, e também incorporou probióticos. Segundo Bull, isso melhorou a qualidade das rações e gerou ganhos econômicos que, no ano passado, corresponderam a um lucro de cerca de R$ 12 milhões.

“Como veterinário, sugeri adicionar DDG à ração das vacas leiteiras. É um alimento altamente proteico, com boa aceitabilidade pelos ruminantes e de custo mais baixo. Essa inovação nos permite oferecer nutrição de qualidade, tornando a cooperativa competitiva e fortalecendo a cadeia produtiva regional”, explica.

Segundo Leone Bull, o sucesso da Coopbenevente é fruto do espírito cooperativista, da inovação constante e do enfrentamento coletivo de crises. Assim como a Cafesul, a cooperativa demonstra que união, planejamento e criatividade transformam desafios em oportunidades, fortalecendo produtores, trabalhadores e a economia local.

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Coopbenevente, em Alfredo Chaves |  Foto: Clóvis Rangel / AT

Planejamento contra os desafios

À medida que a Coopbenevente impulsiona o ramo de alimentação animal, a Cafesul se consolidou como um dos nomes mais importantes do cooperativismo cafeeiro no Espírito Santo.

Criada em 1998, a Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado possui cerca de 180 cooperados de sete cidades da região e reagiu ao aumento de 50% nas tarifas, aplicado pelos Estados Unidos às vendas brasileiras, com planejamento e novas ideias, preservando sua produção, focada principalmente na Europa, um mercado que exige elevados padrões de qualidade e respeito ao meio ambiente.

Durante seus 25 anos, a Cafesul integrou cafeicultores de pequena escala e impulsionou a agricultura familiar, alcançando destaque tanto no Brasil quanto no exterior.

Um avanço importante em sua reputação aconteceu em 2008, quando recebeu a certificação Fairtrade (Comércio Justo), assegurando um valor mínimo em dólares e bônus sociais, que são investidos novamente nas comunidades da região. Em um feito inédito, a cooperativa conquistou um novo marco: foi pioneira no país a receber a certificação orgânica para o café conilon, o que facilita novas oportunidades de venda para outros países.

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Carlos Renato Alvarenga Theodoro, presidente da Cafesul |  Foto: Clóvis Rangel / AT

A Cafesul não se dedica apenas à inovação, mas também à promoção da inclusão. Por meio do projeto Póde Mulheres, aumentou a participação feminina tanto na administração quanto no cultivo, empoderando as produtoras de café. Além disso, membros da cooperativa conquistaram diversas premiações pela excelência de seus produtos e participam de eventos internacionais, divulgando o conilon do Espírito Santo em mercados exigentes.

A situação, contudo, permanece complexa. O Brasil vende aproximadamente 8 milhões de sacas de café anualmente para os EUA, e essa possível taxação extra gera apreensão no mercado.

Segundo Carlos Renato Alvarenga Theodoro, presidente da Cafesul, há motivos para otimismo de que o café não será incluído entre os itens com impostos elevados. Para ele, a manutenção dessa tarifa pode aumentar a inflação e trazer consequências políticas desfavoráveis para o governo Trump.

"A cada dólar gasto pelos EUA na importação de café, a economia interna se beneficia em 47 dólares, impulsionando toda a cadeia produtiva. O setor cafeeiro é um pilar, mantendo mais de 2 milhões de postos de trabalho e respondendo por aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto americano, com 76% dos cidadãos consumindo a bebida”, finaliza.

Análise

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Carlos André Santos de Oliveira, Diretor-executivo do Sistema OCB/ES |  Foto: Clóvis Rangel / AT

“Os Estados Unidos são nossos principais parceiros comerciais, recebendo cerca de 35% da safra capixaba de café conilon em 2024, além de serem destino relevante para a pimenta-do-reino, o gengibre e a macadâmia produzidos no Espírito Santo. As novas tarifas trazem desafios enormes para nossas cooperativas, especialmente àquelas ligadas a esses setores. Mas esse cenário também reforça a importância da união. As cooperativas capixabas estão bem assessoradas, articuladas em âmbito estadual, nacional e internacional, além de estarem preparadas para defender os interesses dos produtores. É nesse espírito de cooperação e diálogo que enfrentaremos esse momento, mostrando que os produtos provenientes do cooperativismo capixaba são estratégicos não só para o Brasil, mas também para o mercado americano”.

por Carlos André Santos de Oliveira, Diretor-executivo do Sistema OCB/ES

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