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A digitalidade, a economia da atenção e o mercado do olhar
Tribuna Livre

A digitalidade, a economia da atenção e o mercado do olhar

A digitalidade se incrementa em ritmo ansioso. E o vírus só faz multiplicar a pandemia da informacionalização, em expansão há cinco décadas. Nossa vida nunca foi tão digital como neste 2020. Mas não sem agravar os muitos sintomas perversos dessa alienação às “maravilhosas” máquinas calculistas e seus senhores que calculam.
Um dos mais dramáticos sinais destes tempos é a busca insana pela captura e negociação dos nossos olhares. Trata-se de um verdadeiro balcão de doutrinações múltiplas, fazendo girar negócios que monetizam a alma a partir do que se vê. O olhar – e o que ele enseja e pressupõe – é a commodity essencial da economia da atenção.

Nos anos 1970, o Nobel de Física Herbert Simon já antevia a questão econômica fundamental do século XXI: “O que a informação consome é bastante óbvio, consome a atenção dos seus destinatários. Assim, uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção”.

Imagine a vertigem dessa dinâmica, quando a vida toda vira informação coletável e processável. Imagine quando tudo se disponibiliza em telas atualizadas num piscar de olhos, ou menos. Imagine quando as narrativas midiatizadas se tornam a referência de realidade...

Pare de imaginar. Este é o nosso mundo: do existir transformado em informação e do viver transtornado em luta por atenção. Luta mercantil, tocada por quem fatura com a atenção alheia, alvo tanto das empresas mais valiosas do planeta, as “big techs”, como dos malabaristas influencers. Luta angustiante, por parte de sujeitos tragados pela insanidade informacional tentando salvar alguma migalha de atenção àquilo que pode ser essencial – ou não.

Essa economia da atenção, a exemplo da economia do trabalho, afeta um dado estrutural do humano. Conforme Lukács, a capacidade laboral é o marco zero da humanidade, mantendo-se como algo inescapável à nossa condição, ainda que muitas vezes explorada de forma absolutamente desumana. Agora, chegamos ao mercado do olhar, para a psicanálise, uma potência subjetiva estruturadora de laços primevos com a função materna e, para sempre, uma articuladora de enlaces sociais os mais diversos.

Testemunhamos, assim, um passo decisivo do modo de produção que, se antes focava na força de trabalho e na constituição de “corpos dóceis” ajustados às máquinas, à la Foucault, hoje rastreia as pegadas digitais para aprisionar olhares, que, colados às telas, hipnotizam-se nos alçapões de atenção para nutrir o algorítmico negócio do espírito, do comportamento, da opinião, do ódio, da fé, das compras, do voto...

Mas parece que ainda não acordamos para esta nova realidade de monetização da vida, pois estamos distribuindo nosso quinhão de atenção como se estivéssemos num parque de diversão.
Como já se apregoa, “quando o produto é de graça, a mercadoria é você”. E hoje você se resume a seu olhar. Já passou da hora de abrir os olhos de verdade, e acordar: a atenção é o que faz a economia do mundo girar. Afinal, para o bem e para o mal, a tecnologia não é nada sem a nossa alma.

José Antônio Martinuzzo é doutor em Comunicação, pós-doutor em Mídia e Cotidiano, professor na Ufes, membro da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória.

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