Prazo de validade: Cidades correm e fazem mutirão para não perder vacinas
Cidades do interior do Espírito Santo tiveram que mudar os rumos da vacinação contra a Covid-19, nesta sexta-feira (21), para não perder doses do imunizante da Pfizer, que têm validade de apenas cinco dias quando armazenadas à temperatura de +2°C a +8°C.
O motivo foi a baixa procura pela vacina por parte de grávidas e gestantes e, na correria contra o tempo para que as doses não perdessem a validade, equipes de saúde realizaram mutirões, drive-thru e até foram na casa de moradores em busca de pessoas comorbidades para tomar a vacina.
Essas situações foram observadas em cidades como Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, Linhares, São Mateus e Aracruz, no Norte capixaba, e Colatina, na região Noroeste.
Esses municípios receberam da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) doses da Pfizer para realizar a vacinação de grávidas e puérperas (mulheres que tiveram bebê nos últimos 45 dias).
Nesta sexta, Cachoeiro de Itapemirim realizou a vacinação desse grupo, porém a procura pelo imunizante foi baixa e sobraram 380 doses da vacina.
Como o prazo de validade termina nesta sexta, equipes de saúde do município aplicaram as vacinas restantes em pacientes com comorbidades, com idade entre 30 e 59 anos. Em alguns casos, os profissionais foram até a casa dos moradores em busca dessas pessoas, que precisaram ir até a unidade de saúde receber a imunização.
Em Colatina, a prefeitura informou que as doses restantes da Pfizer, que sobraram após baixa procura por vacinação de grávidas e puérperas, foram aplicadas nesta sexta-feira (21) no público prioritário formado por pessoas com comorbidades, de 45 a 49 anos.
"Com isso, as doses foram esgotadas. A decisão sobre a destinação das doses restantes foi tomada em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde", explicou em nota.
Baixa procura pela vacina entre grávidas e puérperas também foi registrada em Aracruz. A Secretaria de Saúde do município informou que recebeu 1.100 doses da vacina Pfizer e vacinou grávidas e puérperas das cidades de Aracruz, João Neiva, Ibiraçu e Fundão.
"As vacinas que sobraram foram otimizadas para pessoas com comorbidades. Todas as vacinas foram distribuídas porque tinham o prazo de vencimento no dia de hoje (21/05) devido a sua refrigeração", disse em nota a secretaria.
São Mateus também teve que mudar o grupo alvo da vacina Pfizer para não perder doses devido à baixa procura pelas doses pelas gestantes e puérberas. "O município decidiu usar o restante das doses para vacinar o grupo de pessoas com comorbidades acima dos 18 anos e professores", informou em nota.
Em Linhares, a prefeitura realizou um drive-thru nesta sexta para vacinar as grávidas, puérperas e pessoas com comorbidades de 30 a 59 anos da cidade.
Na Grande Vitória, Cariacica informou que ainda há doses sobrando para a vacinação de gestantes e puérperas.
"A Secretaria Municipal de Saúde de Cariacica informa que existe procura, entretanto insuficiente, uma vez que o município planeja vacinar aproximadamente 4 mil gestantes, e foram aplicadas apenas 207 doses para este público".
Na próxima semana, um novo agendamento deve ser aberto para vacinar 2.500 pessoas desse grupo. "Para evitar perdas, o município busca as doses aos poucos, conforme o agendamento previsto para os dias seguintes, tendo em vista que a orientação é para utilizar em até cinco dias após ser colocada em temperatura positiva".
A secretaria informa que a prioridade dessas doses é para grávidas e puérperas, mas a Sesa orientou que as doses podem ser aplicadas em pessoas com comorbidade, caso necessário.
Entenda
A vacinação de grávidas e puérperas no Estado foi iniciada no início de maio. Inicialmente, a imunização delas seria feita com a AstraZeneca, mas a aplicação da vacina nesse grupo foi suspensa, após a morte de uma grávida no Rio de Janeiro.
Para dar continuidade a campanha de vacinação desse grupo, a Sesa decidiu pela utilização da Pfizer, após a orientação do governo federal.
A secretaria definiu cidades capixabas para funcionarem como locais de vacinação para esse grupo prioritário e assim superar as questões específicas de armazenamento da vacina.
Esse imunizante tem validade de apenas cinco dias quando armazenado à temperatura de +2°C a +8°C, que é o caso dessas cidades, onde houve ações para aplicar as doses restantes da vacina e não perdê-las.
A vacina da Pfizer dura até 14 dias à temperatura de -25°C à -15°C e durante toda a validade (seis meses) em freezer de ultra baixa temperatura (-80°C à-60°C).
Comentários