Ele foi demitido por causa da pandemia, diz irmã de homem que infartou na fila da Caixa
A necessidade de sacar o dinheiro do auxílio emergencial pago pelo governo federal fez com que o operador de máquinas Antonio de Oliveira, de 55 anos, madrugasse em frente a uma agência da Caixa Econômica Federal em Serra-Sede, na Serra. Ele teria chegado por volta das 2h40 da madrugada de terça-feira (5).
Após esperar na fila por seis horas, o trabalhador que é hipertenso, diabético e perdeu o emprego por conta da crise provocada pela pandemia da Covid-19 teve um infarto. Por volta das 8h40, Antonio passou mal enquanto esperava pelo atendimento na Caixa.
Ele está em estado grave, internado no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), em Vitória. Até o fechamento da edição, o hospital não forneceu mais informações.
Segundo Vera Lúcia David, pensionista de 59 anos e irmã de Antonio, ele teve três paradas cardíacas até o início da noite de terça.
“Ele está muito mal. É hipertenso e diabético. Fuma e bebia muito. Só parou porque o médico disse que se ele não parasse, iria morrer. Na fila, ele ficou nervoso com a situação e passou mal. Só está vivo porque o reanimaram”, explicou.
Desempregado há dois meses devido a cortes feitos na empresa onde trabalhava em São Mateus, Antonio viu no benefício uma forma de ajudar a pagar as contas da casa e ajudar a irmã, com quem mora há 25 anos, após ficar viúvo.
“Moramos numa quitinete de três cômodos, eu, meu filho, dois netos e o Antonio. Agora, estamos sobrevivendo com o dinheiro da minha pensão, que é de um salário mínimo, porque o Antonio e o meu filho estão desempregados. Ambos foram dispensados por causa da pandemia”, disse Vera.
Ainda segundo Vera, a família não está numa situação mais crítica porque estão recebendo ajuda da comunidade de Planalto Serrano, na Serra, onde moram. “Passamos dificuldades, mas só não está pior porque recebemos cestas básicas da igreja, da escola das crianças e de um projeto social”.
A pensionista destacou que a filha de Antonio, que mora em Paul, Vila Velha, ainda não sabia da situação do pai. “Estamos tentando falar com ela, mas o número deve estar errado. Ela vai ficar sabendo pela televisão e pelo jornal.”
Na manhã desta quarta-feira (6), Vera disse para o Tribuna Online que o irmão continua em estado grave.
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