Especialistas explicam os riscos das variantes do coronavírus
Enquanto a esperança de um controle da pandemia de Covid-19 avança com a vacinação, a velocidade de transmissão de novas variantes continua deixando especialistas em alerta.
A médica infectologista Ana Carolina D'Ettorres explicou que existem, hoje, diversas mutações do vírus, mas algumas delas se destacam por terem atingido maior capacidade de disseminação.
Entre elas, a médica citou as variantes chamadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de Alpha (inglesa), Beta (sul-americana), Gama (brasileira) e Delta (indiana).
“São as quatro variantes de maior expressão mundial atualmente. Nelas, existem diferenças estruturais nas proteínas que compõem o vírus, provocadas por mutações, principalmente na proteína spike, que é responsável pela invasão do vírus na célula”.
Todas, segundo Ana Carolina, são potencialmente graves, mas nenhum estudo comprovou maior letalidade por algumas das variantes.
“A variante inglesa parece provocar doença em formas um pouco mais graves. Já a variante Delta parece ter uma taxa de transmissibilidade maior que as demais. Isso preocupa, pois acelera a velocidade de transmissão da doença, em um cenário de baixa cobertura vacinal, como no Brasil”.
Doutor em Imunologia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Daniel Gomes reforçou que todas as vacinas disponíveis no País protegem contra as variantes, no entanto, a proteção é conferida após a aplicação da segunda dose.
“No caso da variante Delta, por exemplo, é possível que tenha uma resistência à resposta imunológica, causando infecção mesmo em pessoas que tomaram a primeira dose. Por isso, a necessidade de não deixar de tomar a 2ª dose”.
Quanto a sintomas e formas de transmissão, ele frisou que as diferenças entre elas não são muitas, por se tratar de vírus respiratório.
A professora da Ufes e epidemiologista Ethel Maciel citou o resultado de um estudo recente feito no Canadá, segundo o qual, algumas variantes têm maior impacto quando a pessoa tomou uma só dose.
“Por isso, neste momento, é muito importante encurtar o intervalo entre a primeira e a segunda dose, para ter mais pessoas com esquema vacinal completo para diminuir a infecção”.
Saiba mais
Variantes de preocupação
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Por causa da maior capacidade de transmissão, da apresentação de casos graves ou pela possibilidade de escapar da imunidade adquirida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica quatro das variantes do novo coronavírus como variantes de preocupação.
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Para reduzir os estigmas geográficos, a OMS mudou a nomenclatura para facilitar a identificação dessas variantes pelas letras do alfabeto grego: Alpha (Reino Unido), Beta (África do Sul), Gama (Brasil) e Delta (Índia). Todas já têm casos registradas no Brasil.
As variantes
1 - Alpha (B.1.1.7)
Origem: Reino Unido
Registro: Setembro de 2020
Características
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Assim como outras variantes na lista da OMS, entre as características da variante britânica, está a maior capacidade de transmissão. Há estudos que apontam que ela é 50% mais transmissível do que a cepa originária de Wuhan, na China. Outros também indicam que ela pode estar associada a uma maior taxa de mortalidade em relação a cepas originárias.
2 - Beta (B.1.351)
Origem: África do Sul
Registro: Maio de 2020
Características
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A variante sul-africana também é mais transmissível, mas não tanto quanto a Alfa. É investigada por um aumento de mortalidade em indivíduos já hospitalizados, fato ainda não confirmado.
3 - Gama (P.1)
Origem: Brasil
Registro: Novembro de 2020
Características
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Também é mais contagiosa e há estudos que apontam que tem mais chances de provocar reinfecções que outras cepas.
4 - Delta (B.1.617.2)
Origem: Índia
Registro: Outubro de 2020
Características
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Entre as principais características da variante indiana, assim como as outras três variantes que causam preocupação, é a maior velocidade com que se espalha.
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Segundo estimativas, ela é 50% mais transmissível do que variantes anteriores. Com um número maior de infectados, há também maior chance de mais pessoas desenvolverem a Covid-19 na forma mais grave.
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Um estudo publicado no fim de junho na revista científica The Lancet também indicou que o risco de internação é maior para uma pessoa infectada pela variante Delta do que para outras variantes.
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Outro estudo, publicado em junho no periódico científico Cell, por um grupo internacional de pesquisadores, mostrou ainda que a chance de pegar a Covid-19 uma segunda vez é maior com a chegada da variante Delta.
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Outra diferença estaria nos sintomas. No caso da Delta, os sintomas mais comuns são dor de cabeça, coriza, espirros e dor de garganta– inicialmente, mais parecidos com os de uma gripe comum. O mesmo estudo aponta que sintomas que antes eram muito frequentes, como a perda de olfato (anosmia) e a febre, são menos comuns com a variante Delta.
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Vacinação
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Estudos mostram que pessoas vacinadas contra a Covid-19 têm risco muito menor de serem hospitalizadas ou desenvolverem a forma mais grave da doença, devido a qualquer uma das variantes em circulação. No entanto, as vacinas se mostram mais eficazes quando as duas doses são aplicadas.
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De acordo com a OMS, todas as vacinas validadas pela instituição (o que inclui os imunizantes usados atualmente no Brasil) podem evitar a forma grave, embora as taxas de eficácia contra a doença sintomática sejam diversas.
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No entanto, nenhuma vacina tem 100% de eficácia contra o risco de morte por Covid, e a variante Delta parece ser mais resistente aos anticorpos do que as demais variantes do coronavírus. As taxas de proteção contra a variante tendem a ser menores, de acordo com estudos divulgados.
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Como se proteger
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Como o Sars-CoV-2 (da Covid) se trata de um vírus respiratório, as formas de transmissão são semelhantes, assim como a forma de se proteger também contra ele. As variantes não têm um mecanismos de transmissão diferente, mas uma capacidade melhor de entrar nas células humanas, uma vez em contato com o corpo.
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Assim, o uso da máscara, o distanciamento social e a higiene das mãos são essenciais e devem ser realizados da maneira correta. Além disso, é importante tomar a vacina assim que ela estiver disponível para seu grupo.
Fonte: Especialistas consultados e Agência O Globo.
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