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"Acertei em todas as decisões na pandemia", afirma Casagrande

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Política

"Acertei em todas as decisões na pandemia", afirma Casagrande


Pacificar o Brasil diante da crise institucional entre os poderes, desafios, retomada econômica e incertezas sobre a disputa nas próximas eleições. Esses foram alguns dos temas abordados pela reportagem na entrevista com o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB).

A Tribuna – Qual é a expectativa de retomada econômica no pós-covid-19 no Estado?

Renato CasagrandePrimeiro, os capixabas podem ter certeza de que a gente vai continuar fazendo uma gestão muito responsável da pandemia. Temos que ter a compreensão de que vamos ficar este ano e certamente nos próximos meses, próximos anos, reforçando com vacinas e tomando cautelas e cuidados necessários.

Fizemos diversas medidas de proteção as atividades econômicas e sociais e também de fortalecimento das famílias mais vulneráveis, trabalho que não parou e não vai parar neste momento.

Ao mesmo tempo, conseguimos atrair empresas para o Estado porque procuramos não parar, procuramos fazer a gestão da pandemia de forma muito atenta, mas não paramos nossas obras, atividades.

Avançamos muito com infraestrutura, saneamento básico, mobilidade, reestruturação do sistema de saúde, mas agora a nossa maior preocupação é com a educação porque tivemos mais de um ano com jovens fora da sala de aula devido à pandemia.

Qual é o planejamento para tentar reduzir esse déficit?

Lançamos o Programa Capixaba de Fomento à Implementação de Escolas Municipais de Ensino Fundamental em Tempo Integral.

Em cinco anos, serão aplicados R$ 810 milhões para que os municípios possam ampliar o ensino integral dos seus alunos do ensino fundamental nível I.

O Estado avançou bem, mas os municípios não avançaram tão bem. Temos hoje 93 escolas em educação em tempo integral na rede estadual e para o ano que vem vamos abrir pouco mais de 30 escolas em tempo integral na rede estadual.

Agora estamos financiando os municípios, que receberão R$ 3 mil por aluno matriculado no ensino integral. Com isso, vamos abrir 90 mil vagas para o ensino integral, sendo 30 mil por ano, a partir de 2022.

Fizemos muitos investimentos para aquisição de laboratórios e equipamentos. É um esforço que estamos buscando desesperadamente para poder recuperar, de fato, aquilo que foi perdido. Nós perdemos muito porque somos o Estado com melhor ensino médio no Brasil. Quem tem mais perde mais numa hora dessa.

Casagrande disse que não cabe ao governador falar sobre impeachment (Foto: Antonio Moreira/AT)Casagrande disse que não cabe ao governador falar sobre impeachment (Foto: Antonio Moreira/AT)

Diante da redução de mortes, baixa ocupação em leitos hospitalares, até o final do ano o uso da máscara poderá deixar de ser obrigatório no Estado?

Ainda não dá para anunciar nenhuma antecipação da máscara. Nós vamos precisar continuar usando a máscara. Não sei até quando. É difícil a gente falar em datas. Estamos avançando muito. De fato, a gente conseguiu estabilizar a pandemia, mas não dá para dizer até quando vamos continuar a conviver com esses protocolos que hoje estão sendo exigidos.

Mas a decisão será do senhor ou vai aguardar a deliberação pelo Ministério da Saúde?

Não. Eu tenho equipe técnica, Comitê Científico, no Estado, que me orienta. Tem nossa equipe da saúde, profissionais que voluntariamente ajudam o nosso conselho. A decisão será tomada no momento certo.

Pelas projeções, a virada do ano deve ser com festas? E a tradicional queima de fogos?

Festas com 100 mil pessoas ainda não. Quanto à queima de fogos, nós estamos no mês de setembro. A cada semana a gente dá um passo.

Demos um passo de autorizar shows de até 600 pessoas com comprovante de vacinação. Pode ser que para outubro possamos dar mais um passo, por exemplo, autorizar um número maior de pessoas em ambiente aberto. Mas falarmos hoje para outubro já está distante e, para dezembro, está mais distante ainda.

Falando sobre eleições, o senhor entrará no páreo nacional ou vai disputar a reeleição?

Ainda estou refletindo. O meu partido me convidou para eu ser candidato à Presidência da República, mas eu não sei se serei candidato, não tenho essa convicção e, se for, não sei qual será o cargo que disputarei.

Eu preciso cuidar do governo, da pandemia, temos muitos desafios pela frente.

Há muitos candidatos para disputar a eleição e eu vou discutir esse assunto só a partir de abril do ano que vem, depois que as regras todas tiverem definidas.

As regras ainda vão ser definidas e o ambiente político vai demonstrar se vai ter clima para poder disputar a eleição, porque o Brasil era um até o dia 7 (de setembro), e hoje é outro. Então, fazer planos há longo prazo pode não dá certo. O que dá certo é eu ficar todo dia cuidando do governo.

Passei momentos difíceis na pandemia, adotei medidas muito duras que exigiram que eu pudesse às vezes enfrentar opiniões diferentes na sociedade, mas posso dizer que acertei em todas as decisões. A gente fez pesquisa de acompanhamento e o nível que nós tivemos de apoio foi de 75%.

Partidos têm anunciado oposição ao governo federal, como o PSDB. Alguns sinalizam impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Qual a posição do senhor em relação a isso?

O PSB é oposição ao governo federal desde sempre. O PSDB anunciou agora. Lógico que eu, como governador, tenho relação institucional com o governo federal, os ministros e quero manter isso porque é minha tarefa.

Cabe aos partidos decidirem se apoiam o impeachment ou não. O PSB já aprovou no passado o pedido, mas cabe ao partido tratar desse assunto. Eu, como governador, não estou tratando disso.

Vivemos um momento de muita dificuldade para a população brasileira, temos um enfrentamento cotidiano dos líderes das instituições do Brasil, temos o nosso Presidente com um estilo muito aguerrido, de enfrentamento. Esse estilo do Presidente provoca uma instabilidade permanente.

Essa instabilidade está presente agora, mas ela vem desde um pouco antes do afastamento da presidente Dilma, depois com Michel Temer e agora com Bolsonaro.

Ela provoca inflação, porque a instabilidade faz com a gente não tenha segurança de investidores e dos brasileiros. A instabilidade provoca a saída de divisas e riquezas do País, reduz o poder de compra dos brasileiros, aumenta o dólar e, aumentando o dólar, aumenta o preço do petróleo e, consequentemente, do combustível.

Isso está tirando a esperança da população, que já convive com quase dois anos de pandemia. A hora que ela achou que o Brasil pudesse alçar voo, o País não consegue acertar o seu passo pelas disputas institucionais. Então, isso está assoreando a esperança dos brasileiros.

A pauta que nós temos que pautar com o povo brasileiro é a do emprego, da renda, do alimento, do combate à pobreza. Não é a pauta de voto eletrônico, do fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pela sua experiência, o que é preciso ser feito de imediato para estabilizar a crise?

Não é uma tarefa fácil. Todos nós estamos pedindo pacificação, inclusive os governadores se reuniram, foi feita uma proposta de pacificar as relações, fomos ao presidente do Senado (Rodrigo Pacheco), estávamos marcado para ir ao presidente da Câmara (Arthur Lira), ao presidente do STF (ministro Luiz Fux), mas esse ambiente azedou mais do dia 7 (de setembro) para cá porque a instabilidade aumentou.

O diálogo é o caminho que nos leva a conviver com divergências. Ninguém precisa ficar concordando com tudo que o outro faz, mas temos que dialogar. Não podemos desistir, temos que pregar entre as instituições o diálogo e a maturidade para ter um ambiente que possa devolver a esperança à população.