Amor de internet vai virar casamento entre aposentada e gaúcho
Separados por 1.500 quilômetros, aposentados de 72 e 82 anos noivaram após romance em aplicativo e vão se conhecer direto no altar
Alianças nos dedos, casamento marcado e muito amor envolvido. Seria um noivado como qualquer outro, não fossem dois detalhes: a distância de mais de 1.500 quilômetros entre Alvorada (RS) e Guarapari e o início de um romance na terceira idade.
A história é do casal de aposentados Maria Geralda de Assis, de 72 anos, e Ramão Gonçalves, de 82. Ela é natural de Minas Gerais, mas mora no litoral capixaba há dois meses. Ele é gaúcho, da região metropolitana de Porto Alegre.
Romance em aplicativo cristão e noivado em 15 dias
Evangélicos, eles se conheceram em um aplicativo de namoro cristão há exatos cinco meses. Desde então, construíram uma relação de cumplicidade e amor, que culminou em um pedido de casamento e no envio das alianças de noivado pelos Correios.
“Eu sou cristã e sempre pedi a Deus para me abençoar com um homem que pudesse me fazer feliz de novo depois de me tornar viúva,” conta dona Geralda.
Depois de algumas tentativas frustradas com outros pretendentes, ela conheceu seu Ramão. Quinze dias depois, o relacionamento evoluiu para um noivado, com casamento marcado para o dia 19 deste mês.
Seu Ramão desembarca no Estado no dia 14, acompanhado da neta, para o primeiro encontro presencial do casal.
“Nós combinamos o casamento, eu comprei as alianças e enviei pelos Correios quando ela ainda morava em Conselheiro Lafaiete (MG). Minha curiosidade é saber a altura dela, mas, sendo baixinha ou alta, eu quero igual”, diz Ramão.
Famílias apoiam e torcem pelo casal
Quem acompanha de perto o desenrolar da história são a filha e o genro de dona Geralda, os corretores de imóveis Ivana Marçal e Adriano Apolinário, além dos filhos de Ramão. Caçula de quatro irmãos e única filha da aposentada, Ivana fez questão de trazer a mãe para Guarapari, onde mora há cinco anos.
“Quando ela comentou que estava namorando, eu não levei muito a sério, mas, quando ele mandou as alianças, vi que tinha algo acontecendo. Enquanto há vida, há esperança”, resume Ivana.
Um dos maiores entusiastas da relação, o genro Adriano tinha certeza de que alguém apareceria para a sogra.
“Eu orava todos os dias e falava que iria aparecer um homem de Deus no caminho dela. E, em poucos dias, apareceu”, conta.
Enquanto aguardam ansiosos pelo grande encontro, Geralda e Ramão já têm um apartamento reservado para viverem como casados em Guarapari.
“Eles vão ficar o tempo que precisarem até decidirem onde vão morar juntos”, afirma a filha de Geralda.
“O amor não tem idade, nem cor, nem distância”
A Tribuna: Como e onde surgiu esse namoro pela internet?
Maria Geralda de Assis: Eu sou cristã e sempre pedi a Deus que me abençoasse com um homem que pudesse me fazer feliz. Sou viúva há quatro anos e tinha o sonho de ter um companheiro novamente. Pedi orações para minha filha e meu genro e conheci um aplicativo de namoro cristão. A quinta pessoa que conheci foi ele. Depois de 15 dias, ele me pediu em casamento e eu aceitei. Ele viria em maio do ano que vem, mas a neta dele disse que conseguiria acompanhá-lo agora, em novembro, e então marcamos a data.
Ramão Gonçalves: Fui casado por mais de 50 anos e, há dois anos, perdi minha esposa, de quem cuidei durante muito tempo. Depois disso, passei a procurar pessoas na internet com quem pudesse me relacionar, e nós nos demos muito bem. Combinamos de nos casar, comprei as alianças e as enviei pelos Correios.
Vocês conversam todos os dias? Como é a rotina?
Geralda: Nós conversamos quase toda hora. De manhã, antes mesmo de levantar, já conversamos por vídeo. Depois, levantamos, oramos e tomamos café juntos. Se temos oportunidade, conversamos também na hora do almoço. À tarde e à noite, antes de dormir, também nos falamos.
Qual conselho vocês deixam para quem busca um amor na terceira idade ?
Geralda: Continuem tendo fé em Deus. Quando a pessoa pede com fé e deposita sua confiança em Deus, ela é feliz. Esse é o nosso caso. Ele nos proporcionou isso para sermos felizes, o que é uma coisa muito linda para a idade que temos. Muitos podem duvidar ou criticar, mas nós não nos importamos. O amor não tem idade, nem cor, nem distância.
Ramão: Acho que tem muita gente que não acredita no amor na terceira idade, mas aconselho que todos os idosos se amem, se abracem e gostem uns dos outros. Isso é normal, foi feito por Deus. Por que vamos abandonar? Quero que nosso relacionamento sirva de exemplo para que outras pessoas também busquem isso. Façam o que deve ser feito.
“Fonte de apoio e companheirismo”
Os vínculos afetivos são considerados fundamentais em todas as fases da vida, e na terceira idade não é diferente, como diz a psicóloga Cristina Soeiro. Mudanças na rotina, como a aposentadoria e a saída dos filhos de casa, podem ter impacto significativo na vida dos idosos.
“Nesse contexto, os relacionamentos afetivos podem representar uma importante fonte de apoio emocional, segurança e companheirismo,” afirma.
Além disso, um novo amor na terceira idade pode representar uma experiência significativa do ponto de vista psicológico, complementa a especialista.
Um novo relacionamento pode despertar sentimentos de valorização, reconhecimento, alegria e renovação de projetos pessoais.
Assim como no caso de dona Geralda e seu Ramão, a internet pode ser um caminho para o início de novos relacionamentos, permitindo retomar amizades ou conhecer pessoas com interesses semelhantes. No entanto, a psicóloga destaca alguns cuidados para o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis a distância.
“Conhecer as pessoas aos poucos e realizar videochamadas pode ajudar. Também é importante não enviar dinheiro nem compartilhar informações bancárias, observar comportamentos de manipulação e planejar encontros presenciais com segurança, em locais públicos e com pessoas de confiança informadas,” explica.
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