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Ação social e as lições da catástrofe em Iconha
Tribuna Livre

Ação social e as lições da catástrofe em Iconha

Adolfo Correia da Rocha (Miguel Torga) é um escritor e médico português em moda atualmente. Falando de seu país, fala, na verdade, de todos nós: “É um fenômeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma coletividade pacífica de revoltados.”

Em tempos de catástrofes, existem pessoas que por motivo profissional ou pessoal, não podem sair de onde estão para trabalhar no local das catástrofes ou áreas vulneráveis.

Com a recente tragédia de Iconha e outros municípios do Espírito Santo, assistimos ao ser humano dividir-se entre os que vão e ajudam os que precisam e os que não vão e criticam os que foram: “Fulano só quer aparecer”, “Beltrano nem sujou a roupa”. Fulano e Beltrano, porém, de qualquer modo, estavam lá. Não estavam encastelados atrás do escudo hipócrita da rede social.
Iconha e demais municípios atingidos pelas chuvas nos ensinam que há sempre um recomeço, um horizonte.

E, mais uma vez, é Miguel Torga quem nos diz: “Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”

A ação social, com as chuvas recentes, mostrou-se em sua feição verdadeira, na forma de ações voluntárias, sem visar lucro, cada um contribuindo como podia, não só dinheiro ou bens, mas também desde as prontas medidas governamentais de emergência até um abraço, uma xícara de café, trazidos pelo cidadão anônimo.

Seja em eventos catastróficos, como as chuvas recentes, seja em panoramas continuados, como as áreas de população vulnerável existentes, faz a diferença quem age, não quem se indigna apenas.
Não tem dinheiro? Doe atenção. Não pode ajudar a todos? Comece ajudando um só, como dizia Madre Tereza de Calcutá.

Nossa capacidade de criar o problema deve ser menor do que a de resolvê-lo. O homem age sobre o planeta. Se, por um lado, a natureza tem sua dinâmica própria, pouco se importando com o homem, este também age alterando o meio em que vive. De qualquer forma, a resposta do meio ambiente virá.

Os eixos de uma ação social eficaz são: trabalho, atendimento a pessoas e comunidades em situação de risco, mobilização de prefeituras, ações com baixo orçamento. Quando as ações sociais são reunidas num programa específico, transformam-se em “assistência social”.

Não é preciso, porém, esperar que aconteçam políticas públicas. A construção de uma rede de ações sociais isoladas que terminam por se identificar num fim comum, o bem de todos, é eficaz.

Ação social não é atributo de um governo ou pessoa, é dever de todos. É dever de consciência, e, para alguns, também dever funcional, mas é sempre dever. Ação social é arregaçar as mangas.

Líbero Penello de Carvalho é delegado de Polícia Civil, professor e escritor.

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