“Não fazer o aborto não teve viés religioso ou ideológico", diz superintendente do Hucam
A superintendente do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), Rita Checon, argumentou que a decisão de não realizar o aborto na menina de 10 anos, estuprada pelo tio em São Mateus, foi tomada de forma técnica sem nenhum viés religioso, ideológico ou alguma interferência externa. Ela deu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (17), ao lado do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.
O secretário explicou que a criança foi recebida no hospital e colocada em uma enfermaria individual, onde passou por avaliação médica e foi constatado que estava com uma gestação de 22 semanas e 4 dias e peso fetal de 537 gramas.
Após esse diagnóstico, a equipe médica fez uma avaliação do caso. “Seguimos estritamente o protocolo do hospital e a nota técnica do Ministério da Saúde, não fugimos da responsabilidade de avaliar o caso”, disse a superintendente da unidade.
A nota técnica do Ministério da Saúde estabelece o abortamento legal para os casos onde o feto está com menos de 22 semanas e com o peso fetal abaixo de 500 gramas, de acordo com Rita Checon.
“Baseado nisso, tomamos a decisão de não fazer o abortamento, mesmo estando previsto em lei em casos específicos. Ela tinha critérios, porém eles não estavam baseados no protocolo do Ministério da Saúde”, disse a superintendente.
Por conta disso, houve a negativa do abortamento por conta do Hucam. “Por não termos capacidade técnica para conduzir uma interrupção do parto. Por isso, buscamos outras formas para que isso acontecesse de forma segura”, acrescentou.
“Diante dessa negativa absolutamente técnica, onde não houve viés religioso, ideológico e nenhuma interferência externa, a Secretaria Estadual de Saúde foi informada para que buscássemos uma outra forma de resolver”, contou a superintendente.
O secretário de Saúde disse que foram então analisadas algumas opções para a transferência da criança, já que tanto na rede pública quanto privada do Estado não existe hospital capacitado para realizar esse procedimento.
"Passamos então a buscar alternativas para que isso pudesse acontecer, para que a menor tivesse esse acesso. Formalizamos o pedido ao hospital de Pernanbuco, onde foi aceito ainda na noite de sábado e a transferência realizada no domingo de manhã", disse o secretário.
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